DÊ UMA CHANCE: Dead Man’s Bones – Dead Man’s Bones (2009)

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‘Ryan Gosling é um ator canadense, fez um dos discos mais ousados e estranhos (a estranheza no sentido da positividade, claro) deste ano. Inseriu tons fúnebres/tétricos, chamou um coral de crianças em sintonia com as melodias, adicionou pianos, fez um disco que engana o ouvinte mudando a cada trecho. Não só para o Halloween, um disco para qualquer estação do ano’.
Trecho extraído da seção Melhores de 2009

Em 2009, na efervescência do fotolog, a informação de filmes e disco novos, por incrível que pareça, ainda era superior que a de hoje. Mas isso por que eu tinha um grupo de amigos que eram verdadeiros exploradores de novidades e parece que a gente perdia um tempo maior para essas investigações (tinha quem considerava perda de tempo, achismos de cada um). O amigo que ficava curioso por determinada banda, no outro dia já fazia um post especial com algumas informações e o link precioso para o conhecimento da dita cuja. Foi aonde apareceu o Dead Man’s Bones (exatamente num outubro de 2009). Em questão de uns 2 dias, todos comentavam sobre o álbum e o DMB virava algo obrigatório e cada amigo de fotolog fazia questão de postar.

Interessante no Dead Man’s Bones é que tudo soa experimental, sem apelo comercial e que no final pode ser concebido como trilha de filme ou de uma peça teatral sem perder as características de um bem produzido álbum de pop-rock. O culpado desse projeto é Ryan Gosling, ator de filmes famosos como ‘Drive’ (2001). Junto ao amigo Zach Shields, a intenção era criar um disco que envolvesse temas que ambos gostavam: fantasmas, monstros, histórias de terror. Não bastasse isso, o projeto ganha peso ao ser feito em conjunto com o coro de crianças do Conservatório de Silverlake.

Para muitas pessoas há um estigma de que atores não são bons cantores (ou vice-versa). Retirem Ryan Gosling disso. Com sua voz poderosa e segura, sem fraquejar, o repertório do disco ficou um primor. Como se Ryan tivesse planejado tudo antecipadamente, tudo bem calculado. Claro que as crianças garantem o charme e são momentos como ‘My Body’s A Zombie For You’ e ‘Pa Pa Power’ que revelam principalmente a maestria do disco. A primeira lembra uma história de ninar com aspecto funesto, em contrapartida, a segunda é alegre e com um refrão matador digno de fazer qualquer canção pop-rock sentir inveja.

Para continuar com a ideia de genialidade, o álbum tem arranjos impecáveis (‘Buried In Water’, um bom exemplo). Gosling fez questão de colocar pianos, órgãos e instrumentos antigos comandando a maioria das canções, ganhando um ápice maior quando o coro de vozes ganha forças. Sem gênero preciso de classificar e mesmo que possamos perceber alguma semelhança com Arcade Fire ou Nick Cave, o Dead Man’s Bones criou um disco único, catártico, desafiador e mesmo embutido dentro de temas de terror, bonito não se emocionar com as 12 canções presentes. O próprio Ryan nunca mais falou sobre esse projeto. Voltou a fazer seus filmes, prefere fica, infelizmente, alheio ao Dead Man’s Bones. Os ouvintes agradeceriam um segundo álbum (e você pode dar uma chance escutando esse que continua atemporal).

Sites para saber mais sobre a banda:
Allmusic
Anti Records
Bandcamp
Twitter

Veja o vídeo de ‘My Body’s A Zombie For You’

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