OU NÃO: Au.Ra

Tom Crandles e Tim Jenkins são dois músicos australianos por trás desse projeto. O duo chega agora ao seu segundo trabalho, ‘Cultivations’. Será que eles provam que tem méritos para ir adiante e alcançar um público maior, assim como ter um maior reconhecimento?

Tom Crandles e Tim Jenkins, dois exploradores da música. A partir de 2011, usando apenas uma bateria eletrônica e uma guitarra, começaram a dar sustento para algumas experimentações sonoras. Em 2015, chegou o début intitulado ‘Jane’s Lament’, o duo passou a usar o nome de Au.Ra. Os músicos não sentem vergonha de mostrar que beberam bastante da fonte 80’s/90’s, bem como estão antenados com a época atual. Logo, espere por um disco multifacetado. Por vezes existe a verve roqueira como em ‘Applause’ e ‘Black Hole’, em outras ocasiões é fácil observar que a dupla foi para o eletrônico mais centrado no synth-pop como é notado em ‘I Feel You’ e ‘Blue Chip’. Sobra até espaço para um folk psicodélico bem organizado em ‘Above The Triangle (II)’. Dream-pop e Shoegaze são outros gêneros que podem definir bem a sonoridade construída da dupla, sobretudo em faixas com muitos efeitos, reverbs, guitarras dedilhadas e sintetizadores (‘Pulse’).

Faixas do álbum:
01. Applause
02. I Feel You
03. Pulse
04. Blue Chip
05. Nowhere
06. Above the Triangle
07. Above the Triangle (II)
08. Black Hole
09. Set the Scene
10. Dreamwork

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Ouça ‘Set The Scene’

SAINDO DO FORNO: She Sir – Rival Island (2017)

Ao escutar bandas como She Sir sempre me passa pela cabeça vários momentos de minha vida, ou então, sou lançado para várias épocas. Os americanos conseguem juntar ao menos três décadas de música. Poderiam estar entre o rol dos novos grupos que seguem a cartilha do dream-pop/shoegaze, são influenciados também pelos arranjos 60’s de um The Beach Boys e ainda parecem que beberam bem do Fletwood Mac fase 80’s. Por exemplo, ‘Pheromondo (Babysitter’s Back)’ com um pop-rock elegante carregado de sutis sopros poderia ser algo lá do Fletwood (cairia bem na voz de Stevie Nicks, mas aqui o vocalista Russell Karloff também faz jus). O instrumental também é importante na concepção do álbum, tudo bem equilibrado. Sopros e uma bateria marcante preenchem corretamente a beleza de ‘Noon Inspirits’, por sua vez ‘Mirror, No (We’re The Same)’ que dar ênfase maior nas guitarras. O shoegaze é mais visível na cativante ‘‘Dark Glass Tomb’. Ao longo do disco, outras influências serão notadas: Felt, Pylon, Engineers, Ride, The Pains Of Being Pure At Heart. Pontos para a banda que causa no ouvinte o poder de se sensibilizar com o que pode trazer cada umas das 10 faixas de ‘Rival Island’.

Faixas:
01. Private Party
02. Manila Mint
03. Noon Inspirits
04. DBS
05. Quinine Courts
06. Diamond Churn
07. Pheromondo (Babysitter’s Back)
08. Corporealoro
09. Dark Glass Tomb
10. Mirror, No (We’re The Same)

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Ouça ‘Private Party’

Flotation Toy Warning – The Machine That Made Us (2017)

Nota: 9,0

Londrinos retornam depois de 12 anos com mais um trabalho interligado em vários gêneros e com um universo sonoro rico e pronto para ser explorado.

Durante o início da semana, quando recebi a informação de um novo disco do Flotation Toy Warning, a primeira reação, por incrível que pareça, foi de mandar mensagem para todos os meus amigos que, então, há 12 anos, me alertaram sobre um disco chamado ‘Bluffer’s Guide To The Flight Deck’. Sim, isso mesmo. O primeiro trabalho dos londrinos que até hoje considero disco de cabeceira. Os ingleses nunca fizeram estardalhaço, não são comentados em sites e blogs de música, sequer vi alguma entrevista com eles até hoje, muito menos vi alguém dizendo de algum show deles. Então, não tanto pelo tempo de espera por um novo álbum, mas a verdade nua e crua é que bandas como Flotation Toy Warning não podem acabar tão prematuramente, sempre revelam que há muito por mostrar, mesmo num porto seguro longe dos holofotes.

Para os mais desavisados e os mais apressados, FTW pode parecer um cruzamento (que funciona) entre Mercury Rev e Flaming Lips. Em ‘The Machine That Made Us’ a banda até parece um The Divine Comedy da época do ‘Regeneration’ (2001) quando ouvimos a linda ‘A Season Underground’. Entretanto, pare qualquer comparação a partir de agora. O Flotation tem sua identidade, praticamente construída em dois álbuns. Para quem teve o prazer de 12 anos atrás, o Flotation continua sendo o mesmo, novamente contando suas histórias sobre bases sonoras épicas, climáticas e apoteóticas. Eu cheguei a colocar a primeira faixa com medo, não queria que o grupo tivesse feito algo aquém do trabalho anterior. Não fizeram. O modus operandi é o mesmo, o resultado é eficaz, entretanto esse processo não é simples, a fusão entre gêneros é ampla: folk, chamber pop, space rock, neo-psicodelia, dream pop, experimental. A base sonora é também arquitetada em elementos de orquestra, porém bem casados num pop-rock que poderia muito bem estar em qualquer lista de melhores do ano (‘Due To Adverse Weather Conditions, All Of My Heroes Have Surrended’).

‘The Machine That Made’ é um disco complexo, porém nunca desanimador. Longo, contudo nada monótono. Oferece ao ouvinte peças de um quebra-cabeça que ele sentirá bem em montar e logo depois contemplar. A música do Flotation Toy Warning cita muitos exploradores e viajantes, pessoas em busca de aventuras. É tema constante nas letras dos ingleses. Assim talvez seja a banda, explorando sua sonoridade, expandindo horizontes, desbravando caminhos. Para o ouvinte fica o convite para que ele participe, não fique parado. O final da jornada será recompensador.

