BLACK MARBLE – It’s Immaterial (2016)

Nota: 7,0

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‘Chris Stewart é o músico por trás do projeto Black Marble. O artista continua emulando sonoridades antigas sem muitas mudanças, seguindo uma trajetória ao menos equilibrada’.

Ficar encantado com um trabalho de alguma banda é realmente gratificante. Parece que nós, ouvintes, fomos agraciados com o que esperávamos ou então, que sequer imaginávamos (quando somos tomados de surpresa). O problema maior, penso ser o próximo disco, quando a gente espera algo do mesmo nível, ou então, superior (a primeira opção já está de bom tamanho). Claro que a gente sempre tem o tempo de receber/absorver as coisas, ou mesmo de entender aquela obra (talvez ela seja melhor compreendida depois de muitos anos). Para muitos, ouvir um disco num momento ruim da vida pode não ser bom/aconselhável, para outros, nem tanto (eu me englobo no segundo caso).

‘It’s Immaterial’ chega aos meus ouvidos num momento delicado, frágil e repleto de mudanças em minha vida. Talvez até errado escutá-lo dessa forma. Mesmo assim, depois de quatro anos, com muita curiosidade queria saber como seria um novo trabalho do Black Marble, uma vez que ‘A Different Arrangement’ (2012) foi eleito um dos meus discos do ano. Para não cometer erros hediondos, ouvi o disco gradativamente, ou em várias ocasiões. Apesar de seguir a mesma fórmula, a da emulação da sonoridade 80’s passando por gêneros como coldwave/minimal synth e pós-punk, o novo trabalho não supera o anterior, contudo, também não fica num nível muito abaixo (eu diria quase próximo).

Um pouco desse ‘não-avanço’ em relação a 4 anos atrás talvez seja a falta de experimentalismo aqui, dos sintetizadores mais ousados, de tentar resgatar o ouvinte e surpreendê-lo a cada instante. Se ‘It’s Conditional’ faz muito bem isso, por outro lado ‘Collene’ (que não deixa de ser interessante) segue por um caminho muito retilíneo/óbvio, uma espécie de ‘vamos criar algo grudento e mais acessível, direto e nada intrincado’. Pode ser que o Black Marble esteja querendo um público maior, e que aos poucos tente criar uma identidade (com outros discos veremos como isso se procederá).

Como alertado, fiquem tranquilos: o álbum é bom sim. A ágil ‘Frisk’ com seu baixo marcante, a melancolia no momento certo em ‘A Million Billion Stars’, a batida influenciada do New Order fase Movement (1981) percebida em ‘Self Guided Tours’. Fico me perguntando se amanhã, ou ano que vem, poderia ter uma outra concepção desse trabalho. Nada. As palavras e a sintaxe seriam outras, as ideias e o meu parecer sensato não. O mais importante é que o Black Marble continua em seus trilhos, ainda não passou pela catástrofe do descarrilamento.

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Veja o vídeo de ‘Woods’

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