ALTA ROTAÇÃO EM MARÇO (Ângelo)

alta rotação

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+ ALTA ROTAÇÃO EM FEVEREIRO (Ângelo)
+ MELHORES DE JANEIRO (Ângelo)

:: Elephant – Sky Swimming (2014)
:: Fenster – The Pink Caves (2014)
:: I Was A King – Isle Of Yours (2014)
:: Papercuts – Life Among The Savages (2014)
:: Pure X – Angel (2014)

COMENTÁRIOS: Não resenhei nenhum álbum que listei aqui, mas bem que cada um deles merecia! Primeiramente o Elephant com seu agradável indie pop com elementos sonoros retrô. O Fenster fez um álbum bacana, com canções climáticas e cada uma com identidade própria. O I Was A King mais uma vez fez um bom trabalho indie rock melodioso e deleitoso como sempre… O pessoal da banda sempre acertando a mão! O álbum do Papercuts corre solto do início ao fim… Maravilhoso! O Pure X fecha a lista com seu som contundente e intimista, com guitarras dedilhadas e discretas, mas eficientes.

TYCHO – Awake (2014)


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+ FANFARLO – Let’s Go Extinct (2014)
+ HALLS – Love To Give (2014)

Peguei meu veículo imaginário e segui para terras longínquas… Terras encantadas… Terras imersas em um azul profundo ou quem sabe num arco-íris projetado numa paisagem disforme, mas inteligível para todos os meus sentidos e gostos. A excursão sem fim não tinha data nem hora marcada, pois o acaso me capturou como uma foto captura um instante presente, que se torna passado, mas que revive na memória num breve futuro onde a eternidade se encontra entre dois pontos extremos: partida e chegada!

A “viagem” citada no parágrafo anterior é proporcionada por “Awake”, quarto trabalho do músico/produtor americano, Scott Hansen, profissionalmente conhecido como Tycho. O álbum é uma interessante experiência com a música eletrônica ambiental e instrumental, onde oito faixas mantêm o elo entre si e delineia um passeio sonoro agradável e envolvente.

Há momentos para relaxar, para “meditar”, para refletir sobre melodias e elementos musicais e como não poderia deixar de ser… Até para dançar! E se você prestar bastante atenção vai encontrar alguns “fantasmas” de The Edge (U2), Vini Reilly, Kraftwerk e do New Order. Uma boa surpresa do gênero.

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SAINDO DO FORNO: Russian Red – Agent Cooper (2014)


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+ Work Drugs – Insurgents (2014)
+ Angel Olsen – Burn Your Fire For No Witness (2014)

Depois de dois bons álbuns, “I Love Your Glasses” (2008) e “Fuerteventura” (2010), um grande hit – “I Hate You But I Love You”; trabalhos esses baseados no indie folk e recheados de baladas e até suítes (explorando uma sonoridade mais acústica), o Russian Red retorna com um álbum mais voltado pro indie rock, destacando guitarras e com uma bateria mais pulsante.

“Agent Cooper”, assim como o “Treasure” (1984) do Cocteau Twins, só possui músicas com nomes de pessoas ou personagens. No “Fuerteventura” isso já havia ocorrido em pequena escala, vide “Tarantino” e “Nick Drake”. Homenagens? Quem sabe! Um trabalho conceitual? Talvez!

O álbum de modo geral é excelente, onde todas as faixas merecem uma atenção especial! A abertura fica por conta da bela “Michael P” e seu refrão marcante. “John Michael” segue mantendo o mesmo nível da primeira faixa. “Stevie J” já conquista de primeira com seus teclados envolventes no início da canção. “Casper”, música de trabalho do álbum, possui dois andamentos: um mais acelerado e acentuado e outro mais lento e doce. “…Xabier” é uma espécie de ária com seus momentos ambientais que vão crescendo até atingir seu clímax – um instante mágico! A seguir temos “Anthony” e sua pegada bem “roqueira” e até meio alucinante. “William” é um pop rock que flerta sutilmente com o reggae, embalando e conduzindo o ouvinte a uma viagem maravilhosa. “Alex T” é um pop rock bacana e agradável. “Neruda” é uma faixa também de andamento lento, clima épico e possui guitarras e pianos encantadores. “Tim B”, última faixa, é uma bela fusão folk-rock que relembra boas faixas do Russian Red de outrora.

Russian Red é o nome artístico da cantora espanhola (Madri) Lourdes Hernández. Por isso dá pra perceber o sotaque proeminente por ela cantar em inglês… Por isso que sua voz é tão charmosa e um show à parte!