A resenha do disco de 2005, clique aqui

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Escute ‘Everything That Is Difficult Will Come To An End’

SAIU DO FORNO: Sea Pinks – Watercourse (2017)

Um pouco mais de um ano e os irlandeses (de Belfast) do Sea Pinks chegam ao seu terceiro trabalho. ‘Soft Days’ havia saído em 2016 e revelado um pouco mais da banda ao mundo. ‘Watercourse’ segue a mesma cartilha: refrões grudentos, indie-rock ensolarado, herança 80’s/90’s e do pós-punk também, guitarras dedilhadas e sempre marcantes, baixo e bateria fazendo sua função corretamente. Disco com um pouco mais de 30 minutos, direto, sem inovações, porém com muita energia por parte do trio. O peso de ‘Playin’ For Pride’, a nostalgia que impregna ‘Into Nowhere’ e o dedilhado que conduz a contagiante e adocicada ‘Shock Of The New’. Esse é o Sea Pinks seguindo adiante e deixando transparecer que ainda há muito por vir.

Faixas:
01 – Watercourse
02 – Places She Goes
03 – Into Nowhere
04 – I Don’t Know What I Would Do
05 – Gonalong
06 – How Long Must I Be Denied?
07 – Playin’ for Pride
08 – Shock of the New
09 – Water Spirit
10 – Pining Away

Para saber mais:
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‘Into Nowhere’, uma das melhores faixas do álbum

GUIA DAS SÉRIES: The Leftovers

A partir de um mistério acerca da partida repentina de algumas pessoas, série americana cria um universo narrativo rico em episódios fantásticos onde a condição humana é colocada em foco.

Emissora (EUA): HBO
Temporadas: 3 (série já finalizada)
Episódios totais: 28 (cada um com um tempo entre 50 a 60 minutos aproximadamente)
Criadores da série: Tom Perrotta e Damon Lindelof
Temáticas: mistério, loucura, religião, perdas, sociedade, relacionamentos, família, condição humana

Damon Lindelof, um dos criadores de LOST, parece gostar de mistério. Foi dessa forma que LOST foi conduzida até seus minutos finais, sendo considerada como uma série do ‘ame ou odeie’ por conta do desfecho. Enigmas sobre enigmas, números premiados, escotilhas, fumaça mortal, ilha, tripulação de um avião caído (e o espectador com o cérebro em redemoinhos). O Lindelof dessa década continua da mesma forma, mas enquanto a série antiga nos entregava inúmeros mistérios, ‘The Leftovers’ tem um único que rege a trama: o desaparecimento de 2% da população da Terra, evento esse chamado de ‘Partida Repentina’.

‘The Leftovers’ tem esse mistério apenas como pano de fundo, e trata mais dele na primeira temporada. No início, vamos deparando com pessoas que aceitaram essa partida e seguiram adiante, outras nem tanto e até aquelas que resolveram mudar de hábitos. Entretanto, é através dessa partida que a narrativa vai delinear seus personagens, todos devidamente afetados/fragilizados. E em meio a um caos e com previsão de apocalipse chegando, a série toma um caminho tortuoso, porém sempre convidando o espectador a ser como um cúmplice e cair numa jornada que une insanidade, suicídios, perdas, relacionamentos e o enigma que a própria vida é.

O seriado da HBO tem todo um capricho (digno da emissora) que já começa na abertura e passa pela bela trilha sonora (que muda conforme a temporada e alguns episódios). O elenco cativa de início. Todos os personagens ganham destaque, apesar de que a terceira e última temporada praticamente deixa alguns de lado, mas sem eliminá-los de vez. Os episódios, com excelentes construções narrativas, entregam uma rotatividade entre os personagens mostrando a índole e a perspectiva de cada um. Difícil não se emocionar com Matt, Nora, Kevin e Laurie. Feridas, medos e fraquezas são cada vez mais expostos conforme o andamento da produção, quer seja por episódios que fazem se valer mais da filosofia e psicologia, ou quer seja por meio de analogias e metáforas onde o espectador precisa encaixar a ideia apresentada ali.

The Leftovers não opta pelo cientificismo ou pela busca por respostas, o seriado quer mostrar pessoas comuns e famílias lidando com o luto e as consequências de fatos traumáticos. Uma produção que era atraente não pela parte técnica, como também por trazer personagens como nós, por trabalhar com nosso sensorial e para pensarmos em todos os dilemas que a existência humana carrega. Pode ser bela, porém ao mesmo tempo catastrófica. Apesar de trabalhar com tantos temas que abordam religião até suicídio, em nenhum momento The Leftovers pesa para algum lado.

O seriado fecha talvez não dando respostas, com muitas divagações e questionamentos entre os fãs, mas termina de uma forma mais ‘realista’ que LOST, ao mesmo tempo ficou mais centrada na condição humana. The Leftovers é aquela produção que mais uma vez tenta explicar o que é a vida ou então, que tenta se aproximar disso usando de tudo que nós conhecemos: de filosofia ou mesmo de ficção. Mesmo que a gente não acredite nas histórias contadas ali, o que realmente aconteceu, como as pessoas sumiram, se os personagens realmente agiram como o final supõe (a exemplo da personagem Nora), fica mais uma produção que mostra o que o cinema pode fazer de melhor: enaltecer o espectador, ludibriá-lo, conscientizá-lo, nocauteá-lo. Mais do que isso, dar entretenimento e apresentar novas ideias para o que ainda pode chegar dentro da própria sétima arte.

Saiba mais (elenco, sinopse, descrição dos episódios):
Filmow
IMDB
Rotten Tomatoes
Wikipedia

CINEMA: Sete Minutos Depois da Meia-Noite (A Monster Calls, 2016)

Nota: 8,5

Filme traz vários recursos (fotografia, efeitos, roteiro) em sintonia com uma narrativa carregada na tristeza que mesmo assim não cansa o espectador em mais um dos belos momentos do cinema.

