RADIOHEAD – A Moon Shaped Pool (2016)

Nota: 8,0

Radiohead250

“Grupo que se aproveita bastante da relação fã-internet-artista moderna, o Radiohead continua fazendo trabalhos cuidadosos e chegam num momento de segurança e experiência com o nono disco”

O mundo está constantemente em mudança. O Radiohead, igualmente. Mesmo que o furor de um ‘Ok Computer’ (1997) ou de um ‘Kid A’ (2000) não sejam mais obrigatórios ou então tenham já delineado a banda como uma das importantes dessa era, sempre é notável como os ingleses causam furor, apreensões, choques e discussões. Somem da mídia por algum tempo, fazem da internet uma alavanca da relação entre ouvinte/fã-artista, sugerem que o fã pague o preço que acha conveniente pelo álbum. Também nunca faltam burburinhos em torno da banda, como algumas pessoas já relatando que ‘A Moon Shaped Pool’ pode ser o último disco deles.

Não apenas a estratégia bem bolada para esses tempos, mas a solidez do grupo. Trinta anos de uma ascensão meteórica. De meros coadjuvantes dentro de um cenário musical inglês, passando a ícones do mainstream. Mudanças surgiam a cada trabalho. Se a banda tinha um começo moldado no típico pop-rock, as metamorfoses começaram a surgir com a presença de outros gêneros (jazz e eletrônica) além de configurar um grupo com arranjos impecáveis e adepto do experimentalismo, onde não só as letras (sempre relevantes) tinham seu foco. Embora ‘Hail To The Thief’ (2003) não tenha chegado com impacto, o Radiohead sempre cumpriu seu papel de fazer música pensante, com sabedoria envolvida, de ousar por mais variações e tentar outras formas, de ter carinho com o que vai apresentar aos ouvintes. Eles construíram um alicerce seguro, uma soberania musical. Um álbum do Radiohead pode não soar perfeito, de obter nota máxima, porém nunca desagrada por completo.

Mais uma vez, o Radiohead retorna com o status de Radiohead que o consagrou. O grupo sempre citado, que causa terremoto nas mídias sociais, com enigmas e possíveis truques na manga. Uma banda apoiada por muitos, ou mesmo odiada porque é melhor ser do contra mesmo com argumentos nulos. Alguns podem falar que esse trabalho é preguiçoso, pois muitas das canções eram conhecidas de shows da banda, apenas ganharam um retoque aqui. Os vídeos provam o contrário. Cada vez mais criativos, sejam feitos com animação (‘Burn The Witch’**) ou sendo mais reflexivos e enigmáticos (‘Daydreaming’). Como estamos falando de música, e não de cinema ou imagens, preciso dizer que a banda me convenceu depois dos 3 minutos e 25 segundos sensibilizantes de ‘Decks Dark’. Nem precisaria mais de tantas justificativas. Poderia seu um trunfo cabal, mas felizmente não acabou nesta faixa.

Os violinos ganham destaque nessa produção. Podem partir para um caos urgente e necessário na abertura de ‘Burn The Witch’ como podem fazer um belo acompanhamento em ‘Glass Eyes’ na sua serena melancolia. Falando nesse sentimento, ele impera no disco, sobretudo nas canções finais. Entretanto, há brechas para um instrumental pulsante e o noise em ‘Full Stop’, (por pouco me lembrei de ‘The National Anthem’). ‘Identikit’ é outra faixa criativa do jeito Radiohead-de-ser, com direito a um coro de vozes que se enovela perfeitamente numa discreta eletrônica, o dedilhado de guitarra num sutil percurso. Elementos saborosos que avivam o poder hipnótico da música e que o grupo soube difundir em seu universo musical.

** Mal o disco foi lançado, o grupo já passa por uma certa polêmica. Agora parece que o vídeo de ‘Burn The Witch’ usa imagens de uma animação antiga mas sem a banda ter pedido autorização. Saiba mais aqui.

Allmusic
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Wikipedia

Veja o vídeo de ‘Burn The Witch’

2 pensamentos sobre “RADIOHEAD – A Moon Shaped Pool (2016)

  1. Eu assimilei até rápido, mais facilmente que o anterior. Porém conforme citei, é um disco melancólico, e a meu ver o Radiohead vem largando as guitarras pesadas há um bom tempo. O flerte com experimentalismo, jazz e eletrônica tem cada vez mais ganhado espaço.

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  2. Ainda estou tentando “digerir” esse álbum do Radiohead. Considerando o número de audições e as vezes que parei antes de chegar ao fim, é sinal de que não caiu muito bem. Tenho achado bem sonolento.

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