M83 – Junk (2016)

Nota: 6,0

M83-Junk

Anthony González, aka M83, lança um trabalho regular proposto a algumas mudanças e fugindo de seu habitual, o que acaba não convencendo dentro de sua discografia até então com poucos erros.

Num ano com tantas promessas na música e com gente já fazendo bonito nos quatro primeiros meses, o M83 de Anthony González poderia estar facilmente entre essa seleta turma. Era outro que todos estavam aguardando o novo trabalho ansiosamente, apesar de alguns singles não terem se destacado tanto assim. O título do álbum e a capa assustaram um pouco (ou muito mesmo?), covenhamos. Para um músico que sempre teve bom gosto até nas capas de seus disco, como no maravilhoso ‘Saturdays=Youth’ (2008), era de achar que tudo aqui não passava de um desleixo, talvez até de propósito (claro que um ouvinte nunca sabe a real intenção de um artista na concepção de seu trabalho).

Contanto, capas e nomes de álbuns nunca desmereceram um artista. Artes gráficas, simbologias e escolha de títulos não conceituam de forma nenhuma o teor de uma obra. O músico usa do que ele quiser, se apropria da arte que lhe convém. Entretanto, ‘Junk’ não funciona como um trabalho do M83 que todos aguardavam, falta a imaginação do artista soar mais alto, sobram canções, a monotonia e a regularidade surgem. O álbum acabou gerando polêmica já nas primeiras horas do lançamento, sobretudo nas redes sociais. Não sei se nosso querido González quis fazer uma pegada mais pop aqui, ou então, quis elaborar um disco menos voltado para viagens climáticas/etéreas. Nada contra um trabalho soar pop ou então o músico buscar por mudanças, mas fica difícil ouvir um disco que pular faixas vira exercício constante, ou então, que a regularidade se alterna entre as 15 faixas.

Ainda é prazeroso se enaltecer com a paisagem sonora de ‘Solitude’ (que acaba sendo não só a melhor do disco como é o resultado daquilo que o M83 sempre fez), em contrapartida, não é confortante escutar futilidades como ‘Bibi The Dog’ (não, eu não aguento aquela voz robotizada de Pato Donald no meio da música). Até que algumas canções ganham um devido charme com os vocais da francesa Mai Lan (‘Laser Gun’) ou da cantora norueguesa Susanne Sundfør (‘For The Kids’). Aonde o músico é mais especialista, justamente em composições instrumentais, ele acaba não convencendo o bastante como na sonolenta ‘Sunday Night 1987’.

Dentro de um conceito radiofônico ou para criar hits instantâneos, ‘Junk’ funcionaria perfeitamente. ‘Do It, Try It’ e ‘Time Wind’ (que conta com Beck) entrariam facilmente no gosto popular durante uma programação de rádio FM. São bem melhores do que muita coisa que ultimamente toca à exaustão e somos obrigados a digerir. Dentro de um padrão de qualidade que o M83 sabe fazer, da experiência que ele adquiriu, acaba soando raquítico demais, esquecível até. No meio de grandes canções e da inutilidade, o álbum acaba se esquivando de ser um dos grandes lançamentos do ano. Muito pouco para um nome como o M83.

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Um pensamento sobre “M83 – Junk (2016)

  1. Disse tudo Eduardo! Assim que este álbum vazou aqui na net eu o baixei e o escutei… Resultado: decepção total – álbum deletado!

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