MINOR VICTORIES – Minor Victories (2016)

NOTA: 9.0

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“Projeto com nomes conhecidos da cena musical inglesa sai vitorioso em seu álbum de estreia”

Slowdive, Mogwai e Editors. Essas três palavras ou esses três nomes de banda juntos poderia sugerir um show ou uma coletânea se não soubéssemos já de algum tempo tratar-se do projeto Minor Victories, nova empreitada de Rachel Goswell (Slowdive), Stuart Braithwaite (Mogwai), Justin Lockey (Editors) e seu irmão James Lockey, cuja banda Hand Held Cine Club é a incógnita dessa equação.

Surgido de uma ideia inicial que pretendia lançar apenas um EP e tendo apenas Rachel e Justin, o Minor Victories rapidamente cresceu em componentes e ideias, essa “frutificação” rendeu tanto que deu origem ao álbum homônimo.

A soma de partes diversas resulta num disco que acaba não se aproximando tanto de nenhuma das bandas originais de seus membros, talvez um pouco mais do Mogwai dos dias atuais, por causa do uso massivo de sintetizadores e batidas secas de bateria.

O som que irrompe dos auto-falantes não permite também aproximações imediatas com quaisquer bandas da atualidade, talvez com o álbum lançado por Anohni, por também tangenciar o rock em seus elementos convencionais.

A música executada pelo grupo trabalha com nuances diversas, que adquirem tonalidades únicas, graças à voz charmosa de Rachel, que em geral paira etérea sobre um instrumental às vezes épico.

“Give Up The Ghost” tem assombrosos teclados densos, sintetizadores saturados e bateria espancada com vontade (lembrando algo do The Twilight Sad), mas tem a sutileza dos vocais delicados. A pegada é de um rockão, só que com elementos de música eletrônica.

Embora sejam esses os alicerces que suportam a maior parte do repertório construído pelo Minor Victories, elementos clássicos, representados de forma elegante por sons orquestrados e melodias ao piano, se fazem presentes em algumas canções. Estão lá dando dramaticidade em “A Hundred Ropes” ou um clima de tensão “Breaking my Light”.

A sensação de tensão, por sinal, seguirá ao longo de todo o disco, representando parte dos elementos muito explorados na música próprio Mogwai.

As presenças de Mark Kozelek (Sun KIl Moon) em “For You Always”, e de James Graham (The Twilight Sad) em “Scatered Ashes”, embora com bastante predominância vocal, não apaga ou diminui uma da forças maiores que fazem funcionar a música do grupo, os vocais encantadores de Rachel, a parte frágil da construção musical do grupo. Fragilidade quase cristalina nos momentos etéreos de “Folk Arp”.

“Minor Victories”, o álbum, encanta porque cada faixa tem seu próprio brilho, como um punhado de bons singles reunidos para formar um ótimo álbum. “Cogs” talvez seja o momento de menor atração, mas “Out to Sea” e “Higher Hopes” reservam momentos de apurado senso de construção de arranjos inteligentes, essa última com direito a uma profusão de barulhos épicos que prenunciam um final.

No resumo simples e direto, um dos melhores álbuns de 2016.

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