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+ Em julho de 1989 a Revista Bizz publicou uma lista com oitenta discos essenciais dos anos 80, postaremos aqui alguns deles com os respectivos comentários da revista.

“Herdeiros da elegância do Roxy Music com uma aura de neo-românticos decadentes e múltiplas influências – da música japonesa ao funk – o Japan encontrou a sua melhor forma neste seu quinto LP.”

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Por incrível que pareça, conheci mais os trabalhos de Emily Haines junto ao Broken Social Scene (colaborando nos vocais) do que praticamente no Metric (como líder da banda). Formado em NY, o grupo é radicado no Canadá. A loira ainda conta com alguns empreendimentos solos que acabou recebendo o nome de Emily Haines & The Soft Skeleton.

Porém, Metric não é apenas a vocalista Emily. É uma banda afiada, entrosada e que traz nas 10 canções de ‘Fantasies’, uma sonoridade carregada da herança pós-punk. Entretanto, e infelizmente, considero que este foi um disco que me trouxe uma relação – um tanto ambígua, diga-se de passagem – de agrado assim como de enfado. Em certos momentos, uma música brilhante como ‘Help I’m Alive’ – que abre o disco – mostra suas guitarras ágeis, peso na medida certa, vocais com efeitos, refrão pegajoso, quase um hit para o verão – cuja estação já mostra as caras. Em outras canções, falta inspiração, e mesmo com a fórmula repetida da primeira música, já não empolga tanto o ouvinte. Ouvimos um rock insosso e sem charme, a propósito de ‘Gold Guns Girls’ e ‘Front Row’.

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Em certos momentos, parece que estamos ouvindo algo novo do Garbage. Não é Shirley Manson, a ruiva, e sim, é Emily Haines em meio a guitarras casadas com esparsas nuances de elementos eletrônicos. O fato fica comprovado em ‘Satellite Mind’ e ‘Blindness’.

Como todo álbum que sofre de uma regularidade, tive, claro, meus momentos preferidos. A música de abertura (já citada), a simpática e dócil ‘Twilight Galaxy’ com a voz de Emily de uma forma mais cândida e ‘Gimme Sympathy’ que consegue trazer reminiscências de bandas dos anos 80 como Blondie e cairia muito bem numa pista de dança. ‘Collect Call’ é outro destaque. Uma canção praticamente acústica, é aqui que observamos e entendemos que o Metric tem dom musical e que poderia ter trabalhado melhor as composições do disco em geral.

Antes que possa ser confundido como detrator da banda, longe disso, afirmo que fica comprovado que há talento e intensidade nas canções compostas. Em canções intercaladas, busco aproveitar o disco ao máximo. Todavia, convenhamos, pular faixas de um trabalho musical nos dias atuais não é uma das tarefas que mais admiro.

Nota: 6,3

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Mash-up. A palavra de ordem desse texto. O que significa? Rapidamente explicando em minhas próprias palavras, mash-up é um termo utilizado na música para citar sobreposições/colagens feitas nas canções. Fusões nas músicas que viraram praxe entre dj’s e músicos de boates/casas noturnas. Você pode juntar – por exemplo – um Beatles com LCD Soundsystem e tudo virar perfeito, sem ofender a originalidade de ambas as bandas. Especificamente é um trabalho feito por quem conhece a música em todas as suas décadas. Que trata a arte com o devido respeito em todos os seus estilos, modas e momentos da história. Aí, claro, existem os profissionais anônimos e também existem os já conhecidos dos internautas como 2 Many Dj’s e The Avalanches.

Contudo se existe a expressão popular e clichê de ‘rei’ para quem se sobressai numa arte ou profissão, então esse título se encaixa a Gregg Gillis. Desculpem-me os outros, mas, Gregg – que sobre o pseudônimo de Girl Talk já possui álbuns lançados desde 2002 – vem se aperfeiçoando a cada disco. Extrapola, exagera, ousa, experimenta toda a universalidade da música. No anterior, ‘Night Ripper’ (2006), Gillis se fez valer de 150 samplers de músicas para a composição de sua obra. Agora, em algumas entrevistas pela internet, diz que usou quase o dobro em ‘Feed The Animals’. 300? Por aí, e raramente as bandas se repetem. A cada segmento, um grupo/artista comparece inusitadamente. Dos mais velhos como Beach Boys e Roy Orbison até os mais recentes como Busta Rhymes e Beyoncé. Impressionado? Claro que neste disco temos 11 minutos a mais do que foi o anterior, ou seja, mais espaço para o Girl Talk arquitetar seus arcabouços sonoros.