O cinema pode mostrar a dura realidade de diversas formas, dentro de variados gêneros. Usa metáforas, simbolismos, flashbacks, finais inesperados. Faz-se valer de sua fotografia, de seu figurino, do elenco (o humano em cena), da cena memorável, dos efeitos que a modernidade proporcionou. Junto a um roteiro eficaz, pode se manifestar na emoção de cada ser vivente do planeta. E assim se conta uma história que pode te alcançar, quem sabe, porque você vivenciou aquela experiência em algum momento de sua vida. Ou então, tudo é apenas catarse, aquilo te ludibria em tom de fantasia ou mesmo num conto de fadas moderno.

‘Sete Minutos Depois da Meia-Noite’ tem um pouco do que disse acima. Se fosse conceituar cinema ou então fosse fazer uma redação escolar sobre o que é cinema, teria usado das palavras do primeiro parágrafo. Mas, desde a bela capa (felizmente, aqui você pode julgar o livro pela capa) passando até pela escolha correta do elenco, tudo funciona em prol do bom cinema no filme de Juan Antonio Bayona. Entretanto, a película ainda guarda seus trunfos: ser um misto de drama e fantasia sem pesar demais para qualquer lado, apesar do tom triste ao extremo que a trama pode carregar. A técnica também de dar vida às histórias paralelas ao filme usando aquarela, contadas pelo monstro, é exuberante e foge do lugar-comum caso você já tenha visto com uma trama semelhante (e com certeza viu).

Como tudo no cinema carrega sua mensagem, aqui não é diferente. Nos minutos iniciais do filme, a mãe de Connor diz: ‘as pessoas não gostam daquilo que não entendem’. Espere por diálogos fortes e muitas mensagens, sobretudo nas histórias paralelas contadas pelo monstro. O filme trata de forma agradável e transigente temas como amadurecimento, os estereótipos errados que por vezes criamos, a dificuldade que é perder as pessoas que amamos em vida, família, coragem e fé. Em meio a um mundo que não o compreende, o garoto Connor (ótima atuação de Lewis MacDougall) precisa cuidar de seu lar e tomar conta de sua mãe que está com câncer. Neste ponto podemos aguardar cenas tocantes entre mãe e filho. Talvez a parte do bullying na escola tenha ficado um pouco desfocada para a trama e até desnecessária, entretanto não tira o brilho do que veremos em 108 minutos.

O longa não precisava nem recorrer a tantos efeitos especiais, porém na soma final o casamento foi perfeito para dar tensão à narrativa sombria e triste, apesar da exuberância das cenas que contemplamos. Ver tanto o chão se desmoronando aos pés de Connor como o ‘monstro’ se aproximando do garoto nos enche os olhos e garante um impacto maior para o fechamento da história. Falando em final, claro que essa é mais uma daquelas narrativas que deixam o espectador inquieto no desfecho, aquela vontade de debatermos com os bons amigos adoradores da sétima arte.

Para maiores informações:
Filmow
Focus Features
IMDB
Rotten Tomatoes

OU NÃO: DBFC

Dupla francesa faz um som dançante mesclado com o orgânico mostrando várias influências abertas como Kraftwerk e os próprios conterrâneos do Air. Lembrando do retrospecto da França que sempre legou boas bandas ao mundo, será que podemos dizer que o DBFC segue adiante?

Não é preciso ir até a última faixa de ‘Jenks LP’, segundo trabalho dos parisienses do DBFC, para sabermos o leque de influências que eles revelam. As três primeiras canções dizem por si só. ‘Jenks’ parece começar pendendo para o pop-rock, mas depois de sua metade ganha um clima eletrônico totalmente emprestado do Kraftwerk. ‘Bad River’ é puro 80’s trazendo à mente nomes como Gary Numan e Soft Cell. Por fim, ‘Disco Coco’ fica mais na modernidade e é algo que os conterrâneos do Air fariam sem medo em seus primeiros discos. O duo também arrisca misturar a psicodelia com uma viagem climática (‘The Rest Of The World’) e em certas faixas traz o equilíbrio adequado entre o pop-rock e o eletrônico (‘The Ride’ e ‘Staying Home’). Por sua vez, ‘Autonomic’ seria classificado como puro house music e entrega corretamente o que um dos integrantes disse sobre a sonoridade: ‘DBFC não é uma banda, é um clube’. O début da dupla chama-se ‘Leave My Room’ e é de 2014.

Faixas do álbum:
01 – Jenks
02 – Bad River
03 – Disco Coco
04 – In The Car
05 – The Ride
06 – New Life
07 – Autonomic
08 – Staying Home
09 – Sinner
10 – The Rest Of The World

Mais informações:
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Differente Recordings
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Veja o vídeo oficial de ‘Jenks’

LISTA DE 7: 7 Jogos que Mereciam Remakes/Reboots

Dia desses, num grupo de Whatsapp, discutia com os amigos a respeito de quanto me sinto triste em relação ao tanto de remakes e reboots no mundo dos jogos. Isso vale para o cinema também. ‘Horizon Zero Dawn’ da Guerrilla Games provou que jogos novos precisam surgir, devem ganhar espaço no lugar de velhas e cansadas franquias. Entretanto, quem sou eu para ditar a rédea da indústria dos jogos. Se vende e tem público consumidor, vamos continuar fazendo. Pensando nisso, listei alguns jogos então que poderiam sair novamente, dando uma chance de conhecimento a essa nova geração ou então, volta a fazer sorrir o mais forte dos saudosistas. Vale lembrar que a lista segue uma ordem alfabética, e não de preferência do redator.


01 – ALONE IN THE DARK: THE NEW NIGHTMARE (Survival Horror – 2001)
Lembro o medo que senti ao jogar AITD: TNN. Até então, no gênero survival horror, estava muito preso à série Resident Evil. Alone In The Dark também faz bonito com direito a visitas em catacumbas abandonadas e mansões obscuras, além de puzzles de fazer entortar o cérebro. E aqui a munição é bem escassa, lanterna e tocha são suas amigas. Um remake seria bom pela questão de que o jogo que saiu depois, Alone In The Dark: Inferno (2008) foi bem fraco e parece que a série caiu no limbo.


