SAINDO DO FORNO: Philip Selway – Let Me Go (OST), (2017)

Philip Selway é baterista do Radiohead. Lançou dois discos onde conseguiu fugir da sombra de sua banda, revelando em parte sua independência criativa e talentosa fora do quinteto. Dois trabalhos interessantes e que você pode procurar por eles: ‘Familial’ (2010) e ‘Weatherhouse’ (2014). A nova empreitada é a trilha sonora do filme ‘Let Me Go’, da diretora inglesa Polly Steele. Dentro de um conceito OST, Philip segue corretamente a cartilha e constrói paisagens climáticas ou onde há uma beleza e um silêncio próprios para a reflexão do ouvinte (que funcionam melhor depois da justa contemplação do filme). Os detalhes são ricos, tudo é preenchido com violinos, guitarra dedilhada, vibrafone, pianos, glockenspiel e uma discreta eletrônica para completar algumas faixas. Instrumentos que fogem do lugar-comum ao qual o músico está habituado, a bateria. Apenas três faixas possuem vocais, e uma delas, ‘Walk’, ficou radiante na voz feminina de Lou Rhodes, vocalista do Lamb.

Faixas:
01. Helga’s Theme
02. Wide Open
03. Mine
04. Zakopane
05. Walk
06. Snakecharmer
07. Mutti
08. Last Act
09. Let Me Go
10. Days And Nights
11. Don’t Go Now (Elysian Quartet)
12. Let Me Go (Rhodes)
13. Necklace
14. Helga’s Theme (Saw)

Sobre o filme, leia aqui

Sobre o músico
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Uma prévia do álbum, com algumas músicas

JOGOS: Lego Star Wars: The Force Awakens (2016)

Nota: 8,0

Star Wars: The Force Awakens é reverenciado pela franquia de jogos Lego de uma forma fiel ao filme e muito divertida deixando ao jogador uma boa opção de jogo.

Conheci o universo de jogos da Lego jogando ‘Indiana Jones 2 The Adventures Continues’ em 2009. Depois disso, virou um vício curtir os outros jogos, quebrar ou construir blocos, sair à caça de blocos dourados, coletar personagens, fechar as fases com 100%, curtir cenas de filmes famosos tão bem transpostas pra um jogo. O universo Lego é variado: Jurassic World, Marvel, Batman, Hobbit, Senhor dos Anéis, Piratas do Caribe, Harry Potter, só pra citar alguns. Claro que considero que ainda falta 007 e Game Of Thrones na lista da produtora de jogos (quem sabe num futuro próximo).

Depois de uns 15 jogos, posso dizer que Lego não muda. Segue o seu modo básico de jogar. Faça as fases normalmente no modo história, ao longo do avanço do jogo, personagens são desbloqueados (mais de 200 para obter), isso permite você voltar depois no jogo livre e coletar objetos que apenas com alguns personagens e suas habilidades era possível. A busca de tijolos vermelhos e dourados, somando a lista de inúmeros personagens a serem adquiridos também incrementa a jogatina. Entretanto, em The Force Awakens, duas novidades vieram de forma a evoluir bem o jogo. Os blocos que você quebra e usa para construir peças necessárias para o avanço de fases podem ser usadas em mais lugares. Você usa o direcional para construir em outro espaço do ambiente, o que dá direito a lugares secretos ou mesmo na coleta de algum minikit (vitais para quem curte troféus). Ou seja, existe uma maior abrangência das construções fazendo o jogador ter mais percepções e investigar melhor sua jogada. Outra novidade, partindo para o lado da ação, é o uso de covers trazendo dinâmica e estratégia para os tiroteios, recurso que fica nada devendo a grandes jogos que também usam esse sistema tais como Uncharted e Gears Of War.

Outro primor desse jogo é a caracterização correta e fiel dos personagens. Kylo Ren, BB-8, Rey e Finn são belos exemplos. Com a DLC instalada, personagens dos filmes mais antigos também podem ser jogáveis como Boba Fett e Yoda. O mesmo vale para as cenas dos filmes que são bem reais e aqui até ganham toques bem humorados nas cutscenes, causando no jogador a vontade de não cortar as cenas e seguir acompanhando também a história do jogo. Pra completar, dezenas de missões secundárias, corridas e objetivos dos mais variados a serem cumpridos, além das fases bônus que serão destravadas. Um fator replay incrível que dará ao jogador que vasculha tudo umas 25 a 30 horas de jogo. É Lego sempre em plena forma casando cinema com jogo, unindo o jogador novo ou velho num jogo bem feito, divertido e criativo.

A versão avaliada é a de PS3. O jogo também saiu para Xbox One, Xbox 360, PS4 e PC.

Site do jogo
Steam

SAIU DO FORNO: OMD – The Punishment of Luxury (2017)

Orchestral Manoeuvres in the Dark. Ou apenas OMD, como ficou bem conhecido nos 80’s. Liderados por Andy McCluskey, os ingleses seguiram sempre bem lembrados até 1996. Separaram, retornando aos álbuns em 2010. Para muitos, o OMD é um dos pioneiros do Synth-pop, o que em parte tem todo sentido. Criaram diversos hits* e serviram de influência para muitos nomes da eletrônica que estavam começando. ‘The Punishment of Luxury’ é o décimo-terceiro trabalho do grupo que continua com a mesma fórmula, uma sonoridade permeada entre o Synth-pop e a New Wave. Uma das características permanece intacta: a profusão de sintetizadores que conduzem canções que nunca perdem o jeito de hit, exemplo de ‘Isotype’ e ‘Ghost Star’. Uma das maiores influências para os ingleses foi o Kraftwerk. O grupo segue a sonoridade dos alemães, inclusive citando tecnologia, modernidade e a relação homem-máquina (‘Robot Man’ e ‘Art Eats Art’). Há espaço para momentos mais climáticos e experimentais (‘As We Open, So We Close’). ‘La Mitrailleuse’ pode parecer estranha, traz barulhos de metralhadoras, lembra bandas como Laibach e Front 242, entretanto prova que o OMD busca sempre estudar mais a música eletrônica, mesmo que seja no jeito que ficou conhecido há quase 40 anos atrás.

