BON IVER – 22, A MILLION (2016)

Nota: 10,0

boniver250

‘Músico americano chega ao seu terceiro trabalho entregando um disco complexo e intrincado, de difícil absorção’.

Números, símbolos, letras. São elementos que regem nossas vidas. Nos acompanham do nascimento até a morte. É com eles que Justin Vernon, o artista por trás do Bon Iver, arquiteta seu terceiro trabalho de estúdio. Produção essa que extrapola, vai mais além do que o próprio músico havia já edificado nos consistentes e celebrados (com razão) ‘For Emma, Forever Ago’ (2008) e ‘Bon Iver, Bon Iver’ (2011).

O problema aqui não é interpretar qual foi a real intenção do músico ao criar ’22, A Million’. Isso começa já com a arte da capa que confunde o ouvinte, tal qual um filme ‘fuckmind’ causa no espectador. Dez faixas. Títulos que levam numerologia/simbologia. A confusão permanece. Eu teria que abrir esse texto em dois pra explicar o procedimento usado por Bon Iver (me baseando num texto que vi em outro site). Prefiro não fazer (Google está aí para sanar suas dúvidas e como ferramenta de busca). Quero me atentar à música, mesmo que muitas vezes eu ainda peque ao relatar sobre como é o processo musical de um disco. Se eu fosse um produtor musical, tudo seria mais simples e concreto para descrever as canções e comentar a respeito do conteúdo apresentado ali. Disse em outra ocasião que cada artista tem seu modus operandi ao criar algo, é parte inseparável da idiossincrasia dele. O que passou em sua mente na elaboração e no processo do álbum não fica a cargo do receptor da obra. Neste caso, o ouvinte, precisa ter a música dentro de sua compreensão, mesmo que a interpretação ocorra de forma cadenciado.

Como costumo aconselhar em algumas resenhas, esse é um álbum indicado para se ouvir com bons fones de ouvido e distante (se possível) de barulho/sons exteriores. Pra se prestar toda e total atenção. E se existe aquela obra/produção complexa digna de um processo lento de desvendamento ou desbravamento, ’22, A Million’ é uma delas. O que pode aborrecer alguns ouvintes, outros não. Fácil sentir estranheza na sonoridade de ‘21 M♢♢N WATER’, que, por sinal, é um prelúdio eficaz e ao mesmo tempo misterioso para a belíssima e poética ‘8 (circle)’. Sensato dizer que Bon Iver vem agregando outras sonoridades às suas canções como o Soul e o Ambient, e se o folk é conhecido por trazer elementos acústicos, o músico experimenta junções entre o eletrônico e até mesmo o rock, jogando batidas virtuosas, vozes robóticas e muitos efeitos (‘715 – CRΣΣKS’), sem perder a identidade moldada desde o primeiro disco.

Em suma, o terceiro trabalho de Bon Iver não é de fácil assimilação, inclusive os mais preguiçosos e não atentos aos avanços do artista, podem deixá-lo de lado. Julgo ’22, A Million’ como aquele momento do artista em especial, a criação-mor, o trabalho de vanguarda ou fora de padrão, a possível e aguardada apoteose de sua discografia (mesmo que esse artista ainda tenha muita evolução pela frente). Sabem, algo que aconteceu de forma similar com ‘Kid A’ (2000) do Radiohead, ‘Deserter’s Song’ (1998) do Mercury Rev ou mesmo ‘Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band’ (1967) do The Beatles. Estou errado?

Mais informações:
Allmusic
Bandcamp
Instagram
Site oficial
Soundcloud
Twitter

Escute 33 “God”

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s