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‘Feed The Animals’ se resume a uma lista que vou deixar no último bloco. É onde estão indicadas as colagens usadas em cada música. Logo, não é um disco para resenhar. Detalhar cada música em separadamente não ficaria um texto completo. O importante é lembrar que existem músicas sensações de 2007 que ainda estão frescas nos nossos ouvidos como a radiante ’15 Step’ do Radiohead inserida em ‘Still Here’. O próprio grupo de Thom Yorke volta a aparecer com trechos de ‘Paranoid Android’ em ‘Set It Off’. Até clássicos atemporais e músicas que foram sensação entre tantos ouvintes se juntam inteligentemente. ‘What It’s All About’ engloba de forma surpreendente: ‘Every Little Thing She Does Is Magic’ (The Police), ‘Epic’ (Faith No More) e ‘Close To Me’ (The Cure) no meio de incursões de rap e hip-hop. Um álbum que mostra que rock, techno, rap, hip-hop, pop sofisticado, pop radiofônico, música obscura, disco e dance podem sim formar um caldeirão apimentado e próprio para despertar nossa gula.

Por fim, se alguém ficar indagado com alguma colagem utilizada, pode verificar aqui a lista dos grupos/artistas presentes no intrigante e instigante trabalho do Girl Talk (música por música):

Veja a lista

Mas, se você é um entusiasta e gosta de decifrar enigmas, aconselho não ver essa lista e tentar adivinhar os trechos por conta própria. Gregg prova com talento que faz você gostar daquela pior banda, daquela que você mais detesta, nem que seja por meros 10 segundos.

Nota: 8,2

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Problemas ainda

+ Estou sem Internet por esses dias, por isso a falta de atualizações do blog. Se tudo der certo, até o final de semana as coisas devem normalizar.

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Sei que sou suspeito de falar (bem) sobre algum desenho, pois sou fã desde a minha infância e aprecio os mais variados tipos: o mais simples feito com massinhas de modelar, passando pelas animações ligadas à cultura oriental (a exemplo dos mangás) e indo para as mais avançadas em tecnologia que se utilizam tão bem do CGI (Computer Generated Imagery).

E foi a Pixar (praticamente uma cria da Disney) que nos brindou com a mais nova produção pós-‘Ratatouille’. Saiu do papel então ‘Wall-e’. Nada de animais, humanos então ficaram em segundo plano, nada de piadas tão risíveis. Aqui, um casal de robôs é a estrela. O robô Wall-e – uma espécie de compactador de lixo um tanto quanto ultrapassado – que ficou sozinho num planeta Terra devastado, desabitado, sujo, pós-apocalíptico e Eve, uma robô moderna, programada com a missão de vir para a Terra e tentar encontrar rastro de vida e de que o planeta ainda poderia ser habitável.

‘Wall-e’ é sério sem perder cenas de humor bem arquitetadas, inteligentes e usadas em partes corretas e dosadas do longa. Pense um pouco nos melhores momentos de um Charles Chaplin ou de um Buster Keaton na era do cinema mudo. A animação terá poucas falas. E o mais divertido fica nas ações do robô, em sua mania de guardar relíquias variadas (filmes em VHS como ‘Alô, Dolly!’ de 1969, um Atari 2600, isqueiro, etc), o seu encontro curioso com a chegada de Eve, o seu jeito de comunicar, a sua forma de se relacionar com uma mísera barata fiel à sua companhia. Depois, ainda teremos a correria incansável de Wall-e para rever Eve. Tudo em tons sutis.