* Canções como Enola Gay, Secret, So In Love, Souvenir, Electricity, entre outras.

Faixas:
01. The Punishment of Luxury
02. Isotype
03. Robot Man
04. What Have We Done
05. Precision & Decay
06. As We Open, So We Close
07. Art Eats Art
08. Kiss Kiss Kiss Bang Bang Bang
09. One More Time
10. La Mitrailleuse
11. Ghost Star
12. The View From Here

Para saber mais
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O vídeo de ‘La Mitrailleuse’

SAIU DO FORNO: FRANKIE ROSE – CAGE TROPICAL (2017)

Alguns artistas são incansáveis. A cantora Frankie Rose já foi integrante de bandas como Crystal Stilts, Dum Dum Girls e Vivian Girls. Não bastasse isso, também faz composições para cinema e TV. Essa inquietude igualmente se reflete em seu quarto trabalho, ‘Cage Tropical’. Além de fincar um pé na sonoridade atual, em parte condensada pelas bandas que atuou como integrante (já citadas acima), Frankie também faz um estudo da música em praticamente 3 décadas. Muitas influências e referências são tratadas aqui. ‘Love In Rockets’ carrega nos 80’s/90’s ao trazer o clima etéreo de um Cocteau Twins, enquanto o rock engajado com boa presença de sintetizadores de ‘Trouble’ parece algo vindo do Blondie final dos 70’s. A faixa ‘Cage Tropical’ tem o gosto de um pop ensolarado e de se cantar junto que o Bananarama fez tão bem na década oitentista.

FAIXAS:
01 – Love In Rockets
02 – Dyson Sphere
03 – Trouble
04 – Art Bell
05 – Dancing Down The Hall
06 – Cage Tropical
07 – Game To Play
08 – Red Museum
09 – Epic Slack
10 – Decontrol

Mais sobre a cantora:
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O vídeo oficial de ‘Red Museum’

Grizzly Bear – Painted Ruins (2017)

Nota: 8,5

Edward Droste e companhia voltam a criar um compêndio de canções interessantes sustentadas por arranjos primorosos dentro de um padrão indie-rock consistente e convincente.

O Grizzly Bear, após cinco discos de estúdio, já criou sua identidade e serve como referência para várias bandas que estão começando. Apesar disso, há sempre uma diferença nos trabalhos do grupo. Mesmo dentro de um padrão de elaboração, cada disco traz sua característica e pode causar no ouvinte inúmeras percepções, sentimentos, julgamentos. Pode soar mais intrincado ou mais acessível, pode ser mais barulhento ou mesmo mais melancólico. Fato certo é que todo álbum dos americanos precisa de inúmeras explorações e nada funciona numa primeira audição e sem a devida atenção. Isso é mérito hoje em dia, apesar de muitos optarem pela velocidade em assimilar algo, só para fazer uma pseudo afirmação de que entendeu aquela forma de arte.

Para ‘Painted Ruins’, vale tudo o que foi citado acima. Esse é outro trabalho do quarteto que precisa ser descoberto, e a cada faixa, um pouco do que o Grizzly Bear tem feito, fragmentos estilhaçados dos álbuns anteriores. Tanto que é errôneo dizer que esse disco está melhor ou pior que a anterior, ‘Shields’ (2012). Cinco anos de diferença. Como pode ser notado, o grupo não tem pressa em lançar algo. Não é por menos, as onze faixas completam um repertório que acaba funcionando igualmente, nada sobra, nada falta. É uma seleção de composições que carregam o cuidado nas construções harmônicas que Droste e companhia lapidam desde o début.

Pontuado por várias gerações, fases da música e claro, pela própria história do grupo, o novo álbum também é um recorte bem planejado e interessante para quem acompanha essa arte. Considero o quarteto como uma das bandas mais influenciadas por The Beatles, muito visível os traços da sonoridade Beatleriana em ‘Losing All Sense’. ‘Aquarian’ nos transporta para o rock psicodélico 70’s ajustado corretamente pros dias atuais, ‘Three Rings’ é uma canção que se encaixaria corretamente num trabalho marcante como ‘Kid A’ do Radiohead. Sim, isso mesmo. ‘Mourning Sound’ continua perpetuando o jeito Grizzly Bear de se criar uma música grudenta e radiofônica (como já haviam feito perfeitamente com os singles ‘Two Weeks’ e ‘Yet Again’).

Desde o primeiro disco (lá em 2004) até ‘Painted Ruins’, o Grizzly Bear vai mantendo o equilíbrio sem perder a qualidade, o esmero e a criatividade artística. Muitas bandas não conseguiram e acabaram caindo ou no limbo ou caminhando para um terreno perigoso. A turma de Droste não, continua num estado de aprimoramento e prefere seguir no seu jeito, na sua proposta, num percurso de valorizar a música e seus recursos: letras, arranjos, melodia, ritmo, acordes, criação e a boa recepção do ouvinte.

Saiba mais:
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O vídeo de ‘Neighbors’

LISTA DE 7: 7 filmes com carros

Vejo o trailer de ‘Velozes e Furiosos 8’, apesar da franquia não me interessar, e fico pensando como carro é uma constante nas telas do cinema. Muitas vezes ele rouba a cena, pode aparecer até mais do que o personagem humano. Em vários filmes, ele foi um vilão. Ou mesmo pode ser o companheiro inseparável do personagem. Vou citar 7 filmes marcantes aqui onde o carro foi peça importante para a trama do filme (a lista está por ordem cronológica)


01 – Deu a Louca no Mundo (‘It’s A Mad, Mad, Mad, Mad World’, 1963)
Não me interesso tanto por comédias, mas essa é genial, a começar pela ideia. Uma pessoa sofre um acidente e perto de morrer passa as dicas de um tesouro para um grupo de pessoas, causando assim uma perseguição envolvendo carros e muita confusão. Mesmo que o filme despenque em certo momento para a comédia pastelão, o resultado final agrada tanto adultos quanto as crianças. Além de nos faz resgatar outra pérola da televisão, o desenho ‘Corrida Maluca’ da Hanna Barbera.