02 – CRASH TEAM RACING (Kart Racing – 1999)
Sou um fã do gênero, então, seria suspeito de não indicar esse jogo aqui. Crash teria tudo para ser o mascote do Playstation da Sony. Por um tempo foi, mas a franquia também não continuou na nova geração. Agora sim, a Vicarious Vision resolveu lançar a trilogia para o PS4, numa nova roupagem, porém o CTR não sairá. Segundo a empresa, há uma possibilidade no futuro do jogo também sair. Queremos certeza, não probabilidades. Um jogo indicado para todas as idades, divertido, trapaceiro no melhor dos sentidos e que muitos fãs não ficariam chateados com um remake.


03 – D (Aventura, Terror interativo – 1995)
Isso mesmo, o nome do jogo é apenas uma letra. Espere para trabalhar seu cérebro com puzzles intrincados, se sentir claustrofóbico, de sentir a aflição da protagonista Laura Harris. Na época o jogador tinha que avançar na moral, sem vídeos ou guias no Youtube, então talvez hoje a pessoa apelaria para muitos spoilers e deixaria passar essa pérola adiante. A Sega está relançando muito de seus jogos, quem sabe ‘D’ não esteja nos planos da empresa também?


04 – GALERIANS (Survival Horror – 2000)
Compre ‘Galerians’ na época do PS1 com medo. Achei que se tratava mais de jogo estratégico. Nada tinha lido a respeito. Um jogo com 3 discos? A maioria vinha apenas em um. No início, é preciso haver toda uma habituação com a história, os controles, se apegar ao personagem. Isso para depois não largar mais, querer ir adiante. Um jogo que teve pouquíssima divulgação e agora seria um bom momento para lançá-lo novamente, quem sabe. Puzzles, história envolvente, personagens marcantes, cenários inspirados, poderes como telecinese e pirocinese. Um jogo que você termina três vezes não pode ser tão ruim assim.

05 – KULA WORLD (Puzzle, 1998 – imagem principal da matéria)
Simplicidade nunca foi expressão de algo sem valor. Uma bola, por cima de plataformas, com muitos obstáculos, você precisa apenas encontrar uma chave. Eu disse apenas? O jogo é curto dentro de padrões atuais. Chegue no último nível para tudo acabar. Ou não, começar de novo usando outra estratégia pode ser uma boa opção. E eu disse que existe tempo? Sim, nos últimos níveis o jogo complica, porém nunca frustra. Além disso, a visão isométrica de Kula World é algo indescritível.


06 – MEDIEVIL (Plataforma, 1998)
Sir Daniel Fortesque. A figura principal de Medievil. Uma esqueleto cavaleiro que empunhando sua espada passa por cenários que conseguem unir o tétrico e o lúdico. Bons desafios, muita exploração pelos cenários, puzzles e o carisma de nosso bravo cavaleiro. Pena que a franquia não seguiu adiante. Sir Daniel depois apareceu somente no jogo de luta PlayStation All-Stars Battle Royale que é composto pelos personagens dos jogos da Sony.


07 – VALKYRIE PROFILE 2: SILMERIA (RPG – 2006)
Esse foi o segundo RPG que me fez entrar de cabeça no gênero. O primeiro foi Final Fantasy X. VP2:S tem um sistema de combate que à primeira vista desanima, mas depois conforme se vai ganhando experiência tudo vira viciante e nos convidar a explorar cada vez mais os cenários, bem caprichados sobretudo pra época. Além disso, inúmeros personagens bem detalhados, labirintos bem desafiantes e muita exploração. Pena que o jogo não ganhou o mesmo destaque da série Final Fantasy, quem sabe nos dias atuais com uma maior divulgação?

Observações:
1 – Tinha intenção de colocar a capa dos jogos, entretanto algumas eu não encontrei em boa resolução. Resolvi colocarimagem do jogo.
2 – Não deixei link para os jogos, porém são jogos com informações bem fáceis de se encontrar na internet, assim como existem vários emuladores onde você pode jogá-los/testá-los.

Outros jogos dignos de menção:
DINO CRISIS (Survival Horror, 1999)
EINHANDER (Nave Side-scrolling, 1997)
GEX (Plataforma – 1994)
HEART OF DARKNESS (Plataforma, 1998)
PARASITE EVE (RPG, Survival Horror – 1998)
ROGUE TRIP (Combate de carros – 1998)

Leitor, sua participação é importante. Comente, dê dicas sobre alguns jogos que mereciam um bom remake ou então podem criticar minha lista.

SAIU DO FORNO – The Charlatans – Different Days (2017)

A banda inglesa The Charlatans, por si só, já tem um mérito: é uma das sobreviventes dos anos 90, da chamada era Madchester e também com um pé no Britpop. ‘Different Days’ é o décimo-terceiro trabalho de estúdio do grupo. Nessas quase três décadas, a idade chegou para o grupo, o cabelo do vocalista Tim Burgess continua o mesmo e a banda também teve seu momento desolador com a morte do baterista Jon Brookes aos 44 anos. Esse é um álbum com várias participações de peso como Paul Weller e Johnny Marr (ex-The Smiths) que toca guitarra em 3 faixas. Os ingleses continuam com sua química e digamos que ‘Differente Days’ é um disco bem pra cima, sem espaço pra melancolia. Refrões ganchudos, instrumentos ágeis, melodias ensolaradas e a peculiar voz de Burgess (‘Solutions’, ‘Different Days’ e ‘Let’s Go Together’). O casamento entrosado com a eletrônica também está presente em ‘Over Again’, repleta de suingue e a que mais lembra a fase 90’s do grupo. A guitarra (de Marr) comanda a levada contagiante de ‘Plastic Machinery’, candidata a ser uma das melhores do disco.