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Tento não elucidar muitas pistas, até mesmo porque este é um desenho não para se contar, e sim, para ser assistido por todas as gerações. Apesar de considerá-lo até mais voltado para o público adulto. Tentando expor concisamente, Eve pode ser considerada o elo entre uma colônia espacial com alguns humanos remanescentes e a (ainda) possível sobrevivência humana na Terra. Se por acaso ela encontrar uma forma de vida (um vegetal, a bem da verdade) em condições apropriadas ao clima da Terra, tem que ser enviada rapidamente à nave ‘Axiom’ para o comandante ser avisado de tal possibilidade. E este é um belo momento do filme. O verde de uma plantinha é realçado no meio de tão poucas cores presentes e na imagem embaçada por montanhas de lixo acumuladas. Cena que me fez até lembrar da rosa vermelha em meio a um cenário cinzento vista em ‘A Lista De Schindler’.

Citando o filme de Spielberg logo acima, a animação ainda faz alusões a outros clássicos do cinema. O próprio Wall-e tem um ‘corpo’ que lembra o ‘ET’ (também de Spielberg). Assim como tem o charme e a inteligência de um R2-D2 (de ‘Guerra Nas Estrelas’). Mais ainda, as semelhanças com Johnny 5, robô protagonista do filme ‘Um Robô Em Curto Circuito’ (1986). E nem poderiam deixar de existir associações com ‘2001 – Uma Odisséia No Espaço’. Os seres humanos sedentários obesos – que nem conseguem andar – habitam a Axiom e são controlados/auxiliados por robôs. No longa-metragem de Kubrick, a nave é controlada por um supercomputador, o Hal 9000. Lembram-se?

Por mais que existam hypes, inúmeros sites que só falaram por um bom tempo de ‘Wall-e’, toda uma propaganda capitalista em torno dele (jogos, brinquedos, brindes em fast-foods), o desenho realmente merece (com sobras). E não é somente o traço rebuscado que mostra uma Pixar mais inovadora e tomando a liderança das produtoras de animação. São as cenas, as imagens memoráveis, a ideia, as mensagens, o alerta de um mundo próximo que não queremos (mas, que infelizmente, parece ser provável e iminente). Uma produção cinematográfica para refletir, para se extasiar, se arrebatar. Mais do que isso. Para se pensar num futuro totalmente controlado por máquinas, por um planeta devastado e por ações simples do nosso cotidiano – como dançar e amar alguém – que ainda valem a pena e que nos deixam felizes.

NOTA: 9,5

Duração: 97 min
Origem: EUA
Direção: Andrew Stanton
Roteiro: Andrew Stanton
Produção: Jim Morris

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Enquanto um disco tão esperado de sua banda preferida não chega, enquanto você vai ouvindo aquele álbum do seu top deste ano pela enésima vez, ou até mesmo fica tentando se contentar com hits momentâneos espalhados de algum hype passageiro, discos que passaram desatentos em anos anteriores começam a saltar diante de seus olhos. Como um curioso e um amante de música em potencial, você se arrisca em mais uma banda que não esteve sequer na mídia em 2007.

Logo de cara, quem ouviu o som do grupo do Brooklyn diz: o Ravens & Chimes é (mais) um clone do Arcade Fire. Sim, tudo bem. Concordei sem hesitações ao ouvir a primorosa abertura com ‘This Is Where We Are’. Bem ao estilo da banda canadense: vocal feminino e masculino dividindo a canção (quase o mesmo timbre da dupla do Arcade), bateria virtuosa e capacidade para compor belas pérolas de cunho pop. Para quem já ouviu estilos e grupos dos mais variados no universo musical, conseguirá associar o Ravens com um pouco de Decemberists, um tanto de bandas que seguem a cartilha do folk-pop e ainda adicionar nuances de Wolf Parade (reparem como ‘General Lafayette! You Are Not Alone’ tem a sonoridade bem parecida com a do quarteto canadense Wolf Parade).

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Com as belas referências citadas acima, falta apenas completar dizendo que o sexteto é composto por instrumentistas habilidosos, tem vocais seguros e que tem idoneidade suficiente para deixar 12 canções redondas. Isso mesmo quando elas são curtas e com aspecto de vinhetas (as pequenas peças acústicas ‘Candles’ e ‘For M’).