02 – Bullit (‘Bullit’, 1968)
O filme que com certeza todo cinéfilo deve ter assistido. Ou então, que deveria assistir. Em parte, ‘Bullit’ foi um dos maiores influenciadores para os filmes atuais de ação. Muita perseguição e tudo bem feito numa época em que tecnologia no cinema era um sonho distante. Até hoje a cena nas ladeiras de San Francisco é antológica e lembrada por muitos espectadores.


03 – Encurralado (‘Duel’, 1971)
Um humilde vendedor de eletrodomésticos com uma missão, a princípio simples: atravessar um deserto para realizar uma venda. Mas, ao longo da viagem, um caminhão-tanque vai tirar seu sossego. Tensão, surpresas e desespero num filme que não nos deixa respirar em cada frame. O interessante é que a produção é de Steven Spielberg (ainda nem tão famoso) e praticamente teve um modesto orçamento.

04 – Carros Usados (‘Used Cars’, 1980 – foto da matéria)
Filme um pouco esquecido pela plateia brasileira, mas que traz uma comédia bem feita e com uma proposta até original: dois donos de lojas de carros usados fazem de tudo para conquistar seus clientes. Espere por muitas reviravoltas, cenas memoráveis e um final soberbo e criativo. Vale ressaltar a presença de Kurt Russell, ainda bem desconhecido no cinema.


05 – Christine, O Carro Assassino (‘Christine’, 1983)
Neste caso, até recomendo ler o livro de Stephen King. Contudo, o filme de John Carpenter faz bonito também e entrega um suspense/terror até hoje citado entre os fãs desses gêneros. O filme consegue captar firmemente o quanto um bem de consumo pode influenciar/manipular o seu dono. Mais do que tudo, é interessante ver um pouco da personificação humana num objeto como um carro.


06 – Carros (‘Cars’, 2006)
Se nos anos 80 tínhamos bons desenhos tendo carros/veículos como personagens (a exemplo de ‘Carangas e Motocas’), na década passada a Pixar fez uma animação de sucesso típica do estúdio, muito bem produzida e com um roteiro seguro. Difícil não se emocionar ali com personagens como Relâmpago McQueen, Luigi e Mate. O interessante é como a produtora consegue unir personalidades humanas de forma correta aos estilos dos carros.


07 – Mad Max: A Estrada da Fúria (‘Mad Max: Fury Road’, 2015)
Antes de tudo, poderia colocar aqui qualquer um dos filmes da trilogia que consagrou Mad Max como um dos filmes mais interessantes da história do cinema. Claro que alguns torcem a cara pra ‘Mad Max: Além da Cúpula do Trovão’, talvez a exceção da trilogia. Coloco esse Mad Max repaginado porque sem dúvidas, é uma própria referência do que o cinema tem pra oferecer e do que criou nestes tempos onde o visual impera: muito mais que um blockbuster, é não deixar uma franquia acabar ou então ficar pior. George Miller joga toda sua energia produtiva na ação que o filme contém, muitos dirão que esse Mad Max é quase como se tivéssemos vendo um jogo de videogame estilo ‘Twisted Metal’, mas não importa. Os temas estão ali, mesmo nessa roupagem moderna e contemplativa ao extremo: um futuro com falta de combustível, tirania, solidão, a desvalorização do humano, a máquina como um símbolo de dominação e status.

Outros filmes dignos de menção:
Louca Escapada (‘The Sugarland Express’, 1974)
Corrida da Morte Ano 2000 (‘Death Race 2000’, 1975)
Taxi Driver – Motorista de Táxi (‘Taxi Driver’, 1976)
O Carro, A Máquina do Diabo (‘The Car’, 1977)
Aparição (‘The Wraith’, 1986)
60 Segundos (‘Gone In 60 Seconds’, 2000)
Rush – No Limite da Emoção (‘Rush’, 2013)

Leitor, sua participação é importante. Comente, dê dicas sobre alguns filmes em que carros foram bem focalizados na trama.

SAINDO DO FORNO – UNKLE – The Road: Part 1 (2017)

‘Psyence Fiction’ (1998) é um disco que apesar de pouca divulgação, não deixa de ser um dos trabalhos mais interessantes na música até hoje. Unindo gêneros como rock, noise, jazz e eletrônico, contando com várias participações como Richard Ashcroft e Elliot Smith, o trabalho não pode passar despercebido. Fruto de um produtor musical chamado James Lavelle que resolveu, sobre o nome de UNKLE, realizar esse projeto. Assim vieram mais produções, talvez não com o mesmo peso e impacto. ‘The Road: Part 1’ é o quinto álbum do UNKLE, 7 anos após ‘Where Did The Night Fall’. Realmente é necessário ressaltar a diversidade sonora do álbum que pega a verve roqueira de ‘No Where To Run/Bandits’ com guitarra e cozinha poderosas, mas que também carrega no eletrônico à la Massive Attack de ‘Arms Lenght’. Outras faixas merecem destaque pela mudança que apresentam. Exemplo é ‘Sonata’ que começa com um clima Ambient, apenas piano e voz, para depois subir de cadência com batidas marcantes. ‘The Road’ resvala na psicodelia, enquanto ‘Looking For The Rain’ traz o notório Mark Lanegan com seu vozeirão certificando que esse é um disco multifacetado e bem eficaz para os ouvintes mais pacientes e exigentes.

