REEDITANDO: EVANGELICALS – The Evening Descends (2008)

NOTA: 9,0

“Para quem segue a trilha do Flaming Lips e Mercury Rev vai se encontrar nos caminhos dos Evangelicals”

Os Evangelicals são de Norman, cidade de maioria protestante, localizada no estado de Oklahoma, que já deu ao mundo da música as bandas Chainsaw Kittens, Starlight Mints e Flaming Lips. Apesar disso, Josh Jones, vocalista e mentor da banda, comenta que a sombra musical a pairar por aquelas bandas é de artistas country como Garth Brooks e Toby Keith. Josh afirma que não há nada de ironia no nome da banda, e que é impossível escapar da religião em qualquer lugar nos Estados Unidos.

Em 2006 lançaram o elogiado “Gone”, onde já mostravam um futuro promissor. “Gone” foi todo composto por Josh, que canta e toca guitarra. Para as sessões em estúdio, ele convidou os amigos Austin Stephens (bateria) e Kyle Davis (baixo). Com essa formação fecharam com a Misra Records, que lançou o álbum na sugestiva data: 06/06/2006. Com essa formação a banda chega ao segundo disco, “The Evening Descend”, que cumpre o prometido em seu debut e assusta já com a capa.

A psicodelia anos 2000 que a banda apresentou em seu debut se espalha também aqui, mas de forma mais burilada, rendendo momentos do mais delicioso pop com elementos psicodélicos, numa trilha onde podemos encontrar vestígios do Flaming Lips e Mercury Rev. Sua música soa ao mesmo tempo atual (nos momentos mais convencionais) e retrô (quando a psicodelia aumenta).

Introduções que pouco ou nada tem a ver com o restante da música, mudanças repentinas de andamento, palmas, backing vocals engraçadinhos, sons de sirenes de ambulância, gargalhadas ensandecidas e outros samples diversos, elementos musicais inusitados que surgem e vão embora subitamente, até sons de brinquedo infantil e vocais carregados de eco. Tudo isso está espalhado em “The Evening Descends”. A experiência de ouvi-lo com fone acaba sendo bastante reveladora.

Mas tudo isso poderia não fazer sentido algum ou soar de maneira enfadonha não tivesse a banda a medida exata para dosá-los sem tornar saturado, ou não fossem músicos competentes o suficiente para construir canções com arranjos de bases sólidas, sendo esses elementos apenas o toque a mais. Porque tudo que encontramos na música do grupo já foi utilizado por outros, o que provoca espanto é justamente como eles conseguiram de certa forma “reinventar” essas ideias sem cair na mera imitação.

Um dos trunfos dos Evangelicals é sem dúvida o timbre de voz de Josh, perfeito para a sonoridade proposta pela banda, não esquecendo das doses de ousadia, loucura e variedade dos arranjos, que fazem de cada canção uma experiência diferente, mas não retira a unidade do disco como um todo, o que faz lembrar o Menomena. A produção corretíssima é também um dos pontos altos de “The Evening Descends”.

Destacar canções é difícil, mas a trinca que abre o álbum é indubitavelmente a força atrativa que arrasta para a religião dos Evangelicals e faz sentir vontade de lá permanecer, absorto ouvindo suas canções. No momento as favoritas são “How Do You Sleep” e a louca “Stoned Again”, onde Josh detona “You don’t know me, But you might see me out in severe weather warning, lighting matches, I’m not changing, you’re all freaky, I’m just singing”, ambas com pesos exatos de loucura e emoção. Mas a que pode conquistar muitos é mesmo “Skeleton Man”, aparentemente bem comportada, mas que do meio pro final se torna caótica, doida, perigosa.

Para quem, por causa do nome, pensou que a banda fizesse christian-rock, há que se tomar cuidado (não reparou na capa?), pois a música da banda de tão contagiante pode acabar desvirtuando do “caminho”. Caso isso aconteça, não há com o que se preocupar, a doutrina de Josh e sua turma é inofensiva. Além do mais, diante de álbuns assim, poucos conseguem resistir à sedução. Longe de ser evangélico, mas estou com os “Evangelicals”.

ORIGINALMENTE PUBLICADO AQUI: http://www.muzplay.net/coluna/68780/evangelicals-the-evening-descends

Um pensamento sobre “REEDITANDO: EVANGELICALS – The Evening Descends (2008)

  1. Ótimo disco, volta e meia escuto para me lembrar dele, pq não é um trabalho tão assimilável assim. Pena que a banda não tenha dado mais notícias e penso até que acabou.

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