CINEMA: Hush: A Morte Ouve (Hush, 2016)

Nota: 7,5

hushmenor

Feito com apenas um cenário, praticamente se valendo da atuação entre dois personagens, intenso e de orçamento simples, filme do diretor Mike Flanagan consegue segurar o espectador até os minutos finais.

O gênero terror talvez tenha se tornado tão sem originalidade ou nem tão assustador, que muitos diretores resolveram recorrer para o que mais nos assusta, da criança à velhice, sem distinção: os nossos próprios medos ou fobias. Por exemplo, foi assim com Eden Lake (2008) onde descobrimos que a maldade humana é mais aterrorizante do que aqueles monstros e figuras do cinema que faziam a gente até a trancar o guarda-roupa. O medo de viver nas cidades, de não se ter mais segurança, de assassinos, da morte hedionda. Isso tudo vem sendo explorado no terror atual, ‘Hush’ não foge à regra. Classificamos até como terror psicológico, que, digamos, vem ganhando força cada vez mais.

Apenas uma casa isolada num campo. Maddie, uma escritora surda, vive ali. A solidão de Maddie às vezes é quebrada pela companhia da amiga/vizinha Sarah, a única pelos arredores. Quando a amiga não está presente, a escritora vive em publicar seus livros, conversar com a irmã em chats ou tentar se aproximar com pessoas pelos aplicativos de seu notebook. A apresentação do filme é rápida. A ação/suspense não demora a acontecer. Ao tomar conhecimento do invasor, a nossa personagem sente-se acuada, mas ao mesmo tempo vai se valendo de sua personalidade e de suas estratégias para fugir. A princípio, Flanagan foi incisivo em dar enfoque apenas na personagem e no interior de sua casa (o filme pouco se passa além da varanda). Como espectadores, tomamos duas visões: qual serão os planos de Maddie e quais serão as próximas ações do invasor. E neste jogo de gato-e-rato nem podemos estabelecer um final preciso, tudo pode mudar ou mesmo tomar uma outra direção.

Claro que esse jogo é violento. As cenas ficam mais chocantes, os ferimentos surgem, a adrenalina explode. Ambos os personagens precisam sobreviver. Maddie dentro de suas limitações físicas se vê obrigada a usar e aprimorar seus outros sentidos ou de utilizar os recursos mais próximos, enquanto o invasor está determinado a cumprir seu plano, pois sente-se ofendido agora que está no mesmo nível (ou abaixo) de uma pessoa surda. E talvez nesse embate entre moradora pacata e vilão implacável é que o filme prende o espectador, também acuado esperando um desfecho imprevisível, talvez.

Sim, o filme falha. O invasor teria como ter entrado na casa desde os primeiros momentos, porém o interessante é manter esse jogo de perseguição (lembro do desenho do Coiote tentando pegar o Papa-léguas). Fora alguns clichês previsíveis do gênero (ok, isso é comum). O final também pode ficar em aberto para algumas pessoas, o que mais uma vez me deixa contente pois o interessante do cinema ainda seja isso, várias concepções sobre um desfecho. Para uma noite fria de sábado, pode ser uma interessante opção (mas verifique primeiro se alguém não ronda sua casa).

Para outras informações do filme:
Filmow
IMDB
Rotten Tomatoes

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