Sempre gosto de encontrar detalhes que engrandeçam as músicas de uma obra musical. E aqui sobram para o gosto do ouvinte. O simples e ingênuo ‘lá-lá-lá-lá’ sobre camadas de piano em ‘The Far Away Sound Of Cars’, a bateria tribal que inicia ‘Saint Jude In The Village Voice’ e a percussão em forma de espiral de ‘Eleventh St.’. E isso é apenas o começo. Podemos ouvir um piano somado a sintetizadores para dar conjunto a uma composição esquizo-onírica em ‘…And I Came Upon It In The Clearing’ ou, se preferir, podemos escutar a indistinguível fronteira entre a calmaria e a barulheira de ‘Archways’ – a meu ver, a melhor do disco. Até no fechamento do disco com ‘Chloe’, o grupo consegue fazer uma canção lúdica usando um singelo xilofone.

Com certeza, tais detalhes apresentados englobam apenas 1/10 do que é a sonoridade do álbum. A cada audição, um mero acorde ou um som de sintetizador escondido, quase inaudível, pode entrar para dar mais substância às composições. Tudo vai depender de como assimilamos no fundo de nosso âmago belas obras artísticas. Ouça sem pensar no Arcade Fire. Ouça como Ravens & Chimes. Simples assim.

Nota: 7,6

Depois de passar alguns natais em Marte, “os lábios flamejantes” estão de volta, trazendo na sua bagagem muito experimentalismo, psicodelismo e todos os “ismos” que uma “crazy trip” pode proporcionar e/ou causar! Parece que ter contato com este pequeno planeta vermelho, de pessoinhas (imaginárias) verdes não faz bem à sanidade mental; vide as “loucuras” dos últimos trabalhos do Mars Volta: é como ser atingido por um raio laser desintegrador!

A lou…, ops! A viagem começa com “Convinced Of The Hex”, conduzida por uma guitarra crua e estridente e um backing vocal oriental-incidental que em seguida se transforma em puro desespero. A guitarra continua crua e menos estridente (parece um gato miando) no “reggae cósmico” intitulado de “The Sparrow Looks Up At The Machine”; a bateria é pulsante fazendo a marcação da música.

A seguir temos a “climática” “Evil”, na qual o baixo juntamente com alguns elementos sonoros conduz o ouvinte ao espaço sideral. Ao longo da viagem temos momentos alucinados alternados por momentos de pura calmaria; confira “Aquarius Sabotage”, “If”, “Gemini Syringes”, entre outras. “Your Bats” traz uma bateria “jazzística” contrastando com um singelo teclado típico de um “sonho pop”!?

A “velvetiniana” “Powerless” proporciona um momento de introspecção onde uma “pirracenta” guitarra (seria a mesma que a Legião Urbana usou em O Reggae?) teima quebrar esse “momento íntimo”. “The Ego’s Last Stand”, apesar de sua introdução e dos vários elementos escondidos por detrás da música (preste bastante atenção, tem até passarinho cantando), é puro rock and roll!

Maluquice mesmo é o vocalista interagir com uma mulher bastante excitada (a mulher urra, uiva, geme, mia, late, grita etc.), “retirada” provavelmente de um trecho de um filme B-trash, em “I Can Be A Frog” (Posso ser um sapo)! Mas não só de loucuras e esquisitices vive “Embryonic”, temos beleza também na “robótica” “The Impulse”.

Se os caras do Mars Volta piraram nas suas viagens e perderam a medida nas suas experimentações, os caras do The Flaming Lips viajaram legal (legal mesmo!) na maionese quando resolveram misturar Velvet Underground com Pink Floyd, His Name Is Alive com psicodelismo dos 70’s – visionário!

NOTA: 8,5

Há álbuns que te põem pra baixo. Há álbuns que te põem pra cima. Há álbuns que te arrastam por um turbilhão de sentimentos, num passeio divertido e cheio de surpresas. Assim é “Two Lovers”, segundo álbum das “bestas selvagens”.

Depois de lançarem o surpreendente, estranho, teatral, barroco, inusitado “Limbo, Panto” (que entrou na lista de melhores de 2008) no ano passado e se mostrar uma banda promissora, consolidam-se em 2009 como uma das propostas mais interessantes surgidas nos últimos anos na Inglaterra.

