BLOODY KNIVES – I Will Cut Your Heart Out For This (2016)

NOTA: 7,8

BLOODY-KNIVES

“Tímpanos à prova nesse novo petardo do Bloody Knives”

Desde que o Jesus and Mary Chain lançou seu angular “Psychocandy”, sendo seguidos poucos anos depois pelo My Bloody Valentine com o seu seminal “Loveless”, que o uso do barulho na música pop passou a ser algo “comum”.

De lá pra cá vários foram os ajuntamentos que contribuíram para o alargamento das fronteiras do noise, em muitos casos levando-o ou elevando-o a níveis absurdamente desorientadores. Como sugestão, dois nomes bem representativos dessa escola do barulho: Astrobrite e Cosmicdust.

Os texanos do Bloody Knives em seu “I Will Cut Your Heart Out For This” (Saint Marie Records) não querem ficar atrás de ninguém no quesito. Em seu novo álbum põem em ação seu maçarico sonoro movido a muita distorção de guitarras envenenadas com fuzz e vocais débeis em contraponto. Juntam-se a contemporâneos como Spectres, 93Millionsmilesfromthesun, A Place to Bury Strangers e Nothing, nessa extrapolação de guitarras saturadas, baixos trovejantes e batidas carregadas de peso.

A música é asfixiante, põe a respiração em suspenso. O golpe já pode ser sentido no trem desgovernado chamado “Cystic”, um tijolo ensurdecedor de menos de três minutos, mas que pode chacoalhar o cérebro por outros trinta. E o álbum, como não poderia deixar de ser, é curto, com pouco mais de trinta minutos. E segue carregado de intensidade por suas oito canções, inclusive na instrumental “Poison Intro”, com o que parecem ser teclado passando por efeitos distorcidos.

“Reflection Lies” e “Black Hole” são as faixas que se destacam. A primeira, um turbilhão de barulho “controlado”, subjugada por um vocal que tenta não se afogar. A segunda, a faixa mais longa do disco, pelo seu lado mais espacial que vai mudando, ganhando um baixo distorcido, acelerando até terminar em riffs desvairados e uma outra guitarra que mais parece o ronco de um motor de Formula 1.

Para quem resolver se aventurar nesse universo, que fique claro, a cartilha do Bloody Knives é simples e direta: o silêncio é profano, e o barulho a salvação, mas também pode ser o contrário.

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