FAIXAS:
01. Iter I: Have You Looked At Yourself
02. Farewell (feat. YSÉE, ESKA, Elliott Power, Keaton Henson, Liela Moss, Mïnk, Dhani Harrison, and Steven Young)
03. Looking For the Rain (feat. Mark Lanegan and ESKA)
04. Cowboys Or Indians (feat. Elliott Power, Mïnk, and YSÉE)
05. Iter II: How Do You Feel
06. Nowhere to Run/Bandits
07. Iter III: Keep On Runnin
08. Stole Enough (feat. Mïnk)
09. Arms Length (feat. Elliott Power, Mïnk and Callum Finn)
10. Iter IV: We Are Stardust
11. Sonata (feat. Keaton Henson)
12. The Road (feat. ESKA)
13. Iter V: Friend Or Foe
14. Sunrise (Always Come Around) (feat. Liela Moss)
15. Sick Lullaby (feat. Keaton Henson)

Conheça mais o UNKLE:
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Vídeo oficial da canção ‘Cowboys Or Indians’

Toro Y Moi – Boo Boo (2017)

Nota: 6,5

Apesar de ainda não ser um disco ideal, ‘Boo Boo’ reflete as mudanças tanto pessoais como sonoras de um dos grandes nomes surgidos e edificados da era Chillwave.

Caso possamos dizer que algum gênero musical teve sua efervescência, então é correto afirmar que a Chillwave teve seu momento especial entre o final da década de 2000 chegando até 2012/2013. Nomes como Washed Out, Neon Indian, Slow Magic e Porcelain Raft foram grandes expoentes que surgiram e lançaram discos importantes colocando o gênero em evidência. Toro Y Moi também pode ser destacado. O músico por trás do projeto é Chazwick Bradley Bundick, ou melhor, Chaz Bear (mudança de nome antes do lançamento do álbum). ‘Underneath The Pine’(2011) foi um grande álbum do músico dentro das características do gênero, um trabalho que o colocou como fundamental para a Chillwave, então na época com apenas 25 anos.

Os álbuns posteriores ‘Anything In Return’ (2013) e ‘What For’ (2015) apontavam novas direções para o Toro Y Moi. Alguns torceram o nariz por conta da fuga daquele cenário chillwave, outros viram como um músico ganhando experiência e explorando novos horizontes. Ainda que brevemente com um pé no gênero que o consagrou, contudo o disco tinha seus momentos com rhythm’and’blues, soul music e funk. Em ‘Boo Boo’, o artista assume uma identidade que se equipara com suas influências que englobam Daft Punk, Prince, Drake e Frank Ocean. Essa é também uma produção musical que vem acompanhada de um momento de reflexão de Bear, as melodias e as letras tomaram forma após um fim de relacionamento amoroso do músico e também mudança de cidade.

Não deixa de ser mais um trabalho diferente e que reflete outro momento do Toro Y Moi, contudo, o quinto disco de sua carreira não funciona corretamente e algumas canções ficam dispersas no repertório. ‘Windows’ e ‘Inside My Head’ tentam se valer inutilmente do excesso de efeitos vocais, trazem um instrumental insosso e destoam da criatividade do artista, que por sua vez, aflora em faixas como ‘No Show’ e ‘Don’t Try’ que reluzem com uma base eletrônica competente mesmo diante de um clima melancólico. Os mais nostálgicos também não deverão reclamar de ‘Mona Lisa’ e ‘Labyrinth’ que estão carregadas no clima 80’s, outra referência do Toro Y Moi.

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O video de ‘You And I’

Dê Uma Chance – The Phantom Band – Checkmate Savage (2009)

Sempre fico instigado e intrigado com algo que parece lembrar quase tudo, mas que na verdade, não quer representar absolutamente nada de concreto. Foi por essa razão, que desde o final de 2008, passei a escutar o primeiro disco que faria parte do meu longo caminho sonoro de 2009. Naquela época, um ano bem prolífico na música com bons lançamentos de discos. Atravessando uma fronteira de indefinições, os escoceses do The Phantom Band armam uma obra bem confeccionada e que acaba atirando para todos os lados – tal qual uma metralhadora com munição infinita. Infelizmente, o TPB é uma daquelas bandas que surgem repentinamente e conquistam logo no début, porém não costumam manter a tradição e a regularidade entre seus álbuns.

‘Checkmate Savage’ é, obrigatoriamente, o trabalho que precisa ser conhecido da banda. O disco com poucas faixas, entretanto que ostenta um bom tempo de gratas surpresas: mais de 50 minutos com canções que tem em torno de 4 a 8 minutos. O grupo casa o aparato eletrônico com o velho formato pop-rock para compor um arrasa-quarteirão como em ‘The Howling’. ‘Burial Sounds’ mostra que são capazes de hipnotizar o ouvinte cometendo bizarrices sonoras com vozes estranhas, bateria vertiginosa, baixo pulsante e efeitos de guitarra. Ao contrário do que o título sugere, ‘Folk Song Oblivion’ não é uma canção folk, longe disso, é uma música que representa o melhor da herança do pós-punk ou do rock fase 80’s. Destaque para os riffs grudentos das guitarras. Em algumas vezes, os escoceses se embrenham apenas no instrumental, porém, a quilométrica ‘Crocodile’ está longe de ser enfadonha pelas nuances que vai apresentando, isso até os minutos finais onde ocorre a explosão de guitarras frenéticas.

Com sonoridade pop-rock radiofônico, a dobradinha ‘Halfhound’ e ‘Left Wand Wave’ compõem os melhores momentos do álbum e talvez aquilo que poderíamos chamar de o ‘cartão de visitas’ da banda. Se você for apresentar a algum amigo o grupo, essas duas composições constituem-se numa proposta ideal. Agora sim, ‘Island’ é o trecho pop-folk do disco. Sobre um arranjo simples, pacífico e com belos dedilhados de cordas, contudo, que não deixa de comprovar a versatilidade sonora dos ‘fantasmas’. ‘The Whole Is On My Side’ fecha o disco com um louvor: segurar o ouvinte até os segundos finais, sem obrigá-lo a saltar faixas e até pedindo por mais.

Numa ‘quase-espécie’ de compêndio musical, passando por Neu!, Simple Minds, Gang Of Four, Violent Femmes, grupos atuais, os escoceses deixaram meus ouvidos colados ao player por muito tempo, e conseguiram conter meu dedo de não apertar as teclas ‘Stop’ ou ‘Fast-Forward’.

Mais sobre a banda:
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Escute ‘The Howling’

OU NÃO: Au.Ra

Duo australiano chega ao segundo trabalho. Será que eles provam que tem méritos para ir adiante e alcançar um público maior, assim como ter um maior reconhecimento?

