RICHARD ASHCROFT – These People (2016)

NOTA: 7,5

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“Ashcroft volta à boa forma num álbum diversificado e de canções pungentes”

Os últimos dias tem assistido o ressurgir discográfico de várias bandas que de alguma forma foram ícones na música pop inglesa: Lush, Travis, Stone Roses, Radiohead. Richard Ashcroft, uma das vozes mais emblemáticas do brit-pop – seja com o The Verve ou em carreira solo -, também dá seu ar da graça com “These People” (Cooking Vinyl, 20/05/2016).

Ashcroft “ressurgiu” para o mundo inteiro com um novo visual no clip da ótima “This Is How It Feels”, primeiro single do álbum. Focado exclusivamente em sua imagem, o clip mostra o vocalista com um visual bem diferente do que estávamos acostumados, de cabelos curtíssimos e com uma aparência mais “solta”. Por seu lado, a música entrega uma espécie de retomada daqueles elementos orquestrados responsáveis por muito da beleza de “Alone with Everybody” (seu primeiro álbum solo) e, principalmente, “Urban Hymns”, álbum mais aclamado de sua ex-banda, o The Verve.

Num segundo momento apresenta o clip da faixa “Hold On”, visualmente idêntico ao anterior, enquanto musicalmente as coisas mudam com as batidas eletrônicas dançantes, mas ainda carregando os mesmo elementos orquestrados, só que com uma ênfase diferente.

Com essas duas faixas, Ashcroft acendeu as faíscas para acenderem o fogo da expectativa por seu mais novo álbum, “These People”, que o vocalista descreve assim: “some personal and world events [taking] a dark turn leading to a sense of urgency and a clearing of the mind”.

No lado pessoal, a luta contra a depressão e o peso da perda de pessoas próximas que incluem a do seu empresário Jazz Summers, o que fez com que o hiato entre os álbuns fosse tão grande: “não queria lançar um novo álbum enquanto ele estava morrendo, estive muito próximo dele até o último instante”, explica.

Casado e com dois filhos, Ashcroft hoje com quarenta e quatro anos, não se desvincula do passado, sugere querer olhá-lo de uma forma diferente e mirando o futuro. Os elementos electro-pop de “Out of My Body” (onde há uma interessante mistura de eletrônico e acústico) e “Hold On”, mostram uma faceta não tão nova em sua carreira, já tinha flertado timidamente no álbum anterior, o incompreendido e guitarreiro “The United Nations of Sound”.
Embora tenha experimentado esse lado de maneira mais contundente em suas colaborações com o projeto UNKLE e com os Chemical Brothers. Já a presença do produtor Hal Malone, responsável pelos elementos orquestrados de “The Urban Hymns” e “Alone With Everybody”, representa a tentativa de reeditar alguns de seus momentos mais inesquecíveis.

E é desses álbuns que “These People” mostra-se mais próximo, ancorando-se na maior parte do tempo em batidas acústicos e adornos de arranjos de cordas e ocasionais slide-guitars, como na bonita “They Don’t Owe Me” ou na faixa que dá nome ao álbum.

Embora não fique tão evidente, esse é um disco de dois ou três momentos, iniciando o terceiro em “Picture of You”, onde, entre bases acústicas de guitarra ou piano, Ashcroft resolve falar e homenagear aqueles que perdeu recentemente sob uma roupagem mais intimista e climas mais tranquilos, prosseguindo em “Black Lines” e “Ain’t The Future So Bright”.

Emotivo e diversificado, “These People” retoma o padrão do compositor da “sinfonia agridoce”, e mostra-o em boa forma.

3 pensamentos sobre “RICHARD ASHCROFT – These People (2016)

  1. Pessoal reclamou bastante dessa capa no twitter e em outras redes sociais. E convenhamos: 2016 está com capas bem feias, apenas citando questão gráficas, isso nunca tira méritos de artistas. Acho ele um músico sempre de se valorizar. Tenho o ‘Alone With Everybody’ (2000) dele e acho bom. Esse ainda não escutei. E talvez essa sua concisa e bem descrita resenha tenha sido a única coisa do disco que li até agora. Ou seja, bem pouco comentado pela internet.

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  2. Realmente a capa não ajuda, Caio. Mas o disco é bom. Se você gosta do The Verve e dos trabalhos dele solo, acho que agradará.

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