FAIXAS:
01 – Hey Sunrise
02 – Solutions
03 – Different Days
04 – Future Tense
05 – Plastic Machinery
06 – The Forgotten One
07 – Not Forgotten
08 – There Will Be Chances
09 – Over Again
10 – The Same House
11 – Let’s Go Together
12 – The Setting Sun
13 – Spinning Out

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Veja o vídeo oficial de ‘Plastic Machinery’

REEDITANDO: Kudu – Death Of The Party (2006)

Como o blog Lovenomore é cultura em geral, temos uma rápida explicação por parte de Zoologia aqui: Kudu é uma espécie de antílope africano que vive nos territórios sulinos do Chade, e cujo nome científico é Tragelaphus Strepsiceros. Ciências à parte, o nome do animal foi o mesmo usado por esse quarteto de Brooklyn (NY) composto pelo baterista Deantoni Parks, pela vocalista e baixista Sylvia Gordon, além das colaborações dos tecladistas Nick Kasper e Peter Stoltzman.

Fui suspeito de querer ouvir esse grupo, até mesmo porque sou fã indiscutível de vocal feminino. Sylvia aqui faz a sua parte muito bem feita: canta em várias nuances que se misturam, passamos por momentos variados como ludismo, seriedade, inocência e despretensão. Canta às vezes como adolescente num karaokê, como tem horas que canta como uma senhora vocalista experiente. Ouvir Kudu me remeteu a várias bandas com toques de pop eletrônico que utilizam/utilizaram vocais femininos e coloque aí como exemplos: Dee-Lite, B-52’s, Moloko, Goldfrapp, The Go-go’s, Ladytron (por quê não?) e até um pouco de Souxsie.

Também termino com as comparações aqui. Kudu não faz mais do mesmo. Um pop eletrônico com forte apelo radiofônico, com pinceladas de breakbeat, synthpop e de hip-hop; mas tudo misturado ao longo das 12 músicas do álbum. Teclado, bateria e a voz de Sylvia predominam ao longo das canções, logo, não espere por muitas novidades. Mas há momentos ímpares como músicas simpáticas e simples que te fazem ir adiante para saber mais, como acontece na abertura de “Hot Lava”. Tem muita batida contagiante, de fazer bater o pé enquanto o fone de ouvido faz sua parte, como nos casos de “Suite Life” e de “Magic Touch”. Muito potencial para tocar em rádios e em festas noturnas devido ao forte apelo pop e refrões grudentos ao máximo como se comprova em “Playing House” (para muitos, o hit do disco).

A super pop ‘Love Me In Your Language’, inclusive, pode parecer imbecil, contudo está arriscado você dar repeat na canção em seguida. Aquela batida memorável; vozes robóticas masculinas acompanhando, teclados liderando a melodia e a voz de Sylvia (com direito a algumas palavras em português como: Ritmo constante. Dentro, fora. Sim, podem acreditar. E por ironia, essa foi uma das canções mais divertidas que ouvi até hoje. Descobri a banda só agora quando estava dando uma limpeza em meus MP3’s. Conhecê-la, não vai mudar em nada na minha lista das melhores bandas da minha vida, entretanto, considerei como uma boa surpresa, mesmo que efêmera. Não têm aquelas festas que você passa ao lado de seus familiares, sobretudo no final de ano? Pode passar o cd inteiro do quarteto que nem sua mãe vai reclamar.

Para saber mais:
Allmusic
Last FM
Nublu Records

Veja o vídeo de ‘Playing House’

SLOWDIVE – Slowdive (2017)

Nota: 8,0

Banda inglesa renomada de shoegaze retorna depois de 22 anos trazendo as mesmas características sonoras que a lançaram ao mundo.

A lembrança maior que tenho dos ingleses do Slowdive é de quando fui apresentado à banda por um amigo meu. Ele retornando de São Paulo em 1993, com muitas novidades musicais em K-7’s (na época então, nosso modo de guardar e conhecer música). Quando ele deu play na fita, perguntou o que eu sentia ao ouvir os minutos iniciais de ‘Alison’. Disse que parecia estar mergulhando numa dimensão incalculável do espaço, que me sentia despencando de algum lugar não me importando com isso ou então, que parecia estar submergido em alguma coisa que não sabia explicar e que dela não pretendia sair. Essa foi a mesma sensação dele. Copiar a fita foi o meu primeiro ato e em seguida investigar sobre o grupo.

Claro que muitos não gostaram do que veio depois, algumas críticas em torno de ‘Pygmalion’ (1995), a banda foi perdendo integrantes e terminou. Veio o Mojave 3 com alguns membros do Slowdive e trazendo uma sonoridade mais voltada ao folk. Não deixou de ser interessante, isso porque nós tínhamos músicos que realmente conheciam música.

O retorno, vinte e dois anos depois, mesmo com o peso da idade para os integrantes, não interfere no poder na criação de canções, em deixar transparecer que o Slowdive sim, merece o status de uma das bandas mais consagradas dentro do gênero shoegaze.

Entretanto, o Slowdive sempre pareceu querer fugir do gênero ou do estereótipo shoegaze, preferiu não ser uma banda orgulhosa do gênero e expandiu sua sonoridade pegando influências variadas de décadas anteriores (inclusive, The Smiths é uma forte influência deles). Isso fica constatado na grudenta e melódica ‘Sugar For The Pill’, resvalando mais para o pop-rock, canção que com certeza estaria na programação das rádios FM’s. O mesmo vale para ‘No Longer Making Time’ que é conduzida por um belo dedilhado de guitarras, mas explode com um refrão certeiro envolto em guitarras mais raivosas.

‘Falling Ashes’ tem uma atmosfera serena, guitarras praticamente apagadas e a sonoridade dá ênfase para o piano e os vocais. O jeito Slowdive de criar composições climáticas/etéreas sem muito esforço. O mergulhar numa imensidão que havia citado no início do texto. ‘Star Roving’ é, talvez, a mais shoegaze do disco, guitarras mais furiosas e vocais sussurrados. Os vocais de Neil Halstead e Rachel Goswell, uma das características mais fortes dos ingleses, continum em perfeita sintonia (‘Slomo’).