Tom Crandles e Tim Jenkins, dois exploradores da música. A partir de 2011, usando apenas uma bateria eletrônica e uma guitarra, começaram a dar sustento para algumas experimentações sonoras. Em 2015, chegou o début intitulado ‘Jane’s Lament’, o duo passou a usar o nome de Au.Ra. Os músicos não sentem vergonha de mostrar que beberam bastante da fonte 80’s/90’s, bem como estão antenados com a época atual. Logo, espere por um disco multifacetado. Por vezes existe a verve roqueira como em ‘Applause’ e ‘Black Hole’, em outras ocasiões é fácil observar que a dupla foi para o eletrônico mais centrado no synth-pop como é notado em ‘I Feel You’ e ‘Blue Chip’. Sobra até espaço para um folk psicodélico bem organizado em ‘Above The Triangle (II)’. Dream-pop e Shoegaze são outros gêneros que podem definir bem a sonoridade construída da dupla, sobretudo em faixas com muitos efeitos, reverbs, guitarras dedilhadas e sintetizadores (‘Pulse’).

Faixas do álbum:
01. Applause
02. I Feel You
03. Pulse
04. Blue Chip
05. Nowhere
06. Above the Triangle
07. Above the Triangle (II)
08. Black Hole
09. Set the Scene
10. Dreamwork

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Ouça ‘Set The Scene’

SAINDO DO FORNO: She Sir – Rival Island (2017)

Ao escutar bandas como She Sir sempre me passa pela cabeça vários momentos de minha vida, ou então, sou lançado para várias épocas. Os americanos conseguem juntar ao menos três décadas de música. Poderiam estar entre o rol dos novos grupos que seguem a cartilha do dream-pop/shoegaze, são influenciados também pelos arranjos 60’s de um The Beach Boys e ainda parecem que beberam bem do Fletwood Mac fase 80’s. Por exemplo, ‘Pheromondo (Babysitter’s Back)’ com um pop-rock elegante carregado de sutis sopros poderia ser algo lá do Fletwood (cairia bem na voz de Stevie Nicks, mas aqui o vocalista Russell Karloff também faz jus). O instrumental também é importante na concepção do álbum, tudo bem equilibrado. Sopros e uma bateria marcante preenchem corretamente a beleza de ‘Noon Inspirits’, por sua vez ‘Mirror, No (We’re The Same)’ que dar ênfase maior nas guitarras. O shoegaze é mais visível na cativante ‘‘Dark Glass Tomb’. Ao longo do disco, outras influências serão notadas: Felt, Pylon, Engineers, Ride, The Pains Of Being Pure At Heart. Pontos para a banda que causa no ouvinte o poder de se sensibilizar com o que pode trazer cada umas das 10 faixas de ‘Rival Island’.

Faixas:
01. Private Party
02. Manila Mint
03. Noon Inspirits
04. DBS
05. Quinine Courts
06. Diamond Churn
07. Pheromondo (Babysitter’s Back)
08. Corporealoro
09. Dark Glass Tomb
10. Mirror, No (We’re The Same)

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Ouça ‘Private Party’

Flotation Toy Warning – The Machine That Made Us (2017)

Nota: 9,0

Londrinos retornam depois de 12 anos com mais um trabalho interligado em vários gêneros e com um universo sonoro rico e pronto para ser explorado.

Durante o início da semana, quando recebi a informação de um novo disco do Flotation Toy Warning, a primeira reação, por incrível que pareça, foi de mandar mensagem para todos os meus amigos que, então, há 12 anos, me alertaram sobre um disco chamado ‘Bluffer’s Guide To The Flight Deck’. Sim, isso mesmo. O primeiro trabalho dos londrinos que até hoje considero disco de cabeceira. Os ingleses nunca fizeram estardalhaço, não são comentados em sites e blogs de música, sequer vi alguma entrevista com eles até hoje, muito menos vi alguém dizendo de algum show deles. Então, não tanto pelo tempo de espera por um novo álbum, mas a verdade nua e crua é que bandas como Flotation Toy Warning não podem acabar tão prematuramente, sempre revelam que há muito por mostrar, mesmo num porto seguro longe dos holofotes.

Para os mais desavisados e os mais apressados, FTW pode parecer um cruzamento (que funciona) entre Mercury Rev e Flaming Lips. Em ‘The Machine That Made Us’ a banda até parece um The Divine Comedy da época do ‘Regeneration’ (2001) quando ouvimos a linda ‘A Season Underground’. Entretanto, pare qualquer comparação a partir de agora. O Flotation tem sua identidade, praticamente construída em dois álbuns. Para quem teve o prazer de 12 anos atrás, o Flotation continua sendo o mesmo, novamente contando suas histórias sobre bases sonoras épicas, climáticas e apoteóticas. Eu cheguei a colocar a primeira faixa com medo, não queria que o grupo tivesse feito algo aquém do trabalho anterior. Não fizeram. O modus operandi é o mesmo, o resultado é eficaz, entretanto esse processo não é simples, a fusão entre gêneros é ampla: folk, chamber pop, space rock, neo-psicodelia, dream pop, experimental. A base sonora é também arquitetada em elementos de orquestra, porém bem casados num pop-rock que poderia muito bem estar em qualquer lista de melhores do ano (‘Due To Adverse Weather Conditions, All Of My Heroes Have Surrended’).

‘The Machine That Made’ é um disco complexo, porém nunca desanimador. Longo, contudo nada monótono. Oferece ao ouvinte peças de um quebra-cabeça que ele sentirá bem em montar e logo depois contemplar. A música do Flotation Toy Warning cita muitos exploradores e viajantes, pessoas em busca de aventuras. É tema constante nas letras dos ingleses. Assim talvez seja a banda, explorando sua sonoridade, expandindo horizontes, desbravando caminhos. Para o ouvinte fica o convite para que ele participe, não fique parado. O final da jornada será recompensador.