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OS PARALAMAS DO SUCESSO – “D” (1987)

ANTERIORES:
+ DEPECHE MODE – 101 (1989)

Em 1987 Os Paralamas do Sucesso se apresentou no Festival de Jazz de Montreux (Suiça) e o registro desse show tornou-se o primeiro trabalho ao vivo da banda – “D”.

A apresentação é contagiante e segura, o repertório é enxuto e interessante.

Aqui o trio (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) conta com a participação de João Fera nos teclados e de George Israel (sax do Kid Abelha) em “Ska”, dando um brilho a mais ao show. “D” é o quarto álbum da carreira da banda e sucessor do bom “Selvagem” (1986), o qual a banda se desvencilhou das marcantes influências de bandas como The Beat e The Police e passaram a explorar uma sonoridade mais brasileira. A abertura de “D” fica por conta da vibrante e inédita “Será Que Vai Chover?”, entre clássicos do grupo como “Ska”, “Óculos” e “Meu Erro”.

Os Paralamas tem como qualidade ser formado por excelentes músicos e por ter letras contudentes. Em “Alagados” Herbert canta: “Alagados de Trenchtown / Favela da maré / A esperança não vem do mar / Nem das antenas de TV / A arte de viver da fé / Só não se sabe fé em quê”. Em “O Homem” temos: “O homem tolo se põe a lutar por um lado / Até perceber / Que golpeia e sente a dor / Ele é o alvo da própria violência”. Já em “Selvagem” ouve-se: “A polícia apresenta suas armas / Escudos transparentes, cassetetes / Capacetes reluzentes / E a determinação de manter tudo em seu lugar / O governo apresenta suas armas / Discurso reticente, novidade inconsistente / E a liberdade cai por terra / Aos pés de um filme de Godard / A cidade apresenta suas armas / Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos / E o espanto está nos olhos de quem vê / O grande monstro a se criar / Os negros apresentam suas armas / As costas marcadas, as mãos calejadas / E a esperteza que só tem quem tá cansado de apanhar”.

O setlist ainda conta com duas grandes canções: “A Novidade” e “Charles, Anjo 45”, músicas de Giberto Gil e Jorge Ben respectivamente.

Eis um álbum ao vivo nacional que merece uma atenção especial!

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BECK – Morning Phase (2014)

ANTERIORES:
+ NOTHING – Guilty Of Everything (2014)
+ MARISSA NADLER – July (2014)

“Morning Phase” não possui a crueza vibrante de Mellow Gold (1994) nem a força criativa e experimental (fusões) de Odelay (1996) – Melhor álbum da carreira de Beck; mas é um interessante trabalho pontuado mais uma vez no folk e com belas baladas. Em 1998 ele quis dar uma reviravolta na sua carreira com o álbum “Mutations” (sucessor de “Odelay”), uma referência aos Mutantes, ao movimento tropicalista… Enfim, à música brasileira. Foi considerado um trabalho paralelo e sem maiores pretensões. Depois de seis longos anos sem nenhum lançamento, “Morning Phase” marca um bom retorno de Beck. A sonoridade pode até parecer simples, mas na maioria das canções podemos notar certa riqueza de detalhes (arranjos e elementos musicais). Confira bons momentos (que não são poucos) em “Morning”, “Heart Is A Drum”, “Blue Moon” (música bacana e de trabalho), “Unforgiven” (um dos pontos altos do álbum), “Wave”(com suas orquestrações), “Don’t Let It Go”, “Blackbird Chain”, “Turn Away”, “Country Down” (belíssima balada) e a derradeira e marcante “Waking Light” (Luz Desperta). Em alguns momentos o cantor/multi-instrumentista americano lembra um Elton John um pouco mais discreto e numa fase inspirada!

SAINDO DO FORNO: Broken Bells – After The Disco (2014)

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+ Cheatahs – Cheatahs (2014)
+ Alcest – Shelter (2014)