Mais informações:
Allmusic
Genius
Last FM
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Wikipedia

Veja o vídeo de ‘Sugar For The Pill’

SAINDO DO FORNO: Diagrams – Dorothy (2017)

‘Chromatics’, de 2015, era um álbum que mostrava o Diagrams num caminho certo, com canções bem interessantes. Agora, no terceiro trabalho, o grupo segue na mesma trajetória, e apesar da sonoridade maior resvalar para o folk, ainda podemos observar outros gêneros incluídos como a folktrônica, a psicodelia 60’s e o indie-rock. O grupo preza muito pelas letras/poesia, tanto que neste disco temos a colaboração da poeta americana de 90 anos, Dorothy Trogdon. É a própria Dorothy que faz a declamação de um poema no fechamento do disco como fica provado em ‘Under The Graphite Sky (Poem)’. Por último, mas não tão menos importante, a riqueza de instrumentais. Pianos, sopros (que deixam ‘I Tell Myself’ bem elegante), bandolins, tudo funcionando em conjunto com a voz soberana e experiente de Sam Genders (que liderou a banda Tuung).

Faixas:
01 – Under the Graphite Sky
02 – It’s Only Light
03 – I Tell Myself
04 – Everything
05 – Motherboard
06 – Crimson Leaves
07 – Wild Grasses
08 – Winter River
09 – Under the Graphite Sky (Poem)

Para saber mais
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Wikipedia

Escute ‘I Tell Myself’

CINEMA: Ataúde Branco, O Jogo Diabólico (Ataúd Blanco, El Juego Diabólico – 2016)

Nota: 6,0

Filme argentino do diretor Daniel de la Vega traz uma viagem sombria em que uma mãe desesperada tenta resgatar sua filha sequestrada por um caminhoneiro.

O cinema argentino sempre me chamou a atenção. Que o diga filmes como ‘Nove Rainhas’ (2000) e ‘O Segredo Dos Seus Olhos’ (2009). Contudo, estava em débito em relação ao gênero terror que é feito no país. ‘Ataúd Blanco’, foi a deixa e a brecha, fui na curiosidade sem ao menos conhecer os trabalhos anteriores do diretor (apesar disso não ser tão importante na minha procura por algum filme).

O filme mostra uma mulher (Virgínia) em viagem com sua filha (Rebeca) por uma estrada deserta. Então, nos primeiros minutos, há toda uma carga de Road Movie, que logo em seguida será quebrada por uma cena de ação/suspense. Rebeca é sequestrada e Virgínia sai ao seu encalço, entrando num jogo perturbado e sinistro. A partir daí, Virgínia entra numa jornada sombria com direito a ocultismo, esquisitices, pessoas misteriosas e passados chegando à tona (inclusive a verdadeira intenção da nossa protagonista em relação à sua filha nos é depois revelada*).

A película é curta (70 minutos somando os créditos finais), talvez seja até no tempo certo. Dentro desse tempo, Daniel usou de vários artifícios para prender o espectador, apesar do tom mediano/irregular do produto final. O tom esmaecido/pálido, a paisagem desértica, alguns trechos claustrofóbicos, perseguições, o dilema entre o que pode ser real ou sobrenatural e sobra até para um momento mais gore, o que nos faz pensar na produção crua do filme, até mesmo feita de propósito.

O filme tem força em dois momentos, especialmente. O início e o final. O início por conta de trazer duas personagens que nos cativam para seguir adiante e o final por chegar de forma impactante, crua e pesada. O roteiro também carrega certa eficácia/originalidade: sabemos que se trata de um sequestro, mas não sabemos como isso vai parar e a trama toma um rumo diferente em relação a outros filmes com pessoas sequestradas em estradas. Claro que ele peca em estética e produção, colocando algo de 2016 aquém das produções de terror de países como EUA e Inglaterra. Outro fator importante é que o diretor, sob forma de metáfora, parece querer questionar a importância da maternidade e a infância, como se mostrasse um outro lado delas, diferente do que a sociedade costuma julgar e pensar.

Observação: cortei alguns trechos da minha resenha para não entregar spoilers. Claro que por conta disso, o texto sobre algum filme nunca fica como gostaríamos. O filme encontra-se no catálogo da Netflix.

Filmow
IMDB
Letterbox
Rotten Tomatoes

SAIU DO FORNO – Gorillaz – Humanz (2017)

O potencial da internet. Youtube. Apelo visual. O imagético. Avanço da computação gráfica. A facilidade para se ouvir a música que vem de fora. Tudo que eu citei aconteceu depois de 2000, e foi justamente no início desse milênio que o Gorillaz usou de tudo isso para subir na mídia. Logo num début, ‘Gorillaz’ de 2001, o grupo alcançou um grande sucesso. Claro que um dos integrantes por trás de tudo é o inquieto Damon Albarn do Blur, que no Gorillaz ganha a forma de um boneco e o pseudônimo de 2-D. E dessa forma vale para os outros integrantes. Mas, o grupo virou um combo, sempre contando com participações especiais das mais variadas e dentro de múltiplos gêneros (Hip Hop, Rap, Electro, Rock, Reggae, Dub, entre outros). Outro aspecto que os tornou bem famosos é exatamente essa linguagem do visual e de canções bem divertidas, mas que não denigrem o gênero ao qual se embrenham. ‘Humanz’ é o quinto trabalho deles e vem pautado em tudo isso que citei. Entretanto, esse é um trabalho longo, não tão fácil de absorver e os menos familiarizados com a mistura de gêneros aqui citados vão odiar de início. Apesar da voz de 2-D (Albarn) ficar ainda em foco (‘Busted And Blue’, ‘Andromeda’ e ‘She’s My Collar’), houve uma preocupação aqui em abrir mais espaços para os músicos participantes, que são muitos e bem variados (indo de Grace Jones e chegando até De La Soul).