A resenha do disco de 2005, clique aqui

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Escute ‘Everything That Is Difficult Will Come To An End’

SAIU DO FORNO: Sea Pinks – Watercourse (2017)

Um pouco mais de um ano e os irlandeses (de Belfast) do Sea Pinks chegam ao seu terceiro trabalho. ‘Soft Days’ havia saído em 2016 e revelado um pouco mais da banda ao mundo. ‘Watercourse’ segue a mesma cartilha: refrões grudentos, indie-rock ensolarado, herança 80’s/90’s e do pós-punk também, guitarras dedilhadas e sempre marcantes, baixo e bateria fazendo sua função corretamente. Disco com um pouco mais de 30 minutos, direto, sem inovações, porém com muita energia por parte do trio. O peso de ‘Playin’ For Pride’, a nostalgia que impregna ‘Into Nowhere’ e o dedilhado que conduz a contagiante e adocicada ‘Shock Of The New’. Esse é o Sea Pinks seguindo adiante e deixando transparecer que ainda há muito por vir.

Faixas:
01 – Watercourse
02 – Places She Goes
03 – Into Nowhere
04 – I Don’t Know What I Would Do
05 – Gonalong
06 – How Long Must I Be Denied?
07 – Playin’ for Pride
08 – Shock of the New
09 – Water Spirit
10 – Pining Away

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‘Into Nowhere’, uma das melhores faixas do álbum

GUIA DAS SÉRIES: The Leftovers

A partir de um mistério acerca da partida repentina de algumas pessoas, série americana cria um universo narrativo rico em episódios fantásticos onde a condição humana é colocada em foco.

Emissora (EUA): HBO
Temporadas: 3 (série já finalizada)
Episódios totais: 28 (cada um com um tempo entre 50 a 60 minutos aproximadamente)
Criadores da série: Tom Perrotta e Damon Lindelof
Temáticas: mistério, loucura, religião, perdas, sociedade, relacionamentos, família, condição humana

Damon Lindelof, um dos criadores de LOST, parece gostar de mistério. Foi dessa forma que LOST foi conduzida até seus minutos finais, sendo considerada como uma série do ‘ame ou odeie’ por conta do desfecho. Enigmas sobre enigmas, números premiados, escotilhas, fumaça mortal, ilha, tripulação de um avião caído (e o espectador com o cérebro em redemoinhos). O Lindelof dessa década continua da mesma forma, mas enquanto a série antiga nos entregava inúmeros mistérios, ‘The Leftovers’ tem um único que rege a trama: o desaparecimento de 2% da população da Terra, evento esse chamado de ‘Partida Repentina’.

‘The Leftovers’ tem esse mistério apenas como pano de fundo, e trata mais dele na primeira temporada. No início, vamos deparando com pessoas que aceitaram essa partida e seguiram adiante, outras nem tanto e até aquelas que resolveram mudar de hábitos. Entretanto, é através dessa partida que a narrativa vai delinear seus personagens, todos devidamente afetados/fragilizados. E em meio a um caos e com previsão de apocalipse chegando, a série toma um caminho tortuoso, porém sempre convidando o espectador a ser como um cúmplice e cair numa jornada que une insanidade, suicídios, perdas, relacionamentos e o enigma que a própria vida é.

O seriado da HBO tem todo um capricho (digno da emissora) que já começa na abertura e passa pela bela trilha sonora (que muda conforme a temporada e alguns episódios). O elenco cativa de início. Todos os personagens ganham destaque, apesar de que a terceira e última temporada praticamente deixa alguns de lado, mas sem eliminá-los de vez. Os episódios, com excelentes construções narrativas, entregam uma rotatividade entre os personagens mostrando a índole e a perspectiva de cada um. Difícil não se emocionar com Matt, Nora, Kevin e Laurie. Feridas, medos e fraquezas são cada vez mais expostos conforme o andamento da produção, quer seja por episódios que fazem se valer mais da filosofia e psicologia, ou quer seja por meio de analogias e metáforas onde o espectador precisa encaixar a ideia apresentada ali.

The Leftovers não opta pelo cientificismo ou pela busca por respostas, o seriado quer mostrar pessoas comuns e famílias lidando com o luto e as consequências de fatos traumáticos. Uma produção que era atraente não pela parte técnica, como também por trazer personagens como nós, por trabalhar com nosso sensorial e para pensarmos em todos os dilemas que a existência humana carrega. Pode ser bela, porém ao mesmo tempo catastrófica. Apesar de trabalhar com tantos temas que abordam religião até suicídio, em nenhum momento The Leftovers pesa para algum lado.

O seriado fecha talvez não dando respostas, com muitas divagações e questionamentos entre os fãs, mas termina de uma forma mais ‘realista’ que LOST, ao mesmo tempo ficou mais centrada na condição humana. The Leftovers é aquela produção que mais uma vez tenta explicar o que é a vida ou então, que tenta se aproximar disso usando de tudo que nós conhecemos: de filosofia ou mesmo de ficção. Mesmo que a gente não acredite nas histórias contadas ali, o que realmente aconteceu, como as pessoas sumiram, se os personagens realmente agiram como o final supõe (a exemplo da personagem Nora), fica mais uma produção que mostra o que o cinema pode fazer de melhor: enaltecer o espectador, ludibriá-lo, conscientizá-lo, nocauteá-lo. Mais do que isso, dar entretenimento e apresentar novas ideias para o que ainda pode chegar dentro da própria sétima arte.

Saiba mais (elenco, sinopse, descrição dos episódios):
Filmow
IMDB
Rotten Tomatoes
Wikipedia

CINEMA: Sete Minutos Depois da Meia-Noite (A Monster Calls, 2016)

Nota: 8,5

Filme traz vários recursos (fotografia, efeitos, roteiro) em sintonia com uma narrativa carregada na tristeza que mesmo assim não cansa o espectador em mais um dos belos momentos do cinema.