A dupla americana formada por Brian Burton (mais conhecido como Danger Mouse) e James Mercer lançou em 2010 o primeiro e bom álbum homônimo, o qual continha o hit “The High Road” e em 2011 o EP “Meyrin Fields”, retorna (retoma) com o “projeto” depois de três anos de ausência. O duo faz um pop rock sem firulas com influências dos 70’s. “After The Disco” é um álbum bastante regular, no sentindo de manter um bom nível na qualidade musical, onde elementos como sopros, cordas (acústicos) e até eletrônicos são utilizados na medida certa. Difícil até destacar uma ou mais faixas, pois todas têm um brilho peculiar! Mas pra não passar em branco nesse sentido, vamos lá: a abertura fica por conta da “épica” e animada “Perfect World”; a seguir temos a homônima “After The Disco”, com seu baixo marcante e “groovento”, típico da disco music; “Holding On For Life” é a música de trabalho com refrão no melhor estilo falsete Bee Gees; “Leave It Alone” é uma bela música acústica com vocais crescentes e acompanhado de um bonito coral; a “tribal” “The Changing Lights” traz uma luz “mágica” com seus vocais acentuados; “Control” e “Lazy Wonderland” lembram um pouco (ou muito) John Lennon no auge de sua carreira solo; “Medicine” e “No Matter What You’re Told “ possuem uma levada pop bastante agradável e chegam a empolgar; as cordas utilizadas em “The Angel And The Fool” (faixa mais calma) além dos vocais de modo geral, transportam o ouvinte a um lugar que deve ser colorido e sereno; finalmente “The Remains Of Rock & Roll” fecha o álbum em grande estilo (refrão marcante novamente) – Comentei todas as faixas! Afinal de contas é um trabalho com produção impecável e soberba. Um álbum “despretensioso”, mas que “acerta na mosca” e agrada em cheio. Acreditem… Grande surpresa e forte candidato a um dos melhores do ano!

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JOGO RÁPIDO (9): Damon Albarn, U2, Lollapalooza, covers e mais.


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+ Jogo Rápido (8)
+ Jogo Rápido (7)

:: Anunciado para final de abril o primeiro álbum solo de Damon Albarn (vocalista do Blur). “Everyday Robots” é o nome do trabalho que tem a participação de Brian Eno entre outros. É esperar e aguardar para ver se Damon fez algo tão interessante quanto os bons momentos do Blur! :-/

:: O U2 programou lançar em fevereiro um single, “Invisible”, para promover o lançamento de um álbum de inéditas até o final do primeiro semestre deste ano. O último trabalho de estúdio da banda foi o fraco “No Line On The Horizon” de 2009. A banda subiu ao palco e ganhou a imprensa ao levar o prêmio de melhor canção no Globo de Ouro 2014 por “Ordinary Love” (canção inédita em 5 anos), música feita exclusivamente para o filme “Mandela”. Quanto ao novo álbum, não espero nada de interessante visto que o último trabalho significativo do grupo foi o “Pop” de 1997! :-(

:: Jack White e Neil Young gravam juntos álbum de versões com clássicos da folk music. Deve vir algo de interessante por aí! :-)

:: Stuart Murdoch, frontman e líder do Belle & Sebastian, se prepara para lançar seu primeiro filme – o musical “God Help The Girl”. Também um novo álbum da banda até o final do ano. Boa pedida! :-)

:: O guitarrista do Radiohead, Jonny Greenwood, juntou-se a Bryce Dessner, guitarrista do The National, para lançarem um álbum (“St. Carolyn By The Sea / Suit From There Will Be Blood”) previsto pro início de março. Será que essa dupla tem bala na agulha? Aguardaremos. :-/

:: A banda australiana Jagwar Ma participou de um programa da rádio (Triple J) e fez um cover viajado de “Why’d You Only Call Me When You High” do Artic Monkeys! :-/

:: O Lollapalooza Brasil 2014, que será realizado em São Paulo (5 e 6 de abril) contará com a presença de: Pixies, Muse, Phoenix, Nine Inch Nails, Lucas Santana, Julian Casablancas, Arcade Fire, Vampire Weekend, New Order, Cage The Elephant, Raimundos, Savages, etc. Tem presenças aí que valem muito a pena! :-/

:: Covers legais: “Is It True” (Brenda Lee Cover – Tennis), “This Must Be The Place” (Talking Heads Cover – In Wilderness) e “Kung Fu Fighting” (Carl Douglas Cover – Patti Rothberg). :-)

SAIU DO FORNO: Les Cousins Dangereux – CDX (2014)


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+ Delay Trees – Readymade (2014)
+ The Dumplings – The Dumplings (2013)

Pra começar, vasculhei a net (Google e You Tube) atrás de informações sobre a banda ou dupla ou projeto de um homem só ou sei lá mais o quê… e nada encontrei! Pra não dizer que realmente não encontrei nenhuma informação, descobri que o título do projeto (vou assim chamá-lo), “Les Cousins Dangereux”, é o nome de um filme francês (também não descobri de que ano) que fala sobre uma relação amorosa (“incestuosa”) e proibida entre dois primos (primo e prima). Sobre o projeto, faz música eletrônica experimental que alguns poderiam classificar como idm-ambient-house, influenciado basicamente pelo Kraftwerk e algumas nuances de Chemical Brothers em duas faixas: “CDX 96” e “CDX 4”. O álbum possui seis faixas com uma duração de aproximadamente 39 minutos. Destaque para a faixa de abertura “Trazodone CDX” (parece nome de remédio), com seu belo clima “kraftwerkniano” com quase oito minutos de duração; também para a terceira faixa “CDX 1 (Saudade)” que segue na mesma linha da primeira – viajante com também quase oito minutos. A penúltima faixa, “Winter Games”, poderia ser trilha sonora de um jogo de vídeo game ou coisa parecida.

