GERSEY – What You Kill (2016)

Nota: 7,5

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Banda australiana compõe um álbum repleto de melodias apoiadas em belos dedilhados de guitarra e seguindo a escola musical do país de forma correta.

Aconteceu de você perceber que tinha deixado passar algo em quase 20 anos? Ou que sequer tinha ouvido falar a respeito? Digo isso, claro, em se tratando de nós, ouvintes sempre exploradores de novos sons e daquela grande banda. Grande, é exagero, uma infeliz apropriação de minha parte. Mas que brilhe em seu player e que então, naquele dia cinzento e amargo, te chegue como uma recompensa. O adjetivo ‘grande’ talvez seja mais propício assim, a música (interprete como arte em geral, poderia ser um filme) que arrebata e que faz seu próprio ego pagar pela lacuna/omissão. Você sabe também que isso não passa logo, o encantamento perdura por um longo tempo.

Gersey segue a boa e eficiente escola musical australiana. The Church e The Triffids, lembrei bastante deles. Musicalmente falando, a Austrália tem duas sinas: produzir bandas interessantes e influentes ao mundo, porém ainda não é lembrada por muitos como um dos países mais prolíferos nesse quesito. Não tem problema, exploradores da música, continuem acreditando. O fato estranho no Gersey é que, em 19 anos de carreira (atuam desde 1997), possuem apenas 4 discos. Também pudera, ‘What You Kill, o quarto disco na carreira, vem 10 anos depois do anterior ‘No Satellites’ (2006).

Tendo como líder o baixista e vocalista Craig Jackson, saiba que a sonoridade do Gersey é exatamente o que se ouve na segunda canção, ‘When You Hollow Out’ (a primeira é uma rápida vinheta). Melodia soberana, guitarra dedilhada que hipnotiza o ouvinte, baixo e bateria em sintonia e nervosos quando são necessários, a voz segura e agradável de Craig. Isso vai acontecer em seguida. Sem perder o brilho, ‘See Lucienne’ faz igualmente bonito, o que já nos faz perder o medo de que estamos diante de uma banda de uma música apenas. Nas canções mais longas do disco, que a banda se sobressai. ‘Endlessness’ começa tímida e melancólica com um piano e a voz de Craig, para então, querer explodir em seguida (percebi influência do Mogwai), mas a canção volta a iludir o ouvinte, retornando satisfatória e estrategicamente à serenidade com que ela havia nos cativado.

A banda por vezes procura o etéreo de forma inteligente. ‘For As Long As We Remain’, uma das candidatas a melhores canções do ano, entrelaça belos coros vocais junto a uma guitarra dilacerante, quase resvalando para um shoegaze. A viagem climática continua perfeita com ‘She Knows’ que prefere ficar sem vocais depois da metade para entregar ao ouvinte um deleite sonoro, um instrumental de arrepiar e que revela abertamente que o disco foi uma gratificante recompensa. Mas calma, ainda vem a tempestade sonora de ‘There Are Things That You And I Can Never Be’ que apesar de um começo apático, entrega outro final apoteótico de canção.

‘What You Kill’ é uma cartilha da música que sabe ser sempre reescrita com qualidade, com todas as influências aprendidas com esmero pela banda. A capa pode assustar ou mesmo ocultar um pouco mais o Gersey. Não se deixe pensar assim, além do mais, você está diante de uma das melhores descobertas de 2016 e de uma hora de prazer com essa arte que recompensa as vicissitudes da vida.

Curiosidade: a banda excursionou com o Pavement durante uma turnê em 2011. Membros do Gersey também ajudaram no disco do Spiral Stairs, projeto solo do músico Scott Kannberg (do Pavement).

Jango
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Escute ‘It Means Nothing’

Um pensamento sobre “GERSEY – What You Kill (2016)

  1. Bela resenha Eduardo! Parabéns! Não conhecia a banda e já fui baixando este álbum… ouvi atentamente e gostei muito… Um dos melhores de 2016!

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