O cinema pode mostrar a dura realidade de diversas formas, dentro de variados gêneros. Usa metáforas, simbolismos, flashbacks, finais inesperados. Faz-se valer de sua fotografia, de seu figurino, do elenco (o humano em cena), da cena memorável, dos efeitos que a modernidade proporcionou. Junto a um roteiro eficaz, pode se manifestar na emoção de cada ser vivente do planeta. E assim se conta uma história que pode te alcançar, quem sabe, porque você vivenciou aquela experiência em algum momento de sua vida. Ou então, tudo é apenas catarse, aquilo te ludibria em tom de fantasia ou mesmo num conto de fadas moderno.

‘Sete Minutos Depois da Meia-Noite’ tem um pouco do que disse acima. Se fosse conceituar cinema ou então fosse fazer uma redação escolar sobre o que é cinema, teria usado das palavras do primeiro parágrafo. Mas, desde a bela capa (felizmente, aqui você pode julgar o livro pela capa) passando até pela escolha correta do elenco, tudo funciona em prol do bom cinema no filme de Juan Antonio Bayona. Entretanto, a película ainda guarda seus trunfos: ser um misto de drama e fantasia sem pesar demais para qualquer lado, apesar do tom triste ao extremo que a trama pode carregar. A técnica também de dar vida às histórias paralelas ao filme usando aquarela, contadas pelo monstro, é exuberante e foge do lugar-comum caso você já tenha visto com uma trama semelhante (e com certeza viu).

Como tudo no cinema carrega sua mensagem, aqui não é diferente. Nos minutos iniciais do filme, a mãe de Connor diz: ‘as pessoas não gostam daquilo que não entendem’. Espere por diálogos fortes e muitas mensagens, sobretudo nas histórias paralelas contadas pelo monstro. O filme trata de forma agradável e transigente temas como amadurecimento, os estereótipos errados que por vezes criamos, a dificuldade que é perder as pessoas que amamos em vida, família, coragem e fé. Em meio a um mundo que não o compreende, o garoto Connor (ótima atuação de Lewis MacDougall) precisa cuidar de seu lar e tomar conta de sua mãe que está com câncer. Neste ponto podemos aguardar cenas tocantes entre mãe e filho. Talvez a parte do bullying na escola tenha ficado um pouco desfocada para a trama e até desnecessária, entretanto não tira o brilho do que veremos em 108 minutos.

O longa não precisava nem recorrer a tantos efeitos especiais, porém na soma final o casamento foi perfeito para dar tensão à narrativa sombria e triste, apesar da exuberância das cenas que contemplamos. Ver tanto o chão se desmoronando aos pés de Connor como o ‘monstro’ se aproximando do garoto nos enche os olhos e garante um impacto maior para o fechamento da história. Falando em final, claro que essa é mais uma daquelas narrativas que deixam o espectador inquieto no desfecho, aquela vontade de debatermos com os bons amigos adoradores da sétima arte.

Para maiores informações:
Filmow
Focus Features
IMDB
Rotten Tomatoes

OU NÃO: DBFC

Dupla francesa faz um som dançante mesclado com o orgânico mostrando várias influências abertas como Kraftwerk e os próprios conterrâneos do Air. Lembrando do retrospecto da França que sempre legou boas bandas ao mundo, será que podemos dizer que o DBFC segue adiante?

Não é preciso ir até a última faixa de ‘Jenks LP’, segundo trabalho dos parisienses do DBFC, para sabermos o leque de influências que eles revelam. As três primeiras canções dizem por si só. ‘Jenks’ parece começar pendendo para o pop-rock, mas depois de sua metade ganha um clima eletrônico totalmente emprestado do Kraftwerk. ‘Bad River’ é puro 80’s trazendo à mente nomes como Gary Numan e Soft Cell. Por fim, ‘Disco Coco’ fica mais na modernidade e é algo que os conterrâneos do Air fariam sem medo em seus primeiros discos. O duo também arrisca misturar a psicodelia com uma viagem climática (‘The Rest Of The World’) e em certas faixas traz o equilíbrio adequado entre o pop-rock e o eletrônico (‘The Ride’ e ‘Staying Home’). Por sua vez, ‘Autonomic’ seria classificado como puro house music e entrega corretamente o que um dos integrantes disse sobre a sonoridade: ‘DBFC não é uma banda, é um clube’. O début da dupla chama-se ‘Leave My Room’ e é de 2014.

Faixas do álbum:
01 – Jenks
02 – Bad River
03 – Disco Coco
04 – In The Car
05 – The Ride
06 – New Life
07 – Autonomic
08 – Staying Home
09 – Sinner
10 – The Rest Of The World

Mais informações:
Bandcamp
Differente Recordings
Soundcloud
Twitter

Veja o vídeo oficial de ‘Jenks’

LISTA DE 7: 7 Jogos que Mereciam Remakes/Reboots

Dia desses, num grupo de Whatsapp, discutia com os amigos a respeito de quanto me sinto triste em relação ao tanto de remakes e reboots no mundo dos jogos. Isso vale para o cinema também. ‘Horizon Zero Dawn’ da Guerrilla Games provou que jogos novos precisam surgir, devem ganhar espaço no lugar de velhas e cansadas franquias. Entretanto, quem sou eu para ditar a rédea da indústria dos jogos. Se vende e tem público consumidor, vamos continuar fazendo. Pensando nisso, listei alguns jogos então que poderiam sair novamente, dando uma chance de conhecimento a essa nova geração ou então, volta a fazer sorrir o mais forte dos saudosistas. Vale lembrar que a lista segue uma ordem alfabética, e não de preferência do redator.


01 – ALONE IN THE DARK: THE NEW NIGHTMARE (Survival Horror – 2001)
Lembro o medo que senti ao jogar AITD: TNN. Até então, no gênero survival horror, estava muito preso à série Resident Evil. Alone In The Dark também faz bonito com direito a visitas em catacumbas abandonadas e mansões obscuras, além de puzzles de fazer entortar o cérebro. E aqui a munição é bem escassa, lanterna e tocha são suas amigas. Um remake seria bom pela questão de que o jogo que saiu depois, Alone In The Dark: Inferno (2008) foi bem fraco e parece que a série caiu no limbo.


