GUIA DAS SÉRIES: As Séries e as Formas de Prender o Espectador

NeganPost

O texto abaixo seguiu por uma mudança em relação ao que geralmente escrevo aqui para esta seção. Ao invés de falar sobre uma série, resolvi escrever sobre os efeitos que as séries em si causam no espectador ao usar de variados recursos para seguirem adiante. Alerto antecipadamente para SPOILERS, sobretudo em relação ao The Walking Dead, LOST e Breaking Bad.

No dia 3 de abril, foi ao ar o último episódio da sexta temporada de ‘The Walking Dead’. Era esperada a aparição do imponente vilão Negan. Figura essa já notória principalmente de quem leu os quadrinhos. Todos também sabiam que o vilão chegaria fazendo uma possível vitima, para mostrar seu poder e a fúria de Lucille (o bastão de beisebol do personagem). Acontece que ninguém esperava um fechamento como aquele. Depois de 10 minutos sufocantes, onde Negan brinca com a emoção dos capturados (e com a nossa também), a câmera mostra o ataque do bastão pelo próprio ponto de vista da vítima. Assim acaba o episódio. Próxima temporada, apenas em outubro.

A série usa aí de um cliffhanger. Alguns fãs julgaram ser de um cliffhanger de péssimo gosto. Muitos queriam ver a vítima. O que é pior? Por mais que vejamos vídeos e discussões pela internet, as pistas são praticamente exíguas quanto à identidade da vítima. De imagens que buscam pistas desde revelações dentro do próprio estúdio a possíveis jogos de luz e sombra (e até de pedras no chão), nada é concreto. Um internauta simplesmente disse que a ‘vítima ainda nem existe, o diretor espera a repercussão de público e crítica para assim, então, realmente criar a cena e escolher a vítima’. Que seja. Como espectador, não sabemos realmente o que passa na cabeça de quem está ali, entregando a ficção pra gente. Uma coisa é certa, penso ser isso que move e leva adiante algumas séries. O roteiro em aberto, o que esperar da próxima temporada, desvirtuar o pensamento do público (você até sabia do desfecho triste, mas não sabia da possibilidade ser assim).

‘The Walking Dead’ fez remoer minha memória e lembrei outras séries. Coloco aqui muito bem o clássico ‘LOST’. Mesmo que a série tenha decepcionado muitas pessoas naquele final, não podemos negar a relevância dela para o formato TV e para a influência que ela trouxe para novas produções. O seriado foi recheado de ganchos, mas um que marcou bem foi a de um suposto personagem aparecer dentro de um caixão. O esquife ali, todos os personagens olhando, mas o espectador teve que esperar a próxima temporada para então aliviar sua curiosidade e ver logo qual personagem havia recebido esse triste destino.

‘Dexter’ (bastante nas primeiras temporadas) e ‘Breaking Bad’ eram outras séries que fizeram o público ficar ansioso justamente por sempre deixaram aquela lacuna, de sempre terminarem revirando nosso pensamento lógico e cartesiano. A famosa série que teve Walter White como protagonista gostava de segurar o espectador logo nos primeiros episódios. Teve um momento clássico de início de temporada aonde observamos uma piscina com destroços de um acidente aéreo. Todos ficaram perplexos com aquilo, mas no final, nada influenciava no roteiro de uma forma geral, era apenas um belo recurso para angustiar o fã da série (e funcionou). Aquele frame, por assim dizer, nem mesmo estava ligado tanto a Walter, era apenas um acontecimento trágico em sua cidade.

Outro artifício atualmente é empregado: fazer mistérios em torno da morte de algum personagem principal. Isso acontece inclusive caso a série seja inspirada em algum livro importante e de sucesso. O interessante de algumas séries é que o caminho traçado pode ser diferente da história da original em qual ela foi baseada. Volto a The Walking Dead. O seriado ganha contornos diferentes aos da HQ, em certos pontos. Isso faz com que os fãs da HQ sigam com mais curiosidade na TV, entretanto, pode também gerar discussões acaloradas de como acaba se processando as duas narrativas.

Passamos a conhecer seriados bem produzidos, polêmicos, originais e bem sustentados por roteiros seguros. Cada diretor tem seu jeito de deixar uma série cada vez mais promissora ou de estragá-la de vez. Cabe a ele usar das estratégias apropriadas e de convencer o público (mais do que crítica) de que compensa a audiência daquilo que ele vê na tela, do que absorve. Por esse lado e com tantas opções hoje em dia, a produção que melhor se valer das técnicas para seguir adiante, será aquela lembrada mesmo depois do seu término por um bom tempo (como foi o caso de ‘Six Feet Under’).

Um pensamento sobre “GUIA DAS SÉRIES: As Séries e as Formas de Prender o Espectador

  1. Achei ridículo aquele final de temporada não mostrando quem morreu, acho que teria muito mais impacto. Mas tá valendo, eles sempre dão um jeito de deixar o espectador ansioso, não se preocupando muito em serem “honestos”, como naquele episódio em que Glenn cai e todos ficamos pensando se ele estava morto ou não, saindo-se com uma explicação bem risível.

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