Link para download: aqui

CLÁSSICOS: Depeche Mode – Violator (1990)

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+ The Beat – Just Can’t Stop It (1980) / Os Paralamas do Sucesso – O Passo do Lui (1984)
+ The Smiths – The Queen Is Dead (1986)

“Deixe-me te mostrar o mundo em meus olhos”, canta David Gahan na 1ª faixa de “Violator”, anunciando a nova e excelente fase da banda no final dos anos 80! Sucessor do ao vivo “101” (1989), álbum que fechou com chave de ouro e elevou o grupo ao sucesso mundial com a turnê do álbum de estúdio anterior – “Music The Masses” (1987).

Aqui a banda atinge o seu pico na sua carreira musical. Por que digo pico? Porque jamais o DM fez um álbum melhor (igual… talvez) ao “Violator” em termos de qualidade sonora de modo geral. Desde o início, a banda vinha num crescente de qualidade musical, álbum após álbum, até chegar neste momento.

“Violator” é violador, infrator, transgressor e até profanador em todos e bons sentidos! São nove faixas matadoras que não decepciona um só instante o ouvinte. Pelo contrário, como diz a letra de “World In My Eyes” (faixa de abertura): “E você nem tem que se mexer, apenas fique parado, agora deixe que sua mente faça a caminhada”. E assim é dada a partida para uma caminhada sonora esfuziante!

A seguir, temos “Sweetest Perfection” com seus tons dramáticos (letra e música) e regados a doces intervenções de cordas na sua melodia. “Personal Jesus”, música seguinte, é uma espécie de blues eletrônico no qual David declama de forma “profanadora” que cada um encontre seu “Jesus Pessoal” e que como um pastor, tornará-lo um crente, conduzindo-o ao perdão e consequentemente à salvação!

Em “Halo”, temos uma música dançante, na qual a letra fala de esperança, apesar das dores, carências e frustrações encontradas nos prazeres do amor! A seguir, “Waiting For The Night” soa como uma bela e suave canção de ninar, falando da leveza e tranquilidade da noite que está por vir. Atenção! Momento mágico; “Enjoy The Silence” é a sexta e melhor faixa do álbum! Uma música pop perfeita, com todos os ingredientes necessários para torná-la assim: uma levada (batida) com groove bacana, melodia atraente e pegajosa na guitarra de Martin e uma letra maravilhosa – uma ode ao silêncio!

“Policy Of Truth” mantém o clima alegre e dançante de “Enjoy The Silence”, com uma letra que fala das consequências de quem sempre fala a verdade. Martin L. Gore canta bonito em “Blue Dress” (também em “Sweetest Perfection”), penúltima faixa, interpretando um “voyeur” que diante de sua amada mostra que o mais importante é vê-la se vestir; e ainda completa: “E você acredita, que algo tão desprezível, serve a um propósito… porque quando você aprender, você saberá o que faz o mundo girar”. “Clean” encerra a “caminhada” num clima viajante com uma provável autodeclaração de David Gahan sobre agora estar limpo, ou sendo mais direto, livre das drogas!

Se observarmos bem, “Violator” é até um álbum conceitual, pois as letras de cada faixa mantêm uma relação (um elo) entre si. Emblemático!

Dados sobre “Violator”:

– Todas as faixas de “Violator” foram compostas por Martin L. Gore. Na turnê do álbum “World Violation Tour” – Martin assumiu a guitarra e Alan a bateria convencional.
– “Enjoy the Silence”, que seria um dos mais bem-sucedidos singles da banda até o momento (chegou ao número 6 nas paradas britânicas, sendo o primeiro da banda a atingir o top 10 depois de “Master And Servant”) e posteriormente viria a se tornar um dos maiores hits de toda a história da banda. Nos Estados Unidos, o single alcançou a oitava colocação nas paradas daquele país, recebendo certificação de ouro.
– O álbum “Violator” tem a assinatura do produtor Flood (U2, Erasure). Para promover o novo lançamento, a banda realizou uma sessão de autógrafos no interior de uma loja Wherehouse Entertainment em Los Angeles. O evento acabou atraindo um número muito elevado de fãs e terminou em uma confusão generalizada entre as 20 mil pessoas presentes.
– “Violator” chegou no top 10 das paradas tanto dos EUA quanto do Reino Unido. O álbum foi o primeiro da banda a chegar ao top 10 da Billboard 200 – ficou em sétimo lugar por 74 semanas. A banda também recebeu certificação de platina tripla nos EUA pelas 4,5 milhões de vendas do álbum por lá. “Violator continua a ser o álbum mais vendido da história da banda. Mais dois singles do álbum, “Policy Of Truth” e “World in My Eyes”, também atingiram as paradas dos EUA e Reino Unido. No Brasil, “Policy Of Truth” foi a faixa de maior sucesso do álbum, sendo executada em diversas rádios voltadas ao público jovem.
– A “World Violation Tour” marcou o ponto mais alto da popularidade da banda. Nos EUA, 42 mil ingressos foram vendidos em quatro horas para o show no “Giants Stadium” em Nova Jérsei e 48 mil foram vendidos em meia hora para o show no “Dodger Stadium” em Los Angeles. Estima-se que a soma de todas as pessoas presentes nos show da turnê seja cerca de 1,2 milhões.

DEPECHE MODE – 101 (1989)

“101” é um registro ao vivo em áudio e vídeo/documentário da banda eletrônica marcada pelo uso significativo de sintetizadores e samples… de Essex, Inglaterra – Depeche Mode. Esse registro foi feito na turnê mundial “Concert For The Masses Tour” do álbum “Music For The Masses” (1987); a maioria das músicas do show (concerto final) no Rose Bowl, Pasadena – EUA. Das 19 faixas que compõem o álbum, sete são do “Music For The Masses”, quatro do “Black Celebration” (1986), cinco do “Some Great Reward” (1984), uma (“Everything Counts”) do “Construction Time Again” (1983) e duas que saíram somente em singles e depois na coletânea/álbum “Singles 81-85” (1985): “Shake The Disease” e “Just Can’t Get Enough”. Aqui não encontramos nenhuma faixa dos dois primeiros álbuns, “Speak & Spell” (1981) e “A Broken Frame” (1982). Com isso observamos que o DM foi uma banda que foi evoluindo aos poucos, tendo um trabalho mais consistente, já que os três primeiros são inexpressivos, a partir do quarto álbum, o já citado “Some Great Reward”. “101” de modo geral é um álbum contagiante que traz a essência da banda, um som eletrônico que muitos definem como industrial-pop, mas que de modo geral é dançante (“Behind The Wheel”, “People Are People”, etc.) e algumas vezes até romântico (“Somebody” e “The Things You Said”).

A abertura fica por conta de um instrumental de 50 segundos, o qual é faixa escondida no álbum “Music For The Masses” – “Pimpf”. A seguir temos “Behind The Wheel” e logo em seguida um dos maiores hits (o 1º mundialmente) da banda, “Strangelove”! O álbum possui grandes momentos como “Somebody” e “The Things You Said”, interpretados belamente por Martin L. Gore; além de “Stripped”, “Black Celebration”, “Never Let Me Down Again”, “Just Can’t Get Enough” e “Everything Counts” (esta última encerrando magistralmente o show com o público cantando ad infinitum). A banda como um todo (David, Martin, Alan e Fletcher) está em plena forma e totalmente em sintonia numa performance inesquecível (ver vídeo/documentário). Como canta David Gahan em “Strangelove”: amor estranho, estranhas euforias e estranhas depressões… amor estranho, assim que se comporta o meu amor!

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JAGWAR MA – Howlin (2013)

ANTERIORES:
+ A BANDA DE JOSEPH TOURTON – A Banda de Joseph Tourton (2011)
+ SHEARWATER – Fellow Travelers (2013)

Banda que conheci recentemente através de dois vídeos postados no Facebook por um colega, este trio australiano me chamou a atenção pela sonoridade (neo)psicodélica e pelos climas indie dance que a mesma traz. A figura central é Jono Ma (sintetizador/guitarra/samples/produção), que por sinal o título do grupo é quase um trocadilho com seu nome. Jagwar Ma abusa dos samples, principalmente dos loops, tornando-os verdadeiros mantras. A batida dançante é uma marca na sua sonoridade e o lado psicodélico é muitas vezes comparado com o Tame Impala. “Howlin” é o álbum de estréia (lançado em agosto) de uma carreira iniciada em 2011 e que tem como influências Beach Boys, The Beatles, Beck e Primal Scream. Destaque para a viajante “The Throw” com seus quase 7 minutos de duração; o hit/música de trabalho/sucesso nas pistas – “Come Save Me”; a empolgante “Man I Need” e a marcante “Did You Have To”. Solte o play, balance o esqueleto ou se esparrame no sofá com os olhos fechados que a diversão (ou viagem) está garantida!