02 – CRASH TEAM RACING (Kart Racing – 1999)
Sou um fã do gênero, então, seria suspeito de não indicar esse jogo aqui. Crash teria tudo para ser o mascote do Playstation da Sony. Por um tempo foi, mas a franquia também não continuou na nova geração. Agora sim, a Vicarious Vision resolveu lançar a trilogia para o PS4, numa nova roupagem, porém o CTR não sairá. Segundo a empresa, há uma possibilidade no futuro do jogo também sair. Queremos certeza, não probabilidades. Um jogo indicado para todas as idades, divertido, trapaceiro no melhor dos sentidos e que muitos fãs não ficariam chateados com um remake.


03 – D (Aventura, Terror interativo – 1995)
Isso mesmo, o nome do jogo é apenas uma letra. Espere para trabalhar seu cérebro com puzzles intrincados, se sentir claustrofóbico, de sentir a aflição da protagonista Laura Harris. Na época o jogador tinha que avançar na moral, sem vídeos ou guias no Youtube, então talvez hoje a pessoa apelaria para muitos spoilers e deixaria passar essa pérola adiante. A Sega está relançando muito de seus jogos, quem sabe ‘D’ não esteja nos planos da empresa também?


04 – GALERIANS (Survival Horror – 2000)
Compre ‘Galerians’ na época do PS1 com medo. Achei que se tratava mais de jogo estratégico. Nada tinha lido a respeito. Um jogo com 3 discos? A maioria vinha apenas em um. No início, é preciso haver toda uma habituação com a história, os controles, se apegar ao personagem. Isso para depois não largar mais, querer ir adiante. Um jogo que teve pouquíssima divulgação e agora seria um bom momento para lançá-lo novamente, quem sabe. Puzzles, história envolvente, personagens marcantes, cenários inspirados, poderes como telecinese e pirocinese. Um jogo que você termina três vezes não pode ser tão ruim assim.

05 – KULA WORLD (Puzzle, 1998 – imagem principal da matéria)
Simplicidade nunca foi expressão de algo sem valor. Uma bola, por cima de plataformas, com muitos obstáculos, você precisa apenas encontrar uma chave. Eu disse apenas? O jogo é curto dentro de padrões atuais. Chegue no último nível para tudo acabar. Ou não, começar de novo usando outra estratégia pode ser uma boa opção. E eu disse que existe tempo? Sim, nos últimos níveis o jogo complica, porém nunca frustra. Além disso, a visão isométrica de Kula World é algo indescritível.


06 – MEDIEVIL (Plataforma, 1998)
Sir Daniel Fortesque. A figura principal de Medievil. Uma esqueleto cavaleiro que empunhando sua espada passa por cenários que conseguem unir o tétrico e o lúdico. Bons desafios, muita exploração pelos cenários, puzzles e o carisma de nosso bravo cavaleiro. Pena que a franquia não seguiu adiante. Sir Daniel depois apareceu somente no jogo de luta PlayStation All-Stars Battle Royale que é composto pelos personagens dos jogos da Sony.


07 – VALKYRIE PROFILE 2: SILMERIA (RPG – 2006)
Esse foi o segundo RPG que me fez entrar de cabeça no gênero. O primeiro foi Final Fantasy X. VP2:S tem um sistema de combate que à primeira vista desanima, mas depois conforme se vai ganhando experiência tudo vira viciante e nos convidar a explorar cada vez mais os cenários, bem caprichados sobretudo pra época. Além disso, inúmeros personagens bem detalhados, labirintos bem desafiantes e muita exploração. Pena que o jogo não ganhou o mesmo destaque da série Final Fantasy, quem sabe nos dias atuais com uma maior divulgação?

Observações:
1 – Tinha intenção de colocar a capa dos jogos, entretanto algumas eu não encontrei em boa resolução. Resolvi colocarimagem do jogo.
2 – Não deixei link para os jogos, porém são jogos com informações bem fáceis de se encontrar na internet, assim como existem vários emuladores onde você pode jogá-los/testá-los.

Outros jogos dignos de menção:
DINO CRISIS (Survival Horror, 1999)
EINHANDER (Nave Side-scrolling, 1997)
GEX (Plataforma – 1994)
HEART OF DARKNESS (Plataforma, 1998)
PARASITE EVE (RPG, Survival Horror – 1998)
ROGUE TRIP (Combate de carros – 1998)

Leitor, sua participação é importante. Comente, dê dicas sobre alguns jogos que mereciam um bom remake ou então podem criticar minha lista.

SAIU DO FORNO – The Charlatans – Different Days (2017)

A banda inglesa The Charlatans, por si só, já tem um mérito: é uma das sobreviventes dos anos 90, da chamada era Madchester e também com um pé no Britpop. ‘Different Days’ é o décimo-terceiro trabalho de estúdio do grupo. Nessas quase três décadas, a idade chegou para o grupo, o cabelo do vocalista Tim Burgess continua o mesmo e a banda também teve seu momento desolador com a morte do baterista Jon Brookes aos 44 anos. Esse é um álbum com várias participações de peso como Paul Weller e Johnny Marr (ex-The Smiths) que toca guitarra em 3 faixas. Os ingleses continuam com sua química e digamos que ‘Differente Days’ é um disco bem pra cima, sem espaço pra melancolia. Refrões ganchudos, instrumentos ágeis, melodias ensolaradas e a peculiar voz de Burgess (‘Solutions’, ‘Different Days’ e ‘Let’s Go Together’). O casamento entrosado com a eletrônica também está presente em ‘Over Again’, repleta de suingue e a que mais lembra a fase 90’s do grupo. A guitarra (de Marr) comanda a levada contagiante de ‘Plastic Machinery’, candidata a ser uma das melhores do disco.

FAIXAS:
01 – Hey Sunrise
02 – Solutions
03 – Different Days
04 – Future Tense
05 – Plastic Machinery
06 – The Forgotten One
07 – Not Forgotten
08 – There Will Be Chances
09 – Over Again
10 – The Same House
11 – Let’s Go Together
12 – The Setting Sun
13 – Spinning Out

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Veja o vídeo oficial de ‘Plastic Machinery’