FAIXAS:
01. Intro: I Switched My Robot Off
02. Ascension (feat. Vince Staples)
03. Strobelite (feat. Peven Everett)
04. Saturnz Barz (feat. Popcaan)
05. Momentz (feat. De La Soul)
06. Interlude: The Non-Conformist Oath
07. Submission (feat. Danny Brown & Kelela)
08. Charger (feat. Grace Jones)
09. Interlude: Elevator Going Up
10. Andromeda (feat. D.R.A.M.)
11. Busted and Blue
12. Interlude: Talk Radio
13. Carnival (feat. Anthony Hamilton)
14. Let Me Out (feat. Mavis Staples & Pusha T)
15. Interlude: Penthouse
16. Sex Murder Party (feat. Jamie Principle and Zebra Katz)
17. She’s My Collar (feat. Kali Uchis)
18. Interlude: The Elephant
19. Halleujah Money (feat. Benjamin Clementine)
20. We Got the Power (feat. Jehnny Beth)

Deluxe Edition:
21. Interlude: New World
22. The Apprentice (feat. Rag‘n’Bone Man, Zebra Katz & RAY BLK)
23. Halfway To The Halfway House (feat. Peven Everett)
24. Out Of Body (feat. Kilo Kish, Zebra Katz & Imani Vonshà)
25. Ticker Tape (feat. Carly Simon & Kali Uchis)
26. Circle Of Friendz (feat. Brandon Markell Holmes)

Mais sobre o grupo:
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Instagram
Site oficial
Soundcloud
Twitter

Veja o vídeo oficial da canção ‘Saturnz Barz’

DÊ UMA CHANCE – For Against – Shade Side Sunny Side (2008)

O For Against é uma banda americana (Nebraska) que atua desde 1985. Oito discos de estúdio, o último data de 2009, ‘Never Been’. Oito anos depois, não deram mais notícias e tudo indica um término da banda. Apesar disso, o For Against não é tão conhecido assim e passou mais de duas décadas um tanto quanto no anonimato. Claro que a sonoridade do grupo fincada no 80’s assim permaneceu na discografia, e é dessa forma que ‘Shade Side Sunny Side’ de 2008 se processa. O clima de pós-punk também paira nas faixas do disco.

Fazendo um som característico da época, não espere por ousadias e por uma nova sensação musical. Até mesmo, a banda se sustenta em elementos básicos para compor suas melodias: baixo, guitarra e bateria. Não há firulas eletrônicas, muito menos sopros e momentos regados por orquestração pomposa. Mesmo assim, o grupo consegue elaborar composições onde a calmaria e a agressividade conseguem andar lado a lado, melhor, estados antagônicos que convivem a todo instante enganando o ouvinte. Ouça ‘Glamour’.

Batidas pacíficas, a voz de Jeffrey Runnings – que também é baixista – sobre um piano bem modesto no início de ‘Game Over’. No final, a explosão dos instrumentos nos deixa com vertigem. Efeitos sobre efeitos de guitarra conduzem o ouvinte para um caos do qual ele não vai querer sair. ‘Spirit Lake’ é uma canção melódica até o talo, onde o guitarrista Henry Digman III com seus dedilhados e o baixista Runnings parecem duelar, e que quem sai ganhando somos nós, atentos ouvintes. Entretanto, o baterista Nick Butler tem também seus méritos e mostra um instrumento eficaz e primoroso em ‘Quiet Please’. E não deixem de ouvir a docilidade pop-rock-cara-de-hit de ‘Why Are You So Angry’.

E se você sentir cheiro de bandas da gravadora Factory, não se preocupe. Tanto que ‘Friendly Fires’ é cover de uma das bandas do catálogo da gravadora, a Section 25. A música original encontra-se no álbum de 1981, ‘Always Now’. Na versão bem realizada do For Against, a música ganha o dobro da duração, assume um tom mais épico, é menos obscura e soa menos xerox do Joy Division, além de mudar em variados momentos. As linhas soberbas de baixo junto a guitarras com efeitos nos extasiam. Sem vergonha de assumir, o grupo também lembra um Stone Roses em seus melhores momentos. A incisiva e ligeira ‘Underestimate’ faz jus a tal acepção.

Allmusic
Myspace
Wikipedia

Escute uma das minhas preferidas, ‘Glamour’

LISTA DE 7: 7 Aberturas Fantásticas de Músicas

Claro que música não deve conquistar apenas com sua abertura. Ela deve ser um todo. Ritmo, melodia, acordes, refrões, tudo precisa estar em sintonia e deixar o ouvinte em estado de arrebatamento. Mas, tomo como exemplo eu mesmo, por muitas vezes são os segundos iniciais de uma canção que traz à mente algum disco esquecido, algum momento de minha vida ou mesmo o meu ímpeto para começar algum texto falando sobre a própria música. Deixo aqui 7 exemplos, mas as escolhas seriam inúmeras, milhares, difíceis até de colocá-las aqui. Vale lembrar que as canções não seguem uma ordem de preferência.

1 – ATÉ QUANDO ESPERAR – Plebe Rude
Numa época em que o acesso à música não era tão fácil assim, uma abertura matadora talvez tivesse importância total. Mas aqui, no caso da subversiva Plebe Rude, o lance foi começar com instrumentos raivosos, inclusive com direito a violinos, numa canção que era punk puro, que trazia uma letra até hoje atual. Tudo combinando, a canção é uma das referências até hoje quando se fala do Rock BR 80’s.

2 – EVERYDAY IS LIKE SUNDAY – Morrissey
Li em algum lugar, não lembro agora se foi na revista Bizz, que essa era uma das melhores aberturas de canções já feitas. Temos que concordar. Algo que combina com a música em forma de um todo, do começo ao fim. Também pudera, a canção faz parte do ‘Viva Hate’ (1988), um álbum com outras grandes faixas e que teve a participação do mestre Viny Reilly (Durutti Column).

3 – MIDNIGHT IN A PERFECT WORLD – Dj Shadow
Li e pesquisei muito pouco sobre Dj Shadow. Talvez numa época em que estava distraído em minhas próprias obrigações. Mas esse disco é obrigatório ter, e essa canção tem tanta coisa, essa abertura é a culpada de começar um abalo em nosso espírito e de não querer parar mais. Detalhe: com um belo título também.