A voz em falsete de Hayden Thorpe não é para qualquer ouvido, por isso a música do grupo parece transitar sempre nos opostos: ame ou odeie, pegue ou largue. Herdeiro dos histrionismos que um certo Stephen Patrick costumava usar em algumas canções dos Smiths e com semelhanças com Antony Hegarty (Antony and The Johnsons) nos falsetes, Thorpe praticamente divide os vocais com o baixista Tom Flemming (que canta em quatro faixas). Fleming tem a voz grave de barítono, já havia mostrado sua capacidade em “Devil’s Crayon”, uma das melhores canções do álbum anterior. Aqui a dobradinha que faz com Thorpe em “All the Kings Men”, uma das tops do disco, é memorável. É em sua voz também que o álbum assume tons mais sisudos nas faixas “Two Dancers (i)” e “Two Dancers (ii)”.

Fleming é um coadjuvante de luxo nos vocais. Mas o charme maior do Wild Beasts reside em seu vocalista cheio de peripécias. Como um maestro que dita o ritmo dos instrumentos, Thorpe conduz as canções com dramaticidade, uma dramaticidade mais contida agora, menos exarcebada que em “Limbo, Panto”. Para os fãs de primeiro momento das inflexões vocais do rapaz, esse lado mais contido de seu vocalista e acessível da banda pode ser encarado como uma mudança malquista. Mas, convenhamos, ao acrescentar um acento mais pop, “Two Lovers” mais ganhou do que perdeu, no fim das contas.

Pense em fragmentos. Assim é a música deles. Uma porção de fragmentos representados por cada um dos instrumentos: o baixo parece esquecido mas desempenha um papel fundamental ao fazer uma marcação que deixa as guitarras livres para costurarem as canções com riffs simples e esparsos, dedilhados, ou alguma melodia. Piano, teclados e percussão aparecem ocasionalmente. Mas é a bateria que tenta roubar a cena: alta, mixada de forma incomum e muitas vezes tribal e percussiva, é, novamente, um show à parte, “When I’m Sleepy” ou “The Fun Powder Plot” servem como confirmação.

Aliás, a podução e mixagem do álbum são soberbas, uma luva para as música do Wild Beasts. Dá uma burilada no som do grupo sem tirar o que lhe é característico. Outros momentos em que o trabalho de mixagem ressai é em “The Fun Powder Plot” e “We Still Got the Taste Dancin’ on Our Tongues”, onde as guitarras se revezam nos dois canais de som, efeito melhor perceptível com fones de ouvido. Apesar de uma produção caprichada, há alguns espaços vazios, mas somar partes dá nisso, o que não significa que o resultado seja incompleto.

Segundo o grupo, “Two Lovers” reflete bem o momento atual em que se encontram, já que todas as canções são recentes, foram compostas após o lançamento de “Limbo, Panto”, que foi uma espécie de produto final do trabalho que vinham desenvolvendo ao longo dos anos. Nessa nova fase, as guitarras estão mais acentuadas e mostram uma dinâmica e diversidade de timbres impressionante.

Enquanto “Limbo, Panto” tinha a ótima “Devil’s Crayon” com uma de seus momentos mais inspirados, “Two Lovers”, tem “All The Kings Men” como uma rival a altura. Apesar de “Hooting & Howling” estar também no mesmo quilate ou ainda a catarse suingada de “We Still Got the Taste Dancin’ on Our Tongues”.

Com um passeio tão agradável ao longo de dez canções, impossível não se render e pedir bis.

NOTA: 9,5

“Em Reeditando postarei textos meus que foram publicados nos sites Outernative e Muzplay, da época em que escrevia para os mesmos”

Se a onda é reciclar os anos 80, o quarteto escocês The Cinematics vem com seu álbum de estréia reivindicar seu lugar ao lado de bandas como Interpol, Editors, Elefant e I Love You But I’ve Choosen Darkness, das quais estão mais próximos. Não tão densos quanto os novaiorquinos do Interpol, pendem para a vibração do Editors com uma pulsação que às vezes remete a Franz Ferdinand ou Bloc Party.