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SULK – Graceless (2013)

ANTERIORES:
+ MUDHONEY – Vanishing Point (2013)
+ ARCADE FIRE – Reflektor (2013)

Banda londrina criada em 2011, lançou seu primeiro álbum, “Graceless”, em abril deste ano. Aqui você não encontra nada de absolutamente “original” ou que pelo menos tenha sofrido uma influência “indireta”, pois tudo é direto e traz como cartão postal o som indie dance do final dos 80’s e início dos 90’s, o que foi chamado de Madchester. Sendo ainda mais direto, o Sulk quer ser o The Stone Roses dos tempos atuais. Jon Sutcliffe (vocais) & cia. pretendem (o que parece ser) fazer um revival da banda que recentemente retornou a atividade, e “Graceless” poderia ser visto como o terceiro álbum do The Stone Roses que não foi lançado. As comparações não param por aí, pois até o visual (vestimentas, cabelos, etc.) o Sulk copia! Então você, leitor, deve perguntar: mas por que diabos eu perderia meu tempo escutando uma cópia descarada (escancarada) de uma outra banda que, como foi dito anteriormente, voltou a ativa??? Bem, eu diria que fica a critério de cada um ouvir e julgar. Eu, particularmente, achei interessante… razoável, mas nada de menos e muito menos demais. A música de abertura, “Sleeping Beauty”, soa como a fusão do The Stone Roses com o The Charlatans. Destaque para “Diamonds In Ashes” e “The Big Blue”. O vocal de Jon se aproxima bastante ao de Ian Brown na maioria das faixas.

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SAINDO DO FORNO: Washed Out – Within And Without (2011)

ANTERIORES:
+ Memory Tapes – Player Piano (2011)
+ Glasvegas – Euphoric Heartbreak (2011)

Afim de curtir música eletrônica de boa qualidade, onde a sonoridade proporciona sensações agradáveis – tranquilidade, leveza e relaxamento? Eis aqui a viagem que garante todas essas sensações! Compre seu bilhete e embarque no projeto de um homem só, Ernest Greene, original de Atlanta (Georgia – EUA). Greene, depois de três singles (o primeiro de 2009) e três EP’s, lança seu primeiro álbum definido (em termos sonoros) como chillwave.

Diria que “Within And Without” é synth-pop-trance-space, com a intenção de hipnotizar até aqueles de ouvidos menos sensíveis à suavidade musical. Algumas faixas lembram bons momentos de “A Million Miles From Home”, excelente trabalho do Cinnamon Chasers de 2009; o que acaba sendo uma comparação positiva.

Durante a audição do álbum poderá ocorrer (ter) uma falsa sensação de repetição e linearidade de sons. Mas tudo isso é intencional, pois nota-se que Greene quis criar uma unidade entre as músicas, com temas afins e clima “transcendental”… Meio que um mantra. Temos em evidência: “Eyes Be Closed” (abertura), “Amor Fati” e “Before” – melhor faixa.

“Within And Without” serve como uma “medicação” indicada pra tensões pós-rotina e cansaço físico-mental ao final do dia. Dosagem: ilimitada!

VIDEORAMA (FLASHBACK): Legião Urbana – Pais e Filhos

+ Uma das minhas frustrações no universo da música foi o de não ter assistido um show da Legião Urbana! Nota-se através de registros que era uma verdadeira celebração… Comunhão coletiva de uma platéia hipnotizada… Catarse! Temos aqui uma das melhores apresentações ao vivo da banda, no Metropolitan em 1994, dois anos antes da morte de Renato Russo – nosso “Morrissey” brasileiro. Ranato Russo demonstrou ser um grande compositor, letrista e intérprete; visto ao lado de Cazuza como a “voz” de uma geração incoformada, cheia de inquietudes e incertezas. “Pais e Filhos” traduz muito bem essa inquietação e vai além, deixa uma linda mensagem de tolerância e amor, algo muito necessário nesses dias conturbados no qual vivemos – “É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã, porque se você parar pra pensar na verdade não há”. Para refletir!

VIDEORAMA (FLASHBACK): Cocteau Twins – Song To The Siren

Estréia do Videorama, edição Flashback, a qual tem a finalidade de apresentar vídeos mais incomuns de apresentações ao vivo de artistas (trabalhos) que antecedem os 00’s; ou seja, da década de 90 para trás.