4 – SO YOUNG – Suede (imagem da matéria)
Para quem ouve a banda pela primeira vez, ‘So Young’ é o cartão de visitas certeiro. E já nos primeiros segundos, entram em cena dois trunfos que fizeram o Suede ter seu merecido sucesso: a voz de Brett Anderson e a guitarra de Bernard Butler. Mesmo que a banda não tenha seguido uma carreira perfeita, a respeitem por grandes canções como essa.

5 – THAT SUMMER, AT HOME I HAD BECOME THE INVISIBLE BOY – The Twilight Sad
Um início que sequer faz a gente suspeitar como será a música, que a bem da verdade, vai se tornando cada vez mais dilacerante. Aliás, a banda é mestre em criar aberturas cativantes ao longo de seus discos.

6 – THIS IS HARDCORE – Pulp
Pena que essa canção esteja num disco da banda muito pouco comentado. Mas aqui temos um Pulp mais maduro e casando perfeitamente com uma outra arte, o cinema. Para muitos, claro, talvez não ver o vídeo possa não causar tanto impacto para a música. Que nada. Desde a abertura que conquista, a banda acerta mais uma vez.

7 – VAGABONDS – New Model Army
Para um disco todo bonito e considerado como um dos melhores da banda, seria normal ter alguma canção com abertura eficaz. E assim como ‘Até Quando Esperar’ da Plebe Rude, são violinos que abrem espaço para o grito de Sullivan e para uma das canções mais bonitas até hoje, sem esquecer das letras engajadas e do espírito punk.

Outras aberturas dignas de menção:
ANA – Pixies
BIZARRE LOVE TRIANGLE – New Order
ENJOY THE SILENCE – Depeche Mode
GOD ONLY KNOWS – The Beach Boys
LONDON CALLING – The Clash
PEGUE ESSA ARMA – Ira!
UNIVERSAL – Blur

Leitor, sua participação é importante. Comente, dê dicas sobre algumas aberturas de canções, opine, avalie ou até mesmo critique. Obrigado.

OU NÃO: Tashaki Miyaki

Trio de Los Angeles faz uma sonoridade com muitas influências do passado e tendo como ponto forte os vocais de Lucy e as guitarras bem marcantes. Lançam agora em 2017 o álbum ‘The Dream’ e tentam ocupar um lugar no cenário musical.

O trio tem um pouco de Best Coast, de Mazzy Star e até mesmo de Jesus And Mary Chain. Citando os irmãos Reid, alguns críticos já disseram que o Tashaki Miyaki é como fosse um JAMC feminino. O nome veio como uma brincadeira e homenagem em torno do diretor japonês Tashaki Miike. Os dois principais integrantes não falam muito sobre seus nomes, são conhecidos apenas por Lucy e Rocky. Eles são fãs de Miike e citam ’13 Assassins’ (2010) e ‘Ishi The Killer’ (2001) como os filmes favoritos do diretor. O mais interessante aqui é que pela intensidade atingida pelas guitarras em ‘Somethin Is Better Than Nothin’, o ouvinte classificaria logo o grupo como mais um filho do shoegazer. Entretanto, outros gêneros podem ser percebidos no disco. Dream-pop, Psicodelia, Garage, Chamber Pop e nem o Folk-rock fica de fora (‘Out Of My Head’ e ‘Keep Me In Mind’). Isso tudo deixa no ouvinte um espaço para que ele mesmo decifre, julgue ao longo de diversas audições o mérito da obra. Isso pode ser bem valorizado hoje em dia.

Faixas do álbum:
01. L.A.P.D. Prelude
02. City
03. Girls On T.V.
04. Out Of My Head
05. Anyone But You
06. Cool Runnings
07. Tell Me
08. Facts Of Life
09. Keep Me In Mind
10. Get It Right
11. Somethin Is Better Than Nothin
12. L.A.P.D. Finale
13. L.A.P.D.

Mais informações:
Bandcamp
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Gravadora Metropolis
Twitter

Veja o vídeo oficial de ‘City’

SAIU DO FORNO: Fujiya And Miyagi – Fujiya And Miyagi (2017)

Eles carregam um nome japonês, mas são ingleses (de Brighton). Chegam agora ao sexto trabalho de estúdio. No cenário musical, desde 2000, esse é o Fujiya And Miyagi. Com uma base eletrônica contagiante e de fácil assimilação, trazendo canções com letras pequenas e refrões grudentos, assim o grupo firmou sua carreira. Apesar disso, não costumam ser muito lembrados nesse cenário da música eletrônica. Acontece que se o Fujiya And Miyagi já tinha muita transparência do Krautrock, esse disco novo então é o suprassumo da influência do gênero. Espere ouvir bastante canções que remetem a Can, Neu! e sobretudo ao Kraftwerk (‘Magnesium Flares’, ‘To The Last Beat Of My Heart’ e a soberba ‘Extended Dance Mix’ são incontestáveis exemplos). Praticamente o álbum ganhou um aspecto mais experimental e climático, muito pouco espaço para o eletrônico de refrão memorável e apelo dançante (porém existe ‘Solitaire’). E ainda o grupo arrisca colocar guitarras pesadas em fusão com a eletrônica e funciona bem (‘R.S.I.’). Um trabalho interessante na discografia dos ingleses.

Faixas:
01. Magnesium Flares
02. Serotonin Rushes (Single Version)
03. Solitaire
04. To The Last Beat Of My Heart
05. Extended Dance Mix
06. Outstripping (The Speed Of Light)
07. Swoon
08. Freudian Slips
09. Impossible Objects Of Desire
10. Synthetic Symphonies
11. R.S.I.
12.
Impossible Objects Of Desire (Radio Edit)

Mais sobre o grupo:
Allmusic
Site oficial
Soundcloud
Twitter

Veja o vídeo oficial de ‘Extended Dance Mix’