Formada em 2003, a banda tem levado a imprensa a procurar as mais diversas influências em sua música. Em entrevista, Scott Rinning afirmou que cresceu ouvindo Radiohead, Jeff Buckley e Smashing Pumpkins e depois descobriu Echo & The Bunnymen, Joy Division, e The Cure. Ocasionalmente citam Talking Heads e The Clash como influências e recusam o rótulo de novo Franz Ferdinand, admitindo similaridades ocasionais no uso das guitarras.

Além do gosto pelos 80, gostam também de se vestir de preto, como na foto que ilustra a homepage da banda e no clip de ‘Brake’. Andaram tocando com nomes como o próprio Editors, We Are Scientists e Brendan Benson. A mídia também tem dado certo espaço para ELES, o NME, por exemplo rasgou elogios à voz de Scott Rinning, enquanto o New York Post definiu como imperdível sua apresentação no CMJ Music Fest.

Com os pés no chão, não estaríamos desmerecendo “A Strange Education” ao dizer que é um bom aperitivo enquanto os lançamentos mais aguardados do ano não vem ou que o álbum poderia entrar na disputa pelo título de ‘melhor álbum inesperado de 2007’ ou, ainda, ‘melhor EP’. As faixas boas realmente empolgam e o vocal de Scott chama a atenção, sendo um dos destaques do Cinematics. A produção de Stephen Hague (New Order) foi bastante concisa e conseguiu manter a unidade sonora do início ao fim, mas o quem-é-quem em cada faixa é inevitável.

O começo com ‘Race to the City’ é bem legal, até faz balançar a cabeça de um lado pro outro enquanto pensamos que seus riffs de guitarra nos lembram algo que ouvimos muito recentemente. A sensação de déja vu que contaminou a música atual aqui também é uma constante. É uma canção bacana, apesar de derivativa.

‘Break’ mostra o lado melancólico da banda, Scott canta o gosto pela solidão e que a tristeza às vezes pode ser prazerosa. A faixa é um dos singles do álbum e tem tudo pra se tornar um hit instantâneo desse ano. É bastante pulsante e mantém a pegada do início, caberia bem no álbum do Editors, mas está aqui para dar um brilho ao álbum dos escoceses.

“A Strange Education” ( a faixa ) cita os Bunnymen em sua introdução que remete a ‘Bring on the dancing horses’. ‘Human’ está entre as que mais gosto, tem uma certa tensão e raiva amarrada querendo se soltar. Daí em diante entramos em canções ‘meia-boca’ com arranjos que pouco ou nada trazem de novo e empolgante: riffs de guitarra em profusão e batidas pulsantes e momentos que lembram de The Cure a The Mission.

Temos então em ‘Strange Education’ seis faixas legais que renderiam um bom EP, as outras são meras coadjuvantes, apenas preenchendo espaço. Numa de minhas comparações esdrúxulas, o álbum é como aqueles galos de briga que chegam todo cheio de pose na rinha: começa razoavelmente bem, perdem o fôlego (a partir da quinta faixa) e tentam retomar (na oitava), mas entregam os pontos de vez e abre o bico (da nona até a décima segunda), caindo exausto. Em “Asleep at the Will” – a última faixa do álbum –, a banda mostra um lado mais pesado e denso, totalmente diferente de tudo que veio antes.

Relendo a resenha, vejo que foram tantas as comparações que aconclusão sobre o álbum é de que não passa de uma colcha de retalhos com algo de vistoso e só.

NOTA: 5,0

(PS: O último parágrafo foi modificado em relação ao texto original)

(PS2: O segundo álbum da banda foi lançado em setembro e já tem na rede, se chama “Love and Terror”)

+ Em julho de 1989 a Revista Bizz publicou uma lista com oitenta discos essenciais dos anos 80, postaremos aqui alguns deles com os respectivos comentários da revista.
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“Tendo trabalhado com Sam Cooke e Wilson Pickett, Bobby enquanto guitarrista e compositor tornou-se uma figura lendária na soul music, tendo feito uma fecunda carreira solo a partir do início dos anos 70, a qual entrou em declínio no final da década. Com este The Poet, ele conseguiu um espetacular comeback a sua velha forma.”
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“Obra de referência indispensável para entender a evolução da dance music e da world music. Gravado logo após o LP Remain in Light, dos Heads, Eno e Byrne aprofundaram e radicalizam o encontro musical do primeiro com o terceiro mundo.”

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