+ Nesta estréia temos uma apresentação magistral do Cocteau Twins (ou seria o projeto This Mortal Coil) para a belíssima canção de Tim Buckley – “Song To The Siren”. Um raríssimo registro ao vivo no qual a linda voz “etérea” de Liz Fraser está perfeita. Imperdível!

JOGO RÁPIDO (8): Sade, Copacabana Club, Blondie, Festival Planeta Terra, covers e mais.

ANTERIORES:
+ Jogo Rápido (7)
+ Jogo Rápido (6)

:: Lançada nova coletânea da extraordinária cantora nigeriana Sade – “The Ultimate Collection”! O álbum duplo contém 29 músicas; sendo 3 faixas inéditas (“Still In Love With You”, “Love Is Found” e “I Would Have Never Guessed”), 2 remixes (“The Moon And The Sky” e “By Your Side”) e as restantes remasterizadas. Considerando a carreira mais que consistente da mesma, a coletânea acaba servindo pra uma nova geração que ainda não conhece o seu trabalho. Vai uma dica: faça o download apenas das inéditas (principalmente a belíssima “Still In Love With You”) e dos remixes. :-)

:: A banda paulistana, Holger, está conquistando o mercado internacional com seu (acreditem) indie-pop axé! Lançado ano passado, “Sunga”, álbum de estréia da banda, foi um dos destaques nacionais de 2010. Na verdade, o lado “axé” da banda está nas levadas das guitarras, algo mais pra o que é definido como afrobeat. Confira o hit da banda “Let’em Shine Below” e tire suas próprias conclusões. :-/

:: Também lançado recentemente o álbum de estréia da banda curitibana Copacabana Club – “Tropical Splash”. A banda apesar de sofrer comparações com o CSS (Cansei de Ser Sexy) tem como maior influência o The Rapture. Com sua levada dançante, misturando seu indi-pop-dance com elementos eletrônicos, é considerada a bola da vez juntamente com Holger no cenário internacional. Confira a contagiante “Just Do It”. :-/

:: Ainda entre os recém lançados, temos “Panic Of Girls”, novíssimo trabalho de inéditas de um dos expoentes da new wave – Blondie. É o Blondie tentando ser o Blondie de outrora… Pra quem tem quase 71 anos de idade, até que Debbie Harry ainda segura a onda… Mick Jagger de saia! :-/

:: O Planeta Terra Festival, a ser realizado em 5 de novembro deste ano, tem como destaques Beady Eye (atual banda do ex-vocalista do Oasis – Liam Gallagher), Peter, Bjorn & John, The Strokes e Toro Y Moi. The Vaccines  cancelou recentemente sua participação. Os nomes de peso do ano passado foram Pavement e Smashing Pumpkins. O festival já teve edições mais interessates (2008 e 2009) com participações de Jesus & Mary Chain, Primal Scream, Iggy Pop, Animal Collective, Foals, The Breeders, Sonic Youth, entre outros. :-/

:: Pra quem tem saudades das guitarras de Johnny Marr, confira o novo álbum da banda The Ladybug Transistor – “Clutching Stems”. Sonoridade que remete aos 80’s, transitando entre The Bolshoi e The Smiths. Som pra saudosistas! :-)

:: Músicas imperdíveis: “Fuel Up” (Stornoway), “Infection” (Morpheme), “Shohet” (Stella Diana), “Collider” (Mono), “Take Me Over” (Cut Copy) e “White Elephant” (Ladytron). :-)

:: Covers legais: “Don’t Ask Why” (My Bloody Valentine Cover – The Starcharts), “New Dawn Fades” (Joy Division Cover – The Sight Below) , “Plastic Flowers” (The Wake Cover – Beach Fossils) e “Cantara” (Dead Can Dance Cover – Abramelin). :-)

CLÁSSICOS: The Beat – Just Can’t Stop It (1980) / Os Paralamas do Sucesso – O Passo do Lui (1984)

The Beat – Just Can’t Stop It (1980)

ANTERIORES:
+ The Smiths – The Queen Is Dead (1986)
+ U2 – War (1983)

No final dos 70’s e início dos 80’s, algumas bandas inglesas com integrantes brancos (Madness ) ou brancos e negros (two-tone – The Specials, The Beat e The Selecter), resolveram fazer um revival do ska; uma espécie de reggae (primitivo) mais acelerado, com letras de protesto que falavam das mazelas do proletariado urbano marginalizado e também sobre diversão.

