THURSTON MOORE – Rock’n’Roll Consciousness (2017)

NOTA: 7,5

“Segundo álbum solo pós-Sonic Youth reforça o ditado que leva anos para se afastar do que já fez, principalmente quando fez por tanto tempo”

O timbre das guitarras que abre “Rock’n’Roll Consciousness” é inconfundível, por anos foi marca registrada da ex-banda de Thurston Moore, o Sonic Youth. Poderia vir alguma microfonia ou um inferninho noise característico no ato pós melodia, mas segue-se um solo envenenado em fuzz, algo inimaginável em uma canção do SY. Estamos falando da longa “Exalted”, que se por um lado carrega muito da aura dos trabalhos de outrora, inclusive na estrutura do arranjo multifacetado, também quer ter cara própria, quer ser uma música de Moore enquanto artista solo.

Diferente do álbum anterior, aqui o guitarrista admite que buscou fazer um trabalho mais de banda, com isso deu liberdade aos músicos que o acompanham para que tivessem papel menos “secundário” nas canções. Assim James Sedwards (guitarra) e Debbie Googe (baixo) mostram personalidade em suas funções, acrescentam novos ingredientes às ideias de Moore. Ainda que Steve Shelley, que também era parceiro no Sonic Youth, seja um elemento na equação que acaba não mudando muito a conversa, mas até sua pegada ruma por lados diferentes ao acompanhar o baixo de Debbie, como se percebe na levada marcial de “Cusp”, a faixa com estrutura mais direta de todo álbum, quiçá da carreira do guitarrista.

“Rock’n’Roll Consciousness” segue uma mescla entre melodia e momentos de guitarras explosivas, uma explosão controlada que já tinha se tornado característica nos álbuns do SY pós “Dirty”. Muito dessa dicotomia perpassa quase todas as poucas canções do álbum, tendo seu lado mais experimental em “Aphrodite. O que quebra essa verve que remeteria de forma direta a um total requentado de coisas antigas é justamente a liberdade que Sedwards tem para adicionar timbres diversos daqueles tão comuns na história de Moore, e o faz tanto em “Exalted” quanto em “Turn On”, essa última por sinal com uma sequência melódica que muito lembra um trecho da música “Na Baixa do Sapateiro”. Enquanto o solo em “Smoke of Dreams” traz à canção um quê de Dinosaur Jr., devido tanto à progressão de acordes quanto ao efeito utilizado.

Questionado sobre o título do álbum, Moore afirmou que ao avaliar a sua vida e buscar algo que sempre a esteve direcionando, a conclusão foi de que a música tem sido esse elemento, o rock especificamente, por isso uma “consciência rock’n’roll”. As ideias musicais presente no aqui deixam bem claras as intenções de fazer um álbum rock, um álbum de guitarras, que mesmo resvalando muito em momentos do passado busca apontar para o futuro, ainda que tenha que regredir a raízes de um passado mais remoto ainda, ao exaltar referências do rock de garagem setentista de forma mais explícita.

2 pensamentos sobre “THURSTON MOORE – Rock’n’Roll Consciousness (2017)

  1. É um bom disco, vale a conferida. Principalmente quem gosta de guitarras. Obrigado pelo comentário.

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  2. Depois de ‘Dirty’ (1992), praticamente não me atentei a nada do SY, ou de algum dos membros da banda. Amigos de Twitter continuam me indicando até hoje. Depois de ler seu texto e como 2017 estou num ano que estou dando chance a tudo, creio que ouvirei esse, bem curioso. Mas uma bela resenha nos deixando a par do que rola no mundo da música (engraçado que não vi falando desse disco em muitos lugares).

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