WILD BEASTS – BOY KING (2016)

Nota: 5,0

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Quarteto inglês vem mudando suas características a cada trabalho, tentando talvez adquirir uma outra identidade. Para os fãs dos primeiros discos, isso pode ser nem tão vantajoso assim e o grupo pode cair num terreno perigoso.

Li em algum blog ou rede social (me falha a memória agora) que esse disco novo do Wild Beasts não chegava a ser uma catástrofe, e sim, uma grande decepção. Semântica à parte, catástrofe deve ser utilizado para algo que mata ou destrói, uma tragédia. Decepção sim, cai melhor para esse mundo das artes. Ó mundo que volta e meia nos presenteia com belas produções, ou como meu amigo Luciano citou numa outra resenha, aquela obra que lhe traga um efeito mágico. Muitas vezes não, e a gente, naquele gesto de insatisfação, ou mesmo de incompreensão, balança a cabeça tentando assimilar o que aconteceu ali.

‘Boy King’, o quinto trabalho do quarteto, infelizmente me deixou inquieto, gerando na minha pessoa o gesto que já citara acima. Eu, na quinta canção do álbum, na terceira audição apática e forçada, tentando encontrar ainda o efeito mágico que esses ingleses nos causaram lá, em 2008 com ‘Limbo, Panto’ e que concretizaram perfeitamente com ‘Two Dancers’ (2009). Não encontrei, larguei tudo. Mesmo que ‘Present Tense’ (2014) já estivesse puxando pro lado eletrônico e não tenha chamado tanta a atenção assim como os três primeiros discos, é intolerável presenciar o que acontece em ‘Boy King’. Ou melhor dizendo, o que não acontece, as qualidades ausentes de uma banda que, um dia, foi considerada como uma das melhores desses tempos.

O problema de ‘Boy King’, como mencionei, não é pular de vez pra eletrônica. Longe disso. O problema, – ou problemas, melhor assim – são vários: não ter melodia, praticamente não ter uma canção marcante, as guitarras dedilhadas estão extintas, o cuidado com o instrumental ficou de lado e cadê aquele maravilhoso dueto entre as vozes de Hayden Thorpe e Tom Fleming? Ambos já me deixaram num estado de transe em muitos momentos da minha vida, fosse na minha jornada de trabalho ou fosse no isolamento de meu quarto escuro. O efeito mágico surtido ao máximo, sabem…

Alguma coisa se salva. Muito pouco. Uma insegurança de indicar qual a canção mais apropriada dentro do conceito sonoro fiel e (até único) que tirou o Wild Beasts de seu anonimato, que lançou o grupo aos olhos do mundo, pras listas de fim de ano. ‘Celestial Creatures’, talvez? Tem uma levada até bacana e a voz de Thorpe continua enfeitiçando. Alguma outra? ‘Dreamliner’ que fecha o disco até faz lembrar o Wild Beasts de uns 6 anos atrás. A melancolia ficou bonita aí. Espera aí, quem fecha o disco é ‘Boy King Trash’ com seus 21 minutos. Sim, isso mesmo. Mas é algo que nem deveria ter ficado no disco. Não faria falta alguma, sobretudo nessa hora.

Acreditar ainda é preciso. O grupo tem seu tempo e sua reflexão de voltar às suas raízes ou de continuar nessa empreitada. Se for dessa segunda forma, como apreendi em ‘Boy King’, preciso ficar ouvindo discos antigos da banda para voltar a me encantar. Isso é ruim, inaceitável até. A gente sempre quer uma banda preferida em constante evolução positiva.

Acompanhe o retrospecto da banda aqui no site:
Two Dancers (2009)
Smother (2011)
Present Tense (2014)

Mais informações:
Allmusic
Site oficial
Twitter

Veja o vídeo oficial de ‘Get My Bang’

2 pensamentos sobre “WILD BEASTS – BOY KING (2016)

  1. Engraçado que sempre faço minhas resenhas sem olhar pro Metacritic, digo, as notas em geral. O disco vem ganhando média 7,5 lá, surpreendentemente. Aí, cheguei ao ponto de pensar que não tinha ouvido ‘Boy King’ direito, ou então, que não tinha compreendido direito. Mas é um disco chato mesmo. Pra você ter uma ideia, depois de duas audições de um disco bom, geralmente tenho as músicas vagando pela minha cabeça. Não consegui decorar uma canção desse disco. Ao lado do M83, uma das maiores decepções de 2016 (e olha que o M83 ainda é um pouco menos sofrível). Obrigado por suas palavras e pelo seu complemento, Luciano.

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  2. Ouvi esse álbum umas três vezes, e a sensação foi a mesma sua, nada que me fizesse “despertar”, uma sensação de monotonia e falta de brilho. E, como você mesmo citou, a ausência completa daqueles elementos que fizeram a banda cair nas graças de boa parte do seu público. Acrescentaria uma outra característica muito marcante nos primeiros álbuns da banda, principalmente no “Two Dancers”, a riqueza percussiva, que foi totalmente deixada de lado. Por ser uma banda que sempre venho “monitorando” com certa expectativa, também fiquei decepcionado com esse álbum, que já prenunciava que não agradaria, considerando as faixas que eles foram liberando. Aconteceu com eles algo semelhante ao que aconteceu com o Editors, mudaram o som, se enfiaram na eletrônica e parecem ter “perdido o foco”. Embora tenham dado declarações de que esse é o álbum que sempre sonharam fazer. Se isso for verdade, fico com os álbuns que eles fizeram sem nunca terem sonhado fazer. Finalizando, obrigado pela citação a minha pessoa. E parabéns pela concisão.

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