O The Beat, banda inglesa de Birmingham (também conhecida nos EUA como The English Beat), fazia um ska-reggae roots com pitadas do dance-rock, um meio termo entre a sonoridade do The Specials e do Madness. Abusando de metais, principalmente do sax, desenvolvendo um ritmo de andamento mais acelerado, característico do ska, e criando um clima alegre e contagiante, o som do The Beat agrada fácil.

“Just Can’t Stop It”, álbum de estréia e mais significativo da curta carreira da banda, é discoteca básica para fãs do estilo. A boa qualidade da banda, com seus instrumentais expressivos e típicos vocais “reggaeísticos”, proporciona um agradável prazer ao ouvinte, não o deixando um só instante parado. Faixas como: “Mirror In The Bathroom” (grande hit da banda), “Hands Off She’s Mine”, “Tears Of A Clown” (versão de uma música de Smokey Robinson), “Can’t Get Used To Losing You” e “Best Friend” (guitarra no melhor estilo Johnny Marr!) merecem destaque. É ouvir e conferir!

Os Paralamas do Sucesso – O Passo do Lui (1984)

Paralamas, banda do BRock dos 80’s, sempre na ativa e de excelente qualidade musical, é indiscutivelmente uma das melhores do cenário nacional de todos os tempos! Como alguém já havia dito: “Paralamas já nasceu pronto!”. Desde o início (1º álbum), os integrantes já se mostravam excelentes músicos, muito acima da média de outros de sua geração – a inquieta geração dos anos 80 que sucedeu o período da ditadura militar!

Herbert Vianna (vocal e guitarra), João Barone (bateria) e Bi Ribeiro (baixo), formam um trio perfeito, entrosado e de uma visão e maturidade musical surpreendentes! Independente da notória e forte influência do The Police (algo como “mestres” da banda), através da sua qualidade musical eles conseguiram superar tudo isso, quando posteriormente, fundiram o rock-ska-reggae com elementos e estilos da música brasileira. Alguém também já havia me dito que a grande influência dos Paralamas não era o The Police, e sim o The Beat! Discordei inicialmente e continuo discordando, mas ao conhecer o The Beat, ficou claro que o mesmo também influenciou a banda de maneira significativa. Recentemente em uma apresentação num programa de TV, observei que o baterista usava uma camisa com a foto do The Beat – revelador então!

Quanto ao “O Passo do Lui”, segundo e maravilhoso trabalho da banda, o que dizer de um álbum que de dez músicas, as oito primeiras foram e são hits eternos? Um feito para pouquíssimos! Toda força da banda em canções como “Óculos” (deu uma surrupiada de leve no teclado de “Hands Off She’s Mine” do The Beat!), “Meu Erro” e “Ska”; além da beleza melódica e romântica de “Fui Eu”, “Romance ideal” e “Me Liga”. Perfeito!

SAIU DO FORNO: Tim Booth – Love Life (2011)

Depois de um bonito trabalho em parceria com Angelo Badalamenti (“Booth And The Bad Angel” – 1996) e um álbum (“Bone” – 2004) no máximo, razoável; Tim Booth, vocalista do James, retorna (retoma) à carreira solo com um novo trabalho, no mínimo, interessante! Nota-se claramente um esforço de Tim se distanciar da sonoridade do James. Tarefa árdua e dificílima diante da longa carreira da banda, com seus 15 álbuns de um pop-rock “oitentista” (início de carreira) de qualidade acima da média, onde cada um tem sua identidade, inclusive um discreto flerte com a música eletrônica; além da sua voz marcante.

“Love Life” mostra um Tim desencanado, tranqüilo, de bem com a vida… Alguém que já deu bons frutos (e continua dando) e contribuições significativas pra música “pop”. Cada canção possui um som próprio num contexto único. Um fio condutor mantém a unidade do álbum. Destaque para a excelente abertura “As Far As I Can See”, com sua delicada e atraente simplicidade, a qual Tim canta com uma falsa displicência, artifício de quem sabe muito bem como atingir seu objetivo – seduzir o ouvinte! “Buried Alive”, faixa seguinte, é uma imponente canção conduzida por um violino e um piano envolventes. Beleza melódica em “Do Yourself A Favour”, faixa-refrão que hipnotiza! “The Point Of Darkness”, “Bless’em All” e “Gloria Descends” também merecem uma atenção especial – bons arranjos!

Tim Booth fez um trabalho expressivo que nesse inexpressivo 2011 (pelo menos até agora) acaba agradando. Se não configurar entre os melhores do ano, possui